O rótulo "progressivo" perdeu seu sentido? Mikael Åkerfeldt opina
Por Emanuel Seagal
Postado em 05 de janeiro de 2026
Se nos anos 80 e 90 o metal progressivo era sinônimo de bandas como Queensryche e Dream Theater, de lá para cá o rótulo se expandiu drasticamente, abraçando extremos como o death metal do Opeth. Mas será que o termo ainda faz sentido? Mikael Åkerfeldt, líder do grupo sueco - cuja discografia navega entre o death metal e o rock -, questionou o significado deste rótulo ao ser entrevistado pela Prog Project.
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"Não tenho certeza se é tão importante para mim sentir que somos 'progressivos', porque, sinceramente, não sei mais o que isso significa", disse o músico. "Antigamente, acho que era mais fácil definir uma banda progressiva porque misturavam estilos e coisas do tipo, mas agora progressivo significa solos de guitarra rápidos, e se tornou um som, talvez não tão progressivo assim."
"Acho que a música progressiva, especialmente no rock e no metal, se tornou um pouco regressiva. Cabe ao público decidir o que somos, mas para mim, ser rotulado assim tornou-se cada vez menos importante", concluiu.
"Quem vive de passado é museu"
Para os fãs que ainda sonham com a volta da sonoridade dos anos 90 e início dos anos 2000, Mikael foi claro. "Não quero me repetir. Muitos dos nossos fãs querem que a gente repita o que fizemos no início dos anos 2000, mas isso não me interessa. Quero que a gente progrida, mas não necessariamente só para se encaixar no gênero rock/metal progressivo."
Esterilidade do metal
Em 2017, ao conversar com a Rolling Stone, Åkerfeldt já compartilhava sua falta de interesse em novas bandas de metal. "Nasci em 1974, então cresci com a New Wave Of British Heavy Metal, a cena alemã e a cena americana dos anos 80. Acho a cena metal de hoje um pouco estéril demais para o meu gosto", disse.
"Não fico empolgado com uma nova banda ou um novo disco de metal porque tento ouvir, mas na maioria das vezes sinto que não soa como metal - é polido e padronizado demais para se encaixar no gênero. Simplesmente não é interessante o suficiente para mim, entende?"
O Opeth lançou em 2024 o álbum "The Last Will And Testament", através da Reigning Phoenix Music. O disco contou com a participação de Ian Anderson, do Jethro Tull, que atua como narrador e flautista. O álbum ainda conta com Joey Tempest, do Europe, e uma participação especial de Mirjam Åkerfeldt, filha mais nova de Mikael.
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