Kim Kehl & Os Kurandeiros: Disco indicado a todos os gostos
Resenha - Mambo Jambo - Kim Kehl & Os Kurandeiros
Por Luiz Carlos Barata Cichetto
Postado em 09 de junho de 2012
Se o primeiro disco de Kim Kehl e os Kurandeiros parecia meio perdido em estilos, esse "Mambo Jambo" traz Kim e sua banda ao que deve ser seu estilo fundamental: Rock'n'Roll.
Já na primeira faixa "Cocada Preta", falando de tradições brasileiras, o disco mostra ao que veio. A segunda "A Galera Quer Rock", começa com um grito de "Rock'n'Roll" num estilo vocal que homenageia um dos grandes, o mestre Johnny Winter". E além de reafirmar que o ouvinte está diante de um disco de Rock, a letra é meio autobiográfica, com Kim deixando meio claro que quando ele navegou por mares nem tão metálicos, a galera o reconhecia e queria Rock.

"A Bomba (do Amor)" começa com um tecladinho e uma guitarra meio Jovem Guarda e é por ai que a música vai, embora a letra seja um alerta político bem interessante. Boa forma esta que Kim achou de falar sobre coisas sérias demais. Para algumas pessoas essa música pode parecer "out to date", "hipponga", essas coisas, mas acho que mostrar os caminhos errados que a humanidade anda trilhando é sempre positivo. Detalhe, num determinado momento a música se transforma num "rap", numa atitude que demonstra que não podem existir preconceitos musicais e artísticos quando o assunto é "salvar a humanidade" com "A Bomba do Amor".
"Vampiro", a quarta faixa, poderia remeter à lembrança de uma música homônima de Jorge Mautner, mas o que percebo ali é uma espécie de retorno às raízes de Kim, com uma composição típica do estilo Lírio do Vidro e Patrulha do Espaço, com um solo de sax tenor maravilhoso de Otavio Lopes "Bangla".

"O Kurandeiro" ponteada com a lap steel de Marcos Ottaviano e com a presença constante da percussão de Carlos "Ligeirinho" Mota, onde rola até mesmo uma cuíca. A letra, uma demonstração de que KK&K faz questão de misturar elementos culturais progressistas do Rock ao misticismo mais popular.
Já, "O Jogador", única música que não é composição da banda, tem a presença marcante do estilo de seus compositores, Lú Stopa e Kid Vinil. Os destaques para mim são a bateria de Fabio Scattone e a tecladeira de Nelson Ferraresso.
"Hey Mãe" lembra nitidamente a influência da considerada Rainha do Rock Brasileiro, Rita Lee, com participação de Ayrton Mugnaini Jr no baixo.
Já "Os Brutos Também Amam", título homônimo a um filme e uma música brega ai da década de 70, na voz de Agnaldo Timóteo, começa com um solo de guitarra muito bonito e poderia muito bem figurar no repertório de qualquer dupla sertaneja. Será que é influência da vivência de Kim com elas? Mas o solos de guitarra de acabam salvando a música.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | "Maria Maluca", com destaque ao piano de Nelson e a percussão do grande Carlinhos Machado, em minha opinião é uma música que muito bem poderia ficar de fora do disco que não iria fazer falta.
Afinal, a última faixa recupera o pique desse "Mambo Jambo" e entra no fértil terreno do Blues, novamente com a participação da guitarra de Marcos Ottaviano e contando com o piano de Adriano Grineberg. Maravilhoso som.
Em resumo, "Mambo Jambo" de Kim Kehl e os Kurandeiros" é um disco indicado a todos os gostos, do roqueiro não radical ao sujeito acostumado a coisas mais tranqüilas. Mas o principal resultado desta mistura de rítmos e cultura tupiniquim é criar um suco cultural altamente palatável saído de um liquidificador musical chamado KK&K.

Kim Kehl & Os Kurandeiros
Mambo Jambo
Ano: 2008
Gravadora: Independente
Músicos: Kim Kehl (Guitarra, Slide, Violões, Vocais)
Rod Filipovitch (Guitarra)
Nelson Ferraresso (Hammond, Rhodes, Piano)
Fábio Scattone (Bateria)
Lu Stopa (Baixo)
Participação:
Ayrton Mugnaini Jr. (Baixo)
Marcos Ottaviano (Guitarra, Lap Steel)
Edu Gomes (Guitarra)
Adriano Grineberg (Piano)
Carlos "Ligeirinho" Mota (Percussão)
Carlinhos Machado (Percussão)
Otavio Lopes "Bangla" (Sax Tenor)
Faixas: 1 – Cocada Preta
2 – A Galera Quer Rock
3 – A Bomba (do Amor)
4 – Vampiro
5 – O Kurandeiro
6 – O Jogador
7 – Hey Mãe
8 – Os Brutos Também Amam
9 – Maria Maluca
10 – Rabo de Saia
Síte: http://www.myspace.com/kimkehleoskurandeiros
Contato: [email protected]

Nota: 8
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