Steve Harris: disco pode divertir, mas com moderação
Resenha - British Lion - Steve Harris
Por Flávio Rodrigues
Fonte: Delfos
Postado em 24 de outubro de 2012
Praticamente todas as pessoas que eu conheço ficaram realmente surpresas quando este CD foi anunciado, afinal, quem esperaria um trabalho solo justo do fundador do Iron Maiden?
Matéria originalmente publicada no site DELFOS
http://www.delfos.jor.br
Todos pensavam que Steve dirigia com punhos de aço as rédeas da Donzela, e que ele podia fazer o que quisesse no comando da banda, mas parece que a história não era bem essa. Mesmo o velho Estevão sentiu uma necessidade de se arriscar em novos desafios e colaborar com outros músicos, sem o peso que o nome Iron Maiden traz. E assim nasceu British Lion, primeiro trabalho solo do baixista.
Logo nos primeiros segundos de This Is My God, que abre o trabalho, ele não deixa nenhuma dúvida de que este não é um CD do Iron Maiden. Bom sinal a princípio, afinal, não faria sentido fazer um álbum solo para mostrar mais do mesmo. Mas a história fica diferente quando você sente um pouco de falta dos seus companheiros tradicionais.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
O CD começa arriscando em uma sonoridade moderna, com peso, um baixo marcante (como não poderia deixar de ser) e efeitos de guitarra. Aliás, para os mais aficionados por Maiden, como eu, vale ressaltar o timbre diferente que o baixista colocou neste álbum que, em minha opinião, é bem mais bonito do que o que ele usa na Donzela. O primeiro problema, porém, aparece quando Richard Taylor começa a cantar. Ah, que saudades do Bruce Bruce!
Taylor tem uma voz fraca, que quase se esconde atrás dos instrumentos. Até o baixo se destaca mais do que a voz do cantor. Aliás, o baixo realmente está bem na frente (o que não deixa dúvidas de que é um álbum feito e produzido por um baixista) e faz melodias bem interessantes. O problema é que os companheiros de banda não parecem acompanhar estas inspirações, e soam em muitos momentos previsíveis. Sabe como na Liga da Justiça todos os heróis parecem "emburrecidos" para que o Batman se torne o cérebro da equipe e justifique seu lugar? Aqui fiquei com a mesma impressão: o baixo de Harris nem é tão genial, mas se destaca tamanha a mesmice do que acontece nos outros instrumentos.
As coisas continuam parecidas em Lost Words e Karma Killer. Em Us Against The World, o começo com guitarras dobradas à Maiden promete algo do que estamos mais acostumados, mas a promessa não se cumpre e o álbum continua com uma pegada pop. Não que isto seja um problema, mas as faixas, apesar de não serem ruins, realmente não convencem.
Neste momento eu já estava um pouco desanimado com o CD, pensando que iria ter que dar uma nota bem baixa para British Lion. Eis que The Chosen Ones surge. Apesar do "come on" desanimador de Taylor, que me faz ter vontade de pegar um pijama e ir dormir, a música dá uma guinada no álbum e apresenta a banda se aproximando muito mais do som do rock setentista. Parece outra banda, e, a esta altura do campeonato, você já está mais acostumado com o vocal fraco e até se conforma. Segundo o próprio Harris, em entrevista à RockHard, esta faixa "lembra muitos elementos do UFO e [dizem] que se assemelha também ao The Who". Uma música boa e divertida!
A World Without Heaven também continua com o resgate ao passado e a ascensão do disco. Segundo Steve, na mesma entrevista, é a música que mais lembra os elementos do Maiden. E eu concordo.
Judas já volta a soar mais moderna, mas desta vez eles acertam mais a mão. Uma faixa interessante e que me lembrou um pouco Muse. Se você é um trüe headbanger isto pode soar como uma crítica, mas esta não é minha intenção. Aliás, se você é um metalhead, este CD definitivamente não é pra você, fique sabendo desde já. Esta música tem um corte muito inesperado, que me fez pensar que meu mp3 tinha dado algum problema. Você vai saber do que eu estou falando quando ouvir. Achei uma parte bacana que valia ser ressaltada.
O disco continua com Eyes Of The Young e These Are The Hands, músicas bem comerciais, mas que podem divertir. Para encerrar, Steve e sua turma não resistem e se entregam ao "poder da balada". The Lesson, porém, não é uma balada óbvia, é uma bem dramática e introspectiva. Uma bela faixa, e, provavelmente, é onde a voz de Taylor soa melhor.
E assim se encerra British Lion. Steve Harris se arriscou em águas realmente diferentes das que tem seguido pelo Maiden, tentando soar mais pop e moderno, mas onde ele realmente se ressalta é quando volta às raízes e arrisca no rock setentista. De qualquer forma, ver o baixista mudando seu jeito de tocar, seu timbre e se renovando é sempre interessante. Uma pena que a banda não o acompanha e em muitos dos momentos você fica com saudades de Adrian, Nicko e, principalmente, de Bruce. Aliás, se fosse pra chamar alguém pra cantar músicas com uma pegada mais pop, poderia ter chamado a filhota, Lauren, porque pelo menos ela é gostosa tem uma voz mais potente.De qualquer maneira, o disco pode divertir, mas com moderação.
Pode voltar para a Donzela, Steve, não sentirei falta de suas empreitadas solo. Continue com seu timbre "estalado", suas "cavalgadas" e "tiros pelo baixo". Gostamos mais assim. Deixa este negócio de carreira solo para o Bruce.
Outras resenhas de British Lion - Steve Harris
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O melhor riff de guitarra de todos os tempos, segundo Keith Richards: "Ele disse tudo ali"
Masters of Voices reúne quatro gerações do rock e heavy metal na América do Sul e no Brasil
Live anuncia dois shows no Brasil para o mês de setembro
Os cinco maiores álbuns da história do rock progressivo
Tuomas Holopainen não gostou do primeiro disco que comprou na vida
A melhor banda de todos os tempos, segundo os leitores da Classic Rock
A melhor música de prog metal lançada a cada ano, de 1985 até 2025
A música do Pink Floyd que Roger Waters detestou e David Gilmour transformou num clássico
Rock e Heavy Metal - lançamentos de faixas, álbuns e mais novidades
Os 10 maiores baixistas de todos os tempos, segundo a Rolling Stone
A música de 2000 que Brian Johnson considera uma das melhores do AC/DC: "Me arrepia"
Geoff Tate não considerou chamar outros ex-Queensryche para "Operation: Mindcrime III"
Fugindo do óbvio: 5 artistas fora do radar para quem cansou da mesmice
Assista o trailer de "Frampton", documentário sobre a vida e obra de Peter Framtpon
Steve Harris aponta a música ideal para apresentar o Iron Maiden a quem nunca ouviu a banda
Os detalhes do único encontro de Raul Seixas com Legião Urbana, segundo Marcelo Bonfá
Iron Maiden: Video mostra "erros" da banda ao vivo
O solo de Slash que, para Kiko Loureiro, consegue o que Ritchie Blackmore fazia nos anos 70


10 músicas de metal internacional que estão na memória afetiva do brasileiro
As bandas de metal que desandaram e nunca mais voltaram ao auge, segundo youtuber
Os 100 melhores álbuns dos anos 1980 segundo o Ultimate Classic Rock
5 clássicos da New Wave of British Heavy Metal indispensáveis para entender o fenômeno
Bruce Dickinson é indicado em três categorias do Speaker Awards 2026
As melhores músicas que Bruce Dickinson compôs para o Iron Maiden, segundo a Metal Hammer
A opinião bastante positiva de Bruce Dickinson sobre Lady Gaga
Phil Collins se junta ao Iron Maiden e diz que não vai cantar em cerimônia do Hall da Fama
"Wasted Years" gaúcha viraliza com IA: "De São Borja a Rio Grande, cruzando o pampa"
Iron Maiden: "The Book Of Souls" é uma obra sem precedentes
