Devil's Blood: Jóia obscura do heavy metal contemporâneo
Resenha - Time of No Time Evermore - Devil's Blood
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collector's Room
Postado em 29 de julho de 2011
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Os temas mais polêmicos do heavy metal, principalmente aqueles relacionados à religião, costumam vir acompanhados de uma grande dose de violência sonora. Quanto mais agressivas as letras, mais pesado o som. Foi seguindo esse raciocínio que surgiram estilos como o death e o black metal. Traduzindo: o incômodo transmitido pelas letras vinha sempre acompanhado pelo transtorno e caos da parte instrumental, resultando em uma sonoridade propositadamente pouquíssimo acessível e com nenhum apelo comercial.

Esse paradigma é quebrado pela banda holandesa The Devil's Blood. O primeiro álbum do grupo, "The Time of No Time Evermore", lançado em 2009, é uma jóia obscura do heavy metal contemporâneo. O caminho seguido pelos caras é originalíssimo: instrumental hard rock com abundantes melodias e guitarras gêmeas, tudo temperado por doses certeiras de psicodelismo, adornando com uma sonoridade agradável e acessível letras que casariam perfeitamente com a mais radical das bandas de black metal. Isso faz com que o debut do The Devil's Blood soe como um excelente álbum de rock pesado lançado há 30 anos atrás, gravado por músicos que parecem um bando de hippies a serviço de Satanás.
A psicodelia vintage faz com que "The Time of No Time Evermore" tenha uma sonoridade bem setentista. Os vocais – femininos – a cargo de F. The Mouth of Satan, sempre limpos e jamais guturais, variam entre momentos etéreos e trechos onde soam fantasmagóricos e mal assombrados, como se estivéssemos ouvindo uma versão endiabrada de Jennie Haan (Babe Ruth). A parte instrumental traz grande influência de Thin Lizzy, Iron Maiden e NWOBHM e, para efeito de comparação, pode-se dizer que o The Devil's Blood é uma espécie de Coven – cultuada banda norte-americana que lançou o clássico "Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls" em 1969 - do novo milênio.
O contraste gritante entre as composições cativantes e repletas de melodia com as letras que exploram temas sombrios e satânicos é um ponto interessantíssimo na sonoridade do The Devil's Blood. A banda consegue transformar o mal em algo agradável aos ouvidos, tornando digeríveis tópicos tradicionalmente polêmicos. Não à toa Erik Danielsson, vocalista do Watain – um dos nomes mais celebrados do black metal atual – colabora com o grupo e é o autor de uma das melhores músicas do disco, "The Yonker Beckons".
O álbum é rico em ótimas faixas. "I'll Be Your Ghost", lançada como single, é um exemplo. A bela "House of 10.000 Voices" tem passagens mais atmosféricas e trechos cadenciados que entregam uma tensão absurda. A sensacional "Christ or Cocaine" é uma blasfêmia grudenta que viraria hit sem esforço se chegasse ao grande público.
É espantoso como o disco consegue se manter nas alturas, alternando uma composição excelente atrás da outra. Isso se dá principalmente pelas excelentes guitarras, que sempre trazem para o primeiro plano melodias que deliciam os ouvidos. Ouça "Queen of My Burning Heart" e "Angel's Prayer" e comprove. "The Anti-Kosmic Magick", com mais de onze minutos, encerra o trabalho deixando um inevitável desejo de quero mais no ouvinte. A boa notícia é que o novo álbum do grupo, "The Thousandfold Epicentre", já tem confirmada a sua data de lançamento para o próximo dia 11 de novembro.
Se você curtiu o Ghost certamente irá gostar do The Devil's Blood. "The Time of No Time Evermore" resgata uma atmosfera que havia sido deixada de lado no metal atual, utilizando com talento elementos já conhecidos e consagrados do estilo – como as fartas doses de melodia e as sempre bem-vindas guitarras gêmeas – para construir uma sonoridade original e fascinante.
O diabo nunca soou tão agradável quanto aqui.
Faixas:
1 The Time of No Time
2 Evermore
3 I'll Be Your Ghost
4 The Yonder Beckons
5 House of 10.000 Voices
6 Christ or Cocaine
7 Queen of My Burning Heart
8 Angel's Prayer
9 Feeding the Fire With Tears and Blood
10 Rake Your Nails Across the Firmament
11 The Anti-Kosmik Magick
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Sepultura esgota ingressos do último show da carreira
Cronos, vocalista e baixista do Venom, morre aos 63 anos
Gary Holt e Mille Petrozza homenageiam Cronos, falecido nesta quinta-feira
O curioso tema do TCC de Fernanda Lira que professora reprovou e a fez largar a faculdade
A arrepiante música do Nirvana que foi sua última gravação e último hit
Judas Priest fará turnê sul-americana em 2027, segundo o Summa Inferno
O álbum do Led Zeppelin que Jimmy Page acredita que ninguém conseguiria fazer hoje
Scott Ian (Anthrax) lembra como reagiu quando o Metallica demitiu Dave Mustaine
A lenda nordestina que é o Van Halen brasileiro, segundo Rafael Bittencourt
Jim Root diz que não tem nada a ver com inclusão de Marilyn Manson em tour do Slipknot
Os 100 melhores discos de rock dos anos 90, segundo o Classic Rock History
Mötley Crüe emplaca primeira música no Clube do Bilhão do Spotify
Regis Tadeu explica por que show final do Sepultura foi para um lugar menor
Para Gilmour, essa é a melhor canção lançada pelo Pink Floyd após a saída de Waters
A canção do Jethro Tull que influenciou um dos maiores hits da história do Rock
O maior frontman de todos os tempos, segundo Bono (e por que ele preferia seus rivais)
O Julgamento do Metal Clássico: Rock Justice impressiona na estreia com "You've Been Served"
Carach Angren - O horror dentro da caixa em "Dance and Laugh Amongst the Rotten"
Animals (1977) - quando o Pink FLoyd resolveu chamar todo mundo de bicho
Moonspell - A grandiosidade do Heavy Metal e da música erudita em "Opus Diabolicum"
Resenha: "Hard-Fi" - Rosa Tattooada (2026)
Depois da ressurreição, Marilyn Manson declara vingança em novo álbum
O álbum pesado e melancólico do Soilwork que ajudou a salvar a minha vida
Iron Maiden: Grata surpresa e despedida perfeita do gigante
Death: Responsáveis por elevar a música pesada a novo nível



