Led Zeppelin: "Celebration Day", uma noite de celebração

Resenha - Celebration Day - Led Zeppelin

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Depois de cinco anos de espera, os fãs do LED ZEPPELIN que não puderam vê-los ao vivo na primeira e única apresentação da banda após a morte do baterista John Bonham puderam assisti-la, quase sem dificuldade para comprar ingressos, no conforto das cadeiras de cinema espelhadas pelo mundo inteiro. Em Fortaleza, em uma de duas sessões, gente de todas as idades chegou bem cedo para procurar o melhor lugar e encontrar velhos amigos. Pessoas importantes da história do rock na cidade estavam lá, mas eram todos espectadores, rendidos pela ansiedade de ver Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e Jason Bonhan, filho de John Bonham em cima de um palco.

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Primeiro um aviso. Apesar de sentirmos algo diferente em relação a película que ocuparia a tela, isso ainda é um filme. Então, estejam certos de que o texto abaixo TEM spoilers.

Ao apagar das luzes, sem trailer nem nenhuma espécie de anúncio, o nome da banda aparece na grande tela e é recebido com palmas, como se a banda estivesse mesmo ali. Esta é uma cena que se repetirá em cada canção.

"Good Times, Bad Times" começa e ainda é difícil acreditar que estamos diante de um dos monumentos mais sagrados da historia do rock. Sim, esse é o LED ZEPPELIN, da única forma como é possível vê-los agora. A voz de Plant, ainda não aquecida, faz parecer que o tempo já a castigou demais, mas "who cares". Mesmo assim, impressionantemente, depois de alguns minutos nenhuma diferença daquela que conhecemos ainda é perceptível (ou seria isto uma consequência de ter assistido recentemente aos vídeos de sua apresentação solo no Brasil, não é possível saber). Plant está lá, no palco, pronto para emocionar, ao lado daqueles que complementam a história de sua vida, Page e Jones.E quem melhor que Jason Bonham para estar ali, com aqueles três monstros sagrados. Sim, são apenas três, mas o sentimento de vê-los assemelha-se a presenciar uma legião composta por centenas deles. E, notoriamente, eles ficam bem juntos no palco. Em alguns momentos, quase vemos o braço do baixo de Jones em vias de encostar nas costas de page. Caberiam num palco de um bar, se não houvesse a parafernália colossal de som e não fossem o LED ZEPPELIN.

Plant só se dirige a plateia, apos "In My Time of Dying". Ele não é muito disso mesmo. Ele não precisa de "tira o pé do chão" para ser um dos melhores e maiores frontmen do show business. E aqueles três músicos ensinaram todas as gerações posteriores a fazer shows. Inclusive o discretíssimo John Paul Jones que se reveza no baixo e teclado (únicos momentos em que se distancia um pouco de seus colegas). Nas próximas faixas ("Trampled Under Foot" e "Nobody's Fault But Mine"), Plant paga tributo aos grandes bluesmen que influenciaram o som da banda, como Robert Johnson, autor de "Terraplane Blues" e Blind Willie Johnson. E se, como disseram alguns dias atrás aqui mesmo, houve algum plágio na biografia/discografia do Zep, só nos resta agradecer. Obrigado, Zep, por nos trazer essas canções maravilhosas.

Antes de "Dazed and Confused", Plant se dirige a plateia novamente falando que "entre tantas canções que gravamos juntos, algumas nao podiam faltar, e esta é uma delas". Só aqui me dei conta do que pode ser o único defeito desse filme sensacional. Não há legendas. A versão nos cinemas brasileiros deveria tê-las. Nosso povo não é fluente no idioma da Rainha como talvez outros locais onde o filme esteja sendo exibido. E, sendo Plant tão econômico nas palavras, nem há muito o que legendar. Mas há. Espero que o DVD não tenha esse problema. E que Page consegue tocar guitarra usando um arco de violino no clímax de "Dased" não é novidade, mas, mesmo assim ainda é incrível. Aqui não cabe falar da técnica de cada um ali no palco. Eles são o LED ZEPPELIN. Ponto.

O ponto alto do show seria mais ou menos do título até o crédito final, mas "Stairway to Heaven", quando vemos Page com sua famosa guitarra dupla (que continua em “The Song Remains The Same" tem potencial para levar o expectador às lágrimas.

Tentando se recuperar do baque, ouvimos Plant contar histórias da infância de Jason, de um episódio em que Bonham pai ou Bonham filho (sim, as legendas fazem mesmo falta) cantavam "Wind Cries Mary", de HENDRIX, umas quatrocentas vezes. E é agora que Jason assume os backing vocals, para a tolkieniana "Misty Mountain Hop". E o DNA Bonham fala muito alto em Jason. O "moleque" da turma, careca e de barba, ataca a bateria com a mesma fúria de seu pai, podendo humilhar qualquer grande baterista de death metal. Posso afirmar que seu filho (se ele tiver um) será também um grande ás das baquetas, como foi seu avô, como é o seu pai. No repertório, talvez "Moby Dick" devesse ser incluída, para que esse grande baterista pudesse brilhar ainda mais.

Mas elencar canções que faltaram, embora o set list tenha sido muito bem construído não é tarefa das mais simples. Faltaram, além da citada "Moby Dick", a própria faixa que dá nome ao filme "Celebration Day", a linda "The Rain Song" entre outras. Para satisfazer a gana dos fãs do LED ZEPPELIN (ou seja todo mundo que gosta de qualquer vertente do rock), o filme teria que ter a duração de um "Senhor dos Aneis", versão extendida.

A maravilhosa "Kashmir" e os dois bis, "Whole Lotta Love" e "Rock N' Roll" põem fim ao êxtase com um veredito, quero assistir a esse show de novo. Quero assistir à próxima sessão e vou à página do Submarino assim que chegar em casa. As lágrimas nos olhos de uma das sortudas que ganhou na loteria para estar na O2 Arena naquele dezembro de 2007 traduzem todo o sentimento nessa noite de celebração.

E, queira Deus que exista, que venha o “Celebration Day” do PINK FLOYD.

Set List Celebration Day

"Good Times Bad Times" (John Bonham, John Paul Jones, and Jimmy Page)
"Ramble On" (Page and Robert Plant)
"Black Dog" (Jones, Page, and Plant)
"In My Time of Dying" (Bonham, Jones, Page, and Plant)
"For Your Life" (Page and Plant)
"Trampled Under Foot" (Jones, Page, and Plant)
"Nobody's Fault but Mine" (Page and Plant)
"No Quarter" (Jones, Page, and Plant)
"Since I've Been Loving You" (Jones, Page, and Plant)
"Dazed and Confused" (Page)
"Stairway to Heaven" (Page and Plant)
"The Song Remains the Same" (Page and Plant)
"Misty Mountain Hop" (Jones, Page, and Plant)
"Kashmir" (Bonham, Page, and Plant)
First Encore
"Whole Lotta Love" (Bonham, Willie Dixon, Jones, Page and Plant)
Second Encore
"Rock and Roll" (Bonham, Jones, Page, and Plant)

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Post de 31 de outubro de 2012


Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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