Endless Massacre: Terceiro volume dedicado ao metal extremo

Resenha - III - Endless Massacre

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 7

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


As coletâneas se consolidaram como um eficiente meio para quem quer divulgar o cenário underground brasileiro. No entanto, muitos desses títulos contam com produções praticamente caseiras e que misturam gêneros aparentemente sem nenhuma proximidade. Na contramão dessa tendência, a Violent Records recentemente colocou no mercado o terceiro volume do coletivo Endless Massacre. O disco, que chama a atenção justamente pelo seu aspecto extremamente profissional, é dedicado apenas ao metal extremo.
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No entanto, os discos que possuem o intuito de promover o underground enfrentam continuamente o mesmo problema. Por mais que as gravadoras se esforcem, falta uma uniformidade na qualidade das gravações apresentadas. As bandas até podem preparar músicas de impacto, mas muitas vezes esbarram na inexperiência dentro do estúdio ou no orçamento modesto. Não há dúvidas de que essas falhas comprometem significamente o resultado final de muitas coletâneas, inclusive (e infelizmente) da Endless Massacre. De qualquer forma, a Violent Records conseguiu mais uma vez contextualizar o metal extremo brasileiro – juntamente com dois representantes internacionais – em um disco muito bem produzido artisticamente, da capa/encarte à prensagem.

Com mais de dez anos de estrada, os paulistas da PSYCHOTIC EYES abrem essa nova edição da Endless Massacre em grande estilo com “Celebrate the Blood”. A banda, que é um das mais frutíferas do thrash/death metal nacional, evoluiu de modo consistente desde a sua primeira demo até o seu disco de estreia. Na sequência, o EVIL BLACK EMBRACE pode passar despercebido em razão da sua gravação extremamente fraca, mas os espanhois do XERIÓN mostram um black metal de qualidade em “A Noite das Meigas”, apesar das falhas visíveis cometidas em estúdio. De um outro lado, o FORBIDDEN IDEAS deve animar os headbangers com o seu death/grind ríspido e agressivo em uma gravação que não compromete a participação do quarteto na coletânea.

Em seguida, o thrash metal é bem representado pelos curitibanos do OVERLOOK em “Late Repent”. Da mesma forma, o brutal death do INFECTOR pode ser considerado um dos destaques da coletânea. Por outro lado, o black metal da OPVS NOSTRI possui um interessante conceito – com letras em português –, mas é prejudicado novamente pela gravação. O death metal retorna com um nome de impacto dentro de Endless Massacre: o quarteto santista CHEMICAL DISASTER – que recheia climas variados “Precipitated to Hell” com climas variados.

Da mesma forma, o VETOR mostra qualidade em “Boundaries to Procreation” – uma mistura de bom gosto entre o thrash e o power metal. No entanto, a banda se prejudicou demasiadamente com a qualidade de gravação, que infelizmente evidenciou muitas falhas, especialmente as cometidas pelo vocalista Eduardo Jr. O problema não chega a se repetir com o death metal do MORFOLK, mas atrapalhou o espaço ocupado dentro do CD pelo CHAOSMASTER (black metal). Por outro lado, os mineiros do FACÍNORA se sobressaem aos demais nomes da coletânea pelo seu thrash extremamente rico em detalhes técnicos.

Na sequência, a banda ACROSS (death metal) é a primeira a apresentar uma música que carece de momentos verdadeiramente interessantes, característica que o FRONT ATTACK LINE (thrash/metal) mostra satisfatoriamente bem em “Fuck You Traitor”, que conta uma pegada bem hardcore. Entretanto, o trabalho do GOREMPIRE e do CORROSIVO, apesar de mostrar boas ideias, saem prejudicados pela falta de técnica e pela gravação simples demais, respectivamente. O mesmo problema se repete com o death/splatter dos piauienses do INTESTINAL VOMIT. Em outra ponta, os catarinenses do WARRIORS OF METAL podem ser incluídos entre os destaques do álbum, em razão do seu black metal simples (porém coeso) em “Strenghtened by the Shadows”.

Na reta final de Endless Massacre III, o PULLVERIZER precisa rever os seus conceitos. “Mind Evil Darkness” está muito longe de ser uma péssima música e a banda conseguiu uma gravação eficiente. Entretanto, o vocalista quase coloca por água abaixo o trabalho do grupo. Por fim, os belgas do AGATHOCLES – extremamente conhecidos em nosso território e figura carimbada em diversas outras coletâneas – apresentam duas péssimas músicas, sobretudo pela gravação completamente ineficiente. Certamente, as bandas brasileiras que compõem o disco se sobressaem aos dois nomes estrangeiros em técnica e em criatividade.

A terceira edição da coletânea Endless Massacre cumpriu com eficiência a sua proposta. A produção assinada pela Violent Records é merecedora de muitos elogios, sobretudo pela capa – uma reprodução de “Massacre of the Innocents”, do pintor holandês Cornelis van Haarlem (1562-1638), um dos percussores do maneirismo na Europa. O que cada banda produziu em estúdio sem muita qualidade comprometeu um pouco a nota desse CD, mas não por isso as bandas deixam de possuir um futuro promissor. Desde que acertem a mão na próxima vez, é claro.

Site: www.myspace.com/violentrecs

Track-list:

01. Celebrate the Blood (Psychotic Eyes)
02. Hell ins on this Fucking Earth (Evil Black Embrance)
03. A Noite das Meigas (Xerión)
04. Forbidden Ideas (Fobidden Ideas)
05. Chocking with Shattered Glass (Forbidden Ideas)
06. Ferocity and Anger (Forbidden Ideas)
07. Late Repent (Overlook)
08. Madness (Infector)
09. Suprema Força Obscura (Opvs Nostri)
10. Precipitated to Hell (Chemical Disaster)
11. Boundaries to Procreation (Vetor)
12. The Unknown (Morfolk)
13. Go to Hell (Chaosmaster)
14. Empty Illusions (Facinora)
15. Across (Temple of Suicide) (Across)
16. Fuck You Traitror (Front Attack Line)
17. Third World (Gorempire)
18. Máquina do Ódio (Corrosivo)
19. Necrofilia (Intestinal Vomit)
20. Strengthened by the Shadows (Warriores of Metal)
21. Mind Evil Darkness (Pullverizer)
22. Irreversible Decision (Agathocles)
23. Slaves to the Beat (Agathocles)

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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