Jerry Cantrell afirma que há uma banda grunge que não lançou nenhuma música ruim
Por Bruce William
Postado em 29 de novembro de 2025
Para quem viveu a cena de Seattle por dentro, não é exagero dizer que as bandas dos anos 90 formavam quase uma família estendida. Jerry Cantrell, do Alice in Chains, é um dos nomes que sempre lembram disso quando fala de Soundgarden, Pearl Jam e companhia. Em um vídeo recente para o canal do Rock & Roll Hall of Fame no YouTube, ele foi desafiado a fazer algo que considera praticamente impossível: escolher apenas três músicas que definem o Soundgarden, e acabou emendando um elogio raro, dizendo que a banda simplesmente não tem música ruim.
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O registro foi gravado em clima de homenagem, já que o Soundgarden entrou para o Rock and Roll Hall of Fame em 8 de novembro, em cerimônia no Peacock Theater, em Los Angeles, com discurso de Jim Carrey. Nesse contexto, pediram a Cantrell que escolhesse três faixas que, na visão dele, representassem o grupo de Chris Cornell. A reação inicial foi de resistência: "Eu odeio isso, porque odeio ter que reduzir o Soundgarden a três músicas que 'definem' a banda, porque acho que o Soundgarden é meio indefinível", comentou, em transcrição feita pelo Blabbermouth.
Ele explicou que não lida bem com listas de "favoritas": "Sempre é difícil pra mim fazer favoritos, eu sou péssimo nisso, porque eu gosto de tudo. Se fosse uma banda de um ou dois hits, seria muito mais fácil. Mas o Soundgarden escreveu tantas músicas fodas". Em seguida, lembrou que o grupo lançou cerca de seis álbuns de estúdio e não economizou elogios ao conjunto da obra: "Os discos que eles fizeram - o quê? Uns seis discos? - são brilhantes pra caramba. Então pegar um e dizer que é melhor que o outro, ou que um significa mais pra mim do que outro, é bem difícil, porque acho que tudo é realmente muito bom. É tudo bem acima da média".
Ao tentar montar a lista mental, Cantrell foi citando faixas de fases diferentes da banda: "Hoje fiquei pensando em coisas desde 'Hunted Down' e 'Flower' até 'Limo Wreck' e 'Gun' e 'Burden in My Hand' e 'Superunknown', 'Rusty Cage', 'Black Hole Sun' - eu poderia continuar falando". Foi aí que veio a frase que virou manchete: "Eu não acho que eles tenham feito nada ruim. Não acho que tenham lançado um disco ruim e não acho que tenham escrito uma música ruim. E, em termos de letra, é tudo poesia, cara. Tudo de qualidade muito alta".
Entre tantas opções, uma faixa em especial continua mexendo com ele: "'The Day I Tried to Live', acho que talvez essa música... é bem... Quer dizer, só de mencionar o nome dela os pelos da minha nuca já se arrepiaram. É uma que me pega num ponto bem sensível", disse com admiração ao falar da canção do álbum "Superunknown". Para Cantrell, a força do Soundgarden passa tanto pelas melodias e riffs quanto pela maneira como Chris Cornell transformava angústias e conflitos em versos que soavam quase como poemas musicados.
Mais adiante no vídeo, o guitarrista aproveitou para falar do sentimento de comunidade entre as bandas da cidade, algo que ele ainda vê como vivo. "Cresci numa área que produziu algumas das minhas músicas favoritas, e o Soundgarden é uma delas. E também algumas das minhas pessoas favoritas no mundo, que sigo valorizando muito até hoje. Quando você encontra, já abre o sorriso e vem o abraço. Se alguém está tocando por perto - o Pearl Jam vai tocar, eu vou. Se a gente está tocando, alguém vem ver a gente. Ainda existe essa sensação de comunidade", contou.
Cantrell também comentou a forma como a música mantém esses laços mesmo depois que alguns nomes se vão. Ao lembrar Chris Cornell, ele destacou a maneira como a obra permanece, mesmo quando o autor não está mais ali para ouvir os aplausos. "No caso da música, mesmo que você não esteja mais aqui, infelizmente, você vive através dela. A sua música vive, e a sua música é você. É você injetado naquela peça de arte. É uma experiência de vida permanentemente registrada e compartilhada com qualquer pessoa que possa se identificar com aquilo", disse.
Vindo de um colega de geração que dividiu palco, cidade e época com o Soundgarden, o elogio ganha peso extra. Para Jerry Cantrell, não se trata de uma banda com alguns grandes momentos espalhados na discografia, mas de um catálogo inteiro que ele enxerga como "sem música ruim", e de um conjunto de canções que segue encontrando gente disposta a se reconhecer nelas, décadas depois de terem sido gravadas.
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