Massahara: Hard que pisa fundo na sonoridade setentista
Resenha - Massahara - Massahara
Por Ricardo Seelig
Postado em 24 de maio de 2011
Nota: 8 ![]()
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A sonoridade que deu origem ao hard e ao heavy metal até hoje fascina as pessoas. O que algumas bandas pioneiras fizeram no final dos anos 60 e início dos 70 – o chamado 'late 60s, early 70s' – ainda serve de referência para qualquer pessoa que se aventure pelo estilo e, mais do que isso, foi algo tão forte, inovador e intenso que continua conquistando novos admiradores a todo dia.

O quarteto paulista Massahara bebe exatamente nessa fonte. O som apresentado pelos caras em seu debut é um hard contagiante e que pisa fundo na sonoridade setentista. A música de Fábio Gracia (vocal e guitarra), Ronaldo Rodrigues (teclados), Allan Ribeiro (baixo) e Renato Amorim (bateria) irá agradar em cheio quem curte um hard rock temperado com elementos psicodélicos e progressivos, e que segue a linhagem de nomes clássicos como Grand Funk Railroad, Mountain, Captain Beyond e, claro, os primeiros tempos do Black Sabbath.
O disco começa pegando o ouvinte pelo pescoço com a ótima "Contramão", com bons riffs de guitarra e um solo esperto de teclado. A coesão instrumental da banda salta aos ouvidos, deixando claro desde os primeiros segundos que estamos diante de um trabalho diferenciado. "Lugar ao Sol" tem um riff de guitarra funkeado que é puro James Gang, e mais uma vez um excelente solo do teclado de Ronaldo Rodrigues, feito sob medida para conquistar os órfãos de Jon Lord.
Um dos grandes momentos do álbum é "Cabeça Boa", uma ótima e multicolorida composição com diversas mudanças de andamento, e com um timbre de guitarra excelente.
As músicas apresentam um hard totalmente calcado na sonoridade dos anos 70, feito na medida para pegar a estrada. Todas as faixas possuem longas passagens instrumentais onde cada músico se reveza no protagonismo, característica que dá um clima de jam e um ar de liberdade ao play. Esse aspecto alcança o seu auge em "Já Nem Ligo Mais", com um solo de baixo que é puro Sabbath do primeiro disco.
"Mandacaru" une rock e baião sem maiores cerimônias, enquanto "Zóio D'Cobra" é outro grande momento, com um bem-vindo ar oriental cheio de mistério. O hard blues "Tudo o Que Eu Quero" e a excelente instrumental que dá nome à banda fecham o disco.
O Massahara demonstra excelente qualidade nesse seu primeiro álbum. Todas as oito faixas são muito bem construídas, com detalhes que fazem uma enorme diferença, como o uso inteligente do wah-wah e um absoluto bom gosto na hora de explorar o rico background da cada integrante para a construção de uma sonoridade repleta de identidade.
Destaque também para a bela capa do álbum, criada pelo vocalista e guitarrista Fábio Gracia.
Se você curte hard setentista, não pode deixar passar a estreia do Massahara!
Faixas:
1 Contramão 5:58
2 Lugar Ao Sol 5:14
3 Cabeça Boa 6:20
4 Já Nem Ligo Mais 8:45
5 Mandacarú 6:31
6 Zóio d' Cobra 5:08
7 Tudo o Que Eu Quero 5:30
8 Massahara 6:59
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