Psychotic Eyes: Um bom disco, mas longe de uma obra-prima
Resenha - I Only Smile Behind The Mask - Psychotic Eyes
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collector's Room
Postado em 23 de abril de 2012
Nota: 7 ![]()
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Para apoiar uma cena, você não deve apenas elogiá-la. No caso da música, e do heavy metal de maneira mais específica, onde dezenas de bandas surgem todos os dias, é preciso identificar quem está fazendo um som diferenciado e que merece destaque. Infelizmente, no entanto, o que eu tenho percebido é que, com a desculpa de apoiar as bandas nacionais, um grande número de redatores, mesmo que de maneira inconsciente, adotou como padrão dar notas altas para qualquer disco lançado por uma banda brasileira, como se a localização geográfica dos grupos significasse, de maneira instantânea, a qualidade inequívoca de seus trabalhos.
Eu já penso de forma diferente. A melhor maneira de apoiar uma cena é analisá-la com isenção e distanciamento, sem confundir a proximidade que alguns tem com certos grupos como um passaporte para o elogio gratuito. Acredito que a maneira correta de avaliar um trabalho é identificando os seus pontos fortes e fracos, e dizer sem medo e sem meias palavras quais são eles.
O novo trabalho dos paulistas do Psychotic Eyes se enquadra no quadro descrito acima. "I Only Smile Behind the Mask" é, sem dúvida, um bom disco, mas está longe de ser a obra-prima pintada por grande parte da crítica (deses)especializada de nosso país. Produzido por J-F Dagenais, guitarrista do Kataklysm, o segundo álbum da banda traz um death metal composto por longas composições que alternam momentos mais agressivos com outros em que a melancolia dá as cartas. Flertando abertamente com outros estilos - algumas passagens soam bem thrash, enquanto outras trazem uma inequívoca influência do metal mais tradicional -, o grupo liderado pelo vocalista e guitarrista Dimitri Brandi gravou um disco bastante técnico. Essa característica foi levada ao extremo em algumas faixas, que poderiam ser mais curtas e diretas em certos momentos.
O trabalho de composição é bom, mas, talvez pelo foco excessivo nos arranjos mais elaborados e na técnica, as faixas acabam não descendo de imediato, exigindo do ouvinte uma audição mais atenta e contínua do disco para compreendê-lo em sua totalidade. Em relação à produção, seria interessante se Dagenais tivesse investido um pouco mais em timbres mais graves e pesados, o que agregaria bastante ao resultado final.
Bons músicos, o trio - completam a banda o baixista Douglas Gatuso e o baterista Alexandre Tamarossi - mostra ousadia na releitura - na verdade, a palavra melhor seria "desconstrução"- de "Geni e o Zepelim", originalmente composta por Chico Buarque, aqui transformada em "The Girl", uma tour de force com mais de 8 minutos que fecha o play.
"I Only Smile Behind the Mask" é um bom disco, que mostra uma banda de inegável talento. Porém, com um pouco mais de foco e polindo alguns exageros apresentados - como a longa duração das faixas e alguns trechos instrumentais desnecessárias -, o Psychotic Eyes poderia tornar a sua música mais efetiva e poderosa, com resultados ainda mais interessantes.
Download gratuito no site da banda.
http://psychoticeyesbrazil.blogspot.com.br/
Faixas:
Throwing Into Chaos
Welcome Fatality
Dying Grief
Life
I Only Smile Behind the Mask
The Humachine
The Girl
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