David Bowie: o que esperar do 24º álbum de um artista consagrado?
Resenha - Next Day - David Bowie
Por David Oaski
Postado em 11 de agosto de 2013
Que David Bowie é um monstro sagrado da música pop mundial ninguém tem dúvida, porém o que esperar do vigésimo quarto álbum de um artista totalmente consagrado e que mora há no mínimo trinta anos no panteão dos grandes nomes da história da música mundial?
Quase totalmente excluso da grande mídia, desde que teve um infarto em 2004, Bowie tinha um futuro incerto aos olhos de público e crítica. Ele voltaria a lançar discos? Faria turnês? Se sujeitaria a todo o desgaste do show business novamente? Graças aos céus a resposta foi positiva.
David trabalhava há quase dez anos em total sigilo com o produtor Tony Visconti (que já havia trabalhado com o Camaleão em "Space Oddity" e "The Man Who Sold The World") elaborando melodias, compondo canções, testando e desenvolvendo sonoridades até lançar no começo do ano o primeiro single do que viria a ser seu novo álbum, dez anos após "Reality", de 2003, a música lançada através de videoclipe no site oficial do músico pegou a todos de surpresa, pois não havia sido noticiado em nenhum portal de notícias do mundo que Bowie estava na ativa, quanto mais gravando um novo álbum. A música era "Where Are We Now", uma balada arrastada e melancólica, que traz uma dose do que viria no disco cheio.
Lançado em Março desse ano, "The Next Day" foi muito bem recebido por fãs e crítica especializada, pois mostra que o talento intrínseco de Bowie segue presente em cada melodia ao longo das 14 canções do álbum. O camaleão é um daqueles raros artistas que sabem fazer melodias singelas virarem joias pops inesquecíveis.
Além disso, vale destaque a capa que traz um quadro branco com o nome do álbum sobre a capa de "Heroes", álbum de Bowie de 1977.
O disco possui rocks potentes e enérgicos, com melodias cheias de vitalidade e colhão pra botar muitas dessas bandas indie que se acham pesadas no chinelo, como se vê na faixa título, que possui melodia musculosa, cheia de camadas sonoras, com guitarras, teclado e cozinha se entrelaçando numa ótima canção; outros exemplos são a chapada "I’d Rather Be High" e "(You Will) Set The World On Fire", rocks diretos e extremamente competentes.
Também há muito espaço para melancolia, do auge dos seus 66 anos, Bowie confecciona pérolas contemplativas como "Love Is Lost", "You Feel So Lonely You Could Die" e "Heat", esta última poderia ter sido facilmente gravada por Trent Reznor e sua turma no Nine Inch Nails.
O pop oitentista também é celebrado com roupa de gala no funk misturado com jazz "Dirty Boys"; na acelerada "If You Can See Me", que poderia lembrar uma canção do The Killers se eles se levassem a sério; e nas dançantes e deliciosas "Dancing Out In Space" e "How Does The Grass Grow", essa última com um belo solo de guitarra.
Há também espaço para baladas românticas com a bela "Valentine’s Day" e a singela "Boss Of Me", além da semi balada e uma das melhores canções que ouvi em 2013, "The Stars (Are Out Tonight)" que possui letra e melodia marcantes, que já a postulam como um clássico da carreira de Bowie.
Bowie é um verdadeiro arquiteto da música, consegue encaixar cada instrumento, cada timbre, cada som no seu devido lugar dentro da melodia e nesse álbum conseguiu mais uma vez espalhar seu brilho no decorrer de toda obra, pois cada faixa revela um pouco mais do talento desse extraordinário músico, a cada audição você encontra um elemento diferente, uma nuance, uma passagem ou um trecho que havia passado batido. É o caso de um disco para se ouvir até o fim da vida, de tempos em tempos sendo degustado.
Torcemos pra que esse não seja o último registro de Bowie em vida, mas se for, trata-se de uma senhora despedida. O camaleão do rock devia um grande disco às gerações mais novas e lhes entregou "The Next Day", cabe a nós desfrutá-lo o máximo possível.
Disponível também em:
http://rockideologia.blogspot.com.br/2013/07/resenha-next-day-david-bowie.html
Outras resenhas de Next Day - David Bowie
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Capital Inicial cancela shows nos Estados Unidos após vistos negados
Rush é parado na fronteira dos Estados Unidos com o México e precisa adiar show
Rhapsody se despedirá com formação clássica ao lado do Epica na América do Sul
Por que Iron Maiden nunca será grande como Metallica, segundo Bruce Dickinson
20 bandas que nunca lançaram um disco ruim, de acordo com a Metal Hammer
O cantor de prog metal que foi cotado para substituir Bruce Dickinson no Iron Maiden em 1993
Ripper Owens: "Há uma razão pro Iron Maiden tocar pra 20 mil e o Judas pra 5 mil"
Os dois clássicos do Judas Priest que Ripper Owens não queria cantar no Masters of Voices
O que torna o Slayer diferente, na opinião de Dave Mustaine
O show em que o Iron Maiden tocou Van Halen, de acordo com Adrian Smith
A grande omissão do Rock and Roll Hall of Fame segundo Steve Stevens
A música do Anthrax que Andreas Kisser considera "quase prog"
Shane Embury (Napalm Death) fala abertamente sobre luta contra o alcoolismo
Live anuncia cancelamento de shows no Brasil
Em clima de Copa do Mundo, Angra lança videoclipe da releitura de "Pra Frente Brasil"
Tina Turner revela o rockstar pelo qual ela "sempre teve um crush"
Brian May: "Eu não sabia que Freddie Mercury era Gay"
Black Sabbath: Tony Iommi comenta sobre ser associado ao termo Heavy Metal


Tributo a Syd Barrett une Pink Floyd, David Bowie, Violeta de Outono e John Paul Jones
Quando David Bowie saiu do fundo do poço com um aparelho que "mexia com o tecido do tempo"
O erro cometido pela gravadora dos Beatles que repetiu o que havia acontecido com eles
Quando Jeff Beck tocou na despedida de um personagem lendário do rock
O violentíssimo filme que inspirou David Bowie a criar Ziggy Stardust
RHCP: O monstro saiu da jaula com um de seus melhores trabalhos



