A banda que Joe Perry quase escolheu no lugar do Aerosmith; a proposta parecia fazer sentido
Por Bruce William
Postado em 28 de novembro de 2025
Nos últimos tempos, Joe Perry entrou no centro da discussão sobre o que ainda pode ser chamado de rock and roll. A apresentação ao lado de Steven Tyler e Yungblud em tributo a Ozzy Osbourne no VMA virou alvo de críticas pesadas, como a de Dan Hawkins, do The Darkness, que classificou o medley como "cínico, nauseante e, mais importante, uma merda", ressaltou a Guitar World.
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Mas, ao invés de revidar nesse mesmo tom, o guitarrista preferiu falar sobre postura: para ele, muita gente olha para as mudanças na música já com a cabeça feita, sem tentar entender o que está acontecendo. Em entrevista ao MusicRadar, falando sobre o EP "One More Time" e sobre o trabalho com nomes mais novos, ele resumiu o conflito assim: "Do jeito que você encara as coisas, dá para olhar balançando a cabeça, ir embora e dizer: 'Isso não é rock and roll de verdade. Não é assim que deveria ser'. Ou você pode olhar de outro jeito".
Essa ideia de seguir o próprio instinto, mesmo quando o cenário parece estranho, acompanha Perry desde o começo da carreira, inclusive na fase em que ele quase tomou um rumo definitivo longe do Aerosmith, relembra a Far Out. No início dos anos 1980, o Joe Perry Project passava por mais uma troca de formação quando alguém sugeriu que ele se aproximasse de Alice Cooper. A proposta parecia fazer sentido: um guitarrista com nome forte, um frontman veterano, um público já consolidado no hard rock. Perry aceitou o convite inicial e foi até a casa do empresário de Cooper, no interior do estado de Nova York. Eles conviveram por cerca de uma semana, trocaram ideias e começaram a trabalhar em músicas novas, em um clima que poderia muito bem ter evoluído para algo mais estável.
Só que essa porta nunca chegou a se abrir de vez. Alice Cooper precisou sair para fazer um filme, o plano esfriou e, naquele intervalo, outra conversa começou a ganhar peso na vida de Perry. Em casa, quem puxou o assunto foi Billie, sua esposa. Ela não vinha do círculo clássico do hard rock dos anos 1970 e olhava para o passado do guitarrista com certa distância, mas exatamente por isso conseguiu tocar num ponto que todo mundo ao redor parecia contornar.
Falando à revista Classic Rock (via Louder), Joe Perry lembrou que, naquele período, Billie cravou: "Essa banda [Aerosmith] é tão boa, por que vocês não estão juntos?". Ele contou que, a partir daí, "fui descendo a lista de motivos e percebi que era só um monte de merda". Na mesma entrevista, ele explicou que foi ela quem insistiu: "Billie foi quem disse: 'Por que você não liga para o Steven? Não sei por que vocês não estão tocando juntos'". A conclusão foi óbvia: "Então peguei o telefone e liguei para o Steven". Aquela sequência de decisões recolocou Joe Perry no caminho do Aerosmith. O reencontro com Steven Tyler acabou levando ao retorno oficial do guitarrista à banda em 1984, deixando para trás a possibilidade de seguir em frente com Alice Cooper e sua equipe.
Vista de fora, a história costuma parecer uma retomada inevitável de um grupo grande demais para ficar separado; vista por dentro, passa por uma semana de testes com outra banda, por uma série de justificativas que desmoronaram e por uma pessoa de fora do "circuito" chamando atenção para o óbvio. Então hoje, quando Joe Perry é cobrado por homenagens, colaborações ou aparições em ambientes mais pop, muita gente tenta enquadrar cada passo em uma definição rígida de "rock verdadeiro". Mas o episódio em que ele quase seguiu com Alice Cooper mostra um ângulo diferente dessa discussão. O mesmo músico que hoje é julgado por escolhas de palco poderia ter reescrito a própria história em outra banda, e só não fez isso porque alguém o obrigou a rever uma lista de razões que, no fim, não se sustentavam.
Entre puristas, haters e defensores, fica a lembrança de que, antes de qualquer teoria sobre autenticidade, a decisão crucial passou por uma conversa em casa, uma autocrítica dolorosa e uma ligação que reconectou justamente a formação que muita gente, até hoje, chama de "a verdadeira cara" do Aerosmith.
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