Leave Me Out: A "sujeira" no Rock Alternativo Nacional
Resenha - "Cardboard Head" - Leave Me Out
Por Edson Sidião de Souza Júnior
Postado em 01 de fevereiro de 2014
O Grunge, em seu sentido original, se refere à "sujeira". A "sujeira" que caracterizou o rock na última década do século passado, parece ainda contaminar a música nos dias atuais. Resposta ao futurismo e uso das tecnologias na produção de músicas no final do século passado, o grunge continua a produzir arte com excelência, utilizando distorções sujas e letras que revelam a imundície do espírito humano. Bandas grunges que surgiram no fim dos anos de 1980 e interromperam sua trajetória por motivos diversos, retomaram sua carreira nos últimos anos e com destaque em meio à cultura rock atual. É do meio dessa "sujeira" que emerge a banda Leave Me Out.

Os primeiros registros da banda mineira formam a trilogia de EPs "Cardboard Head" (Cabeça de Papelão) lançados a partir de 2009, ano de fundação da banda. A trilogia é formada pelos EPs: Leave Me Out, Junkhead e Mirror of Insanity. A produção da trilogia foi feita por Rodrigo Nepomuceno da Cheder Records e o lançamento aconteceu via Valvulado Discos.
A "sujeira" que domina a obra da banda já pode ser percebida na arte das capas, criadas por Dudu Torres e merece destaque a personalização da arte em cada EP. Lançado no Festival Jambolada, em 2010, o primeiro EP da trilogia, que possui homônimo da banda, conta sete faixas e foi gravado com Juliano (vocal), Raphael Maldonado (guitarra), Victor Hugo (guitarra), Conrado Moser (baixo) e Danilo Kaju (Bateria). Closed, primeira música, possui uma introdução vocal sombria que combina perfeitamente com o riff e solo apresentados posteriormente, receita clássica do grunge. Mas a principal qualidade dessa primeira faixa está na poesia do refrão "And nightmares killed me / To style of Fred Krugger". Com uma melodia serena que traduz a mensagem de que o sentimento é para poucos, Feeling is for few é a segunda faixa desse EP.

Em Butterfly, a influência do grunge se revela, ao mesmo tempo pela simplicidade da letra, como pela distorção e peso com que as guitarras conduzem a evolução da canção. O uso do efeito Wah Wah nos solos de guitarra é um recurso usado com destreza nos solos, e em Overload, quarta canção, este recurso é utilizado no solo de guitarra para recuperar o andamento da canção, quebrando a monotonia do refrão. Senses apresenta uma pegada rápida e rítmica, levando o ouvinte a se lembrar do Grunge original do Sonic Youth e Pixies. O vocal trabalhado em Walking Dead (faixa 6) é o destaque da dessa canção, que apresenta também uma bela cozinha (baixo e bateria). Para finalizar, Grave, apresenta consistência e uma alternância de velocidade, que remontam aos trabalhos de Jerry Cantrell.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Lançado em julho de 2012, o segundo EP da trilogia denominado ¨Junkhead¨, possui 5 músicas. Com a mesma formação, a banda nesta obra deixa claro o quanto a "sujeira" está presente em seu DNA. Apesar de ser uma obra autoral, suas canções são antes de tudo, uma apologia às suas principais referências grunge: Alice in Chains, Nirvana, Bush, Mudhoney, Alter Bridge e Danzig. Faixas rápidas e curtas compõe a obra. Destaco a terceira Sky Cobain, que lembra Cobain, não só na letra, mas também no timbre do vocal.

Quatro faixas compõe o derradeiro EP da trilogia. Neste, o baixista Tio Bob entra na formação em lugar de Conrado Moser. Lançado em maio de 2013, a banda disponibilizou todas as faixas no Soundcloud, antes do lançamento. Com identidade musical definida, este EP é o trabalho mais sólido da banda. Com um riff de guitarra poderoso associado a um vocal rasgado, Crazy Scene abre o trabalho. Nesta canção, chama atenção o trabalho diferenciado de Tio Bob no baixo. Local Pain é uma típica balada grunge. A estrutura da letra é formada por dor e angústia, que servem para orientar o andamento da melodia. Em Loneliness, o trabalho vocal se sobressai. E Lost Horizon finda o EP. Esta sintetiza a evolução da banda, apresentando todas as qualidades da banda, em uma única canção: uso de distorções nas guitarras de forma precisa, vocal equilibrado, bateria e baixo dando sustentação à melodia e principalmente letras com conteúdo lírico.

A trilogia é uma referência para o rock alternativo nacional, principalmente dentro do grunge. Fica a ansiedade para o lançamento do novo trabalho da banda "Endless Maze", previsto para março de 2014.
Leave me Out:
1- Closed
2- Feeling is for few
3- Butterfly
4- Overload
5- Senses
6- Walking Dead
7- Grave
Junkhead:
1- Again
2- Black Flowers
3- Sky Cobain
4- Within the Soul
5- End of the World
Mirror of insanity
1- Crazy Scene
2- Local Pain
3- Loneliness
4- Lost Horizon

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