Steve Harris: som que queria fazer e da maneira que queria
Resenha - British Lion - Steve Harris
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 26 de setembro de 2012
Nota: 7 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Stephen Percy Harris é um idealista. Fiel ao que acredita, fundou o Iron Maiden em 1975 e conduziu a banda com mão de ferro até o topo do heavy metal, influenciando profundamente o gênero e tornando-se referência para qualquer grupo que queira se aventurar pelo estilo. Atravessou a turbulenta segunda metade da década de 1970 (quando o punk rock era a ordem do dia na Inglaterra), manteve o leme firme quando praticamente todas as principais bandas pesadas alteraram a sua música para agradar o público norte-americano no final dos anos 1980, sobreviveu ao período com Blaze Bayley no posto de Bruce Dickinson (quando o Maiden viu a sua popularidade desabar e trocou os shows em grandes estádios por casas muito mais modestas) e aceitou de volta o falante e hiperativo vocalista colocando a banda em primeiro plano, deixando de lado as várias questões pessoais que envolvem a sua eternamente turbulenta relação com Dickinson. E tudo isso sem cortar nenhum centímetro de sua longa cabeleira, mesmo quando cabelos curtos passaram a ser a ordem do dia no heavy metal :-)
Harris sempre soube o que quis e fez tudo para transformar o Iron Maiden em uma das maiores bandas da história do heavy metal. Se nem quando era apenas um músico iniciante o baixista abria mão de suas convicções, não seria agora, aos 56 anos e com o status de lenda viva, que ele faria isso. Por isso, a sua surpreendente estreia solo com "British Lion" deve ser analisada tendo como ponto de partida essa visão: trata-se do som que ele queria fazer, e da maneira que imaginou fazer. Não há nenhuma pressão por sucesso ou concessão mercadológica, é apenas um dos maiores músicos da história do rock homenageando o seu passado na forma de um álbum com canções inéditas que bebem diretamente nas bandas que o influenciaram e serviram de base para a sua formação.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Steve cercou-se de músicos desconhecidos - o vocalista Richard Taylor, os guitarristas Graham Leslie e David Hawkins (esse também responsável pelo teclado) e o baterista Simon Dawson - e gravou um disco que não soa nada parecido com o Iron Maiden. Não há aqui nada que remeta à banda principal de Harris, e esse é o primeiro ponto que pode causar estranhamento em quem estava esperando, de maneira equivocada, um som na linha do que o Maiden fazia, por exemplo, na década de 1980. O negócio aqui é outro. Trata-se de um álbum de hard rock, com algumas passagens mais pesadas que podem ser classificadas como heavy metal. A influência é a escola setentista do hard, com canções baseadas em riffs - algo que, infelizmente, o Iron Maiden não vem mais fazendo nos últimos anos - e reminiscências de ícones do período e favoritos confessos do baixista como Wishbone Ash, Thin Lizzy, Rainbow, UFO, Scorpions e Judas Priest.
De maneira consciente, Steve escolheu um vocalista que possui um timbre totalmente diferente de Bruce Dickinson. A voz de Richard Taylor é aguda e remete a Glenn Hughes e ao jovem Klaus Meine. Segundo tombo para quem esperava ouvir algo semelhante ao Iron Maiden. Há uma enorme quantidade de melodia nas composições, com ótimas passagens de guitarras gêmeas e grandes refrões por todo o álbum. Faixas como "Eyes of the Young", por exemplo, tem potencial para fazerem bonito como single se bem trabalhadas.
As dez faixas de "British Lion" transparecem um frescor que não é encontrado nos discos recentes do Maiden. Esse é um ponto extremamente positivo e digno de elogios, pois demonstra o tesão de Harris, que do topo do mundo ainda mostra uma vitalidade juvenil para desvendar novos caminhos.
O início do álbum aponta para um lado mais experimental, com Steve trilhando caminhos até então inéditos em sua carreira. "This is My God" é um hard pesadão na linha do Alice in Chains, enquanto "Lost Worlds" vai pelo lado mais moderno do gênero. A coisa esquenta com "Karma Killer", construída a partir de um riff turbinado de wah-wah e com o baixo bem na cara. Aliás, esse é outro fator que chama a atenção em "British Lion". Se você acha o volume do baixo alto nos discos do Iron Maiden, prepare-se para conhecer outra padrão no disco solo de Harris. O baixo conduz todas as canções, e em vários momentos está mais alto até que o vocal. Isso, somado ao fato de o timbre de voz de Richard Taylor não ser dos mais potentes, incomoda um pouco.
Há grandes momentos e ótimos acertos em "British Lion". "Us Against the World" conta com guitarras gêmeas que, em um piscar de olhos, nos levam diretamente a "Somewhere in Time", disco lançado em 1986 pelo Iron Maiden. Essa é a música mais próximo do universo do Maiden em todo o trabalho, e é impossível ouvi-la e não imaginar a canção com a voz de Bruce Dickinson. Pra falar a verdade, parece uma faixa perdida saída diretamente daquela época. No outro extremo, "The Chosen Ones" é Steve mostrando que sabe compor um hard grudento e empolgante, que não faria feio no repertório de bandas como o Bon Jovi, por exemplo.
Mas o grande momento de "British Lion", ao meu ver, se dá com a estupenda "A World Without Heaven", que ao longo de seus mais de sete minutos derrama generosas doses de melodia e inspiração. As linhas vocais são agradáveis, e as longas passagens instrumentais levam ao paraíso. Uma canção ensolarada, com um refrão muito bom. O nível segue alto com o hard cheio de classe de "Judas", enquanto "These Are the Hands" é praticamente um pop rock temperado com um pouco mais pesado.
De maneira geral, "British Lion" é um bom disco. Tudo é focado no prazer em produzir música, em fazer um som. É bem diferente do Iron Maiden, e é justamente esse contraste que irá fazer com que os fanáticos seguidores da banda provavelmente não curtam muito o álbum. Steve Harris leva ao pé da letra a ideia de um disco solo e mostra uma faceta totalmente diferente e até então inédita de sua musicalidade, indo por um caminho novo e que não seria possível explorar em sua banda principal. Essa postura, essa coragem de se expor, é digna de elogios a um músico como Harris, idolatrado em todo o mundo e no qual sempre são despejadas grandes expectativas.
E aí está o único ponto negativo de "British Lion". Por tratar-se de um disco solo justamente de Steve Harris, a expectativa da maioria das pessoas era, mesmo de forma inconsciente, que surgisse um trabalho revolucionário e, no mínimo excelente. British Lion não é esse disco. Trata-se de um trabalho totalmente despretencioso, despido da grandiosidade do Iron Maiden e com uma pegada mais intimista e saudosista. Essas características certamente desapontarão quem estava esperando um álbum excepcional e que mudasse o rumo das coisas.
A voz de Richard Taylor é outro ponto que merece discussão. Entendo a escolha de Steve por um cantor bem diferente de Bruce Dickinson, mas a pegada de certas composições parece não combinar com o timbre de Taylor, pedindo um vocal mais rasgado e grave. É o caso de "Karma Killer", por exemplo. O trabalho de composição é muito bom, mas a voz de Taylor puxa algumas faixas para baixo. De maneira geral, tem-se a impressão de que, com um vocalista mais potente, o resultado final seria muito melhor e mais forte.
Mesmo assim, "British Lion" é um bom disco, com músicas interessantes e que, em sua maioria, agradam o ouvinte. Steve Harris mostra que tem várias cartas na manga no seu vasto vocabulário como compositor, e a banda revela-se inegavelmente competente.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Não é o Iron Maiden, até mesmo porque só existe um Iron Maiden e não faria sentido copiar a banda, soando como um clone. Mas é justamente a diferença em relação à banda principal de Harris que torna "British Lion" legal e faz a audição valer a pena.
Nota: 7
Faixas:
This is My God
Lost Worlds
Karma Killer
Us Against the World
The Chosen Ones
A World Without Heaven
Judas
Eyes of the Young
These Are the Hands
The Lesson
Outras resenhas de British Lion - Steve Harris
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O melhor riff de guitarra de todos os tempos, segundo Keith Richards: "Ele disse tudo ali"
Masters of Voices reúne quatro gerações do rock e heavy metal na América do Sul e no Brasil
Live anuncia dois shows no Brasil para o mês de setembro
Os cinco maiores álbuns da história do rock progressivo
Tuomas Holopainen não gostou do primeiro disco que comprou na vida
A melhor banda de todos os tempos, segundo os leitores da Classic Rock
A melhor música de prog metal lançada a cada ano, de 1985 até 2025
A música do Pink Floyd que Roger Waters detestou e David Gilmour transformou num clássico
Rock e Heavy Metal - lançamentos de faixas, álbuns e mais novidades
Os 10 maiores baixistas de todos os tempos, segundo a Rolling Stone
A música de 2000 que Brian Johnson considera uma das melhores do AC/DC: "Me arrepia"
Geoff Tate não considerou chamar outros ex-Queensryche para "Operation: Mindcrime III"
Fugindo do óbvio: 5 artistas fora do radar para quem cansou da mesmice
Assista o trailer de "Frampton", documentário sobre a vida e obra de Peter Framtpon
Steve Harris aponta a música ideal para apresentar o Iron Maiden a quem nunca ouviu a banda
Os detalhes do único encontro de Raul Seixas com Legião Urbana, segundo Marcelo Bonfá
Iron Maiden: Video mostra "erros" da banda ao vivo
O solo de Slash que, para Kiko Loureiro, consegue o que Ritchie Blackmore fazia nos anos 70


As melhores faixas do Iron Maiden assinadas por Steve Harris, de acordo com a Metal Hammer
O disco do UFO que Steve Harris ouvia quando levava os filhos à escola
A melhor música do Iron Maiden composta por Steve Harris, segundo a Metal Hammer
Porque Steve Harris não foi à estreia do documentário sobre o Iron Maiden?
Iron Maiden: "The Book Of Souls" é uma obra sem precedentes
