Beady Eye: Com aquele frescor que o Oasis foi perdendo
Resenha - Different Gear, Still Speeding - Beady Eye
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collector's Room
Postado em 19 de fevereiro de 2011
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Liam Gallagher voltou, e com tudo! O ex-vocalista do Oasis coloca as cartas na mesa em "Different Gear, Still Speeding", disco de estreia de sua nova banda, o Beady Eye. Ao lado de Liam estão os brothers da última formação do Oasis Andy Bell (guitarra e baixo), Gem Archer (guitarra, baixo, piano e backing vocal) e Chris Sharrock (bateria).

O som do Beady Eye tem todo aquele frescor que o Oasis foi perdendo com o tempo devido aos excessos, à megalomania e às brigas infinitas entre Liam e seu irmão Noel Gallagher, guitarrista e principal compositor do finado grupo. As músicas são mais simples, com arranjos mais básicos, o que dá ao álbum uma energia inspiradora.
Produzido por Steve Lillywhite (U2, Morrissey, Rolling Stones, Talking Heads) e com todas as faixas compostas pelo trio Gallagher/Bell/Archer, "Different Gear, Still Speeding" tem uma sonoridade crua e despida de exageros. A ligação com os discos solo de John Lennon é evidente, mas o álbum não se resume a isso. Liam e seus comparsas souberam inserir com critério influências de grandes nomes da história do rock inglês no trabalho. Estão lá, é claro, os indefectíveis Beatles e Rolling Stones (inclusive há uma faixa com o título "Beatles and Stones"), mas acompanhados de outros ícones britânicos como The Who, Kinks e Small Faces.
O álbum abre com as guitarras nervosas de "Four Letter Word", uma paulada na orelha com ótimas linhas vocais de Liam Gallagher. "Millionaire" colocaria um sorriso na boca do jovem Steve Marriott, enquanto "The Roller" parece saída de algum álbum gravado por Lennon no início dos anos setenta. A autoexplicativa "Beatles and Stones" é um divertido rock básico com um tempero da década de cinquenta, com direito até a um pianinho dando o clima.
A melhor faixa de "Different Gear, Stil Speeding" vem a seguir. "Wind Up Dream" é um rock cheio de malícia calcado no experto riff de guitarra. Até uma harmônica pinta na jogada, junto com um sutil teclado espacial que dá um clima viajandão para a música. Pra colocar um sorriso de orelha a orelha !
A inocente e angelical "For Anyone" tem potencial de single e até palminhas em seu andamento. "Kill for a Dream" é uma balada apenas mediana que tenta emular o Oasis. A barulhenta e energética "Standing on the Edge of Noise" recoloca as coisas no lugar, enquanto a longa "Wigwam" soa um tanto desnecessária e repetitiva.
A aposta na simplicidade revela-se acertada mais uma vez em "Three Ring Circus". "The Beat Goes On" é uma balada bonitinha feita para pegar menininhas e bater ponto em trilhas sonoras de filmes. O disco fecha com a contemplativa "The Morning Son", com ecos discretos de "All Around the World".
"Different Gear, Still Speeding" recebeu uma acolhida muito positiva da crítica especializada. Simon Goddard, da Q Magazine, escreveu que trata-se da melhor gravação de Liam Gallagher desde "(What´s the Story) Morning Glory?" (1995). Ele não está errado. Liam está cantando absurdamente bem, e toda a banda dá um passo à frente assumindo o protagonismo, provando que pode seguir – e muito bem – sem Noel. "Different Gear, Still Speeding" é um excelente disco, melhor do que todo mundo esperava, e essa é uma grande notícia. Longa vida ao Beady Eye!
Faixas:
1 Four Letter Word
2 Millionaire
3 The Roller
4 Beatles and Stones
5 Wind Up Dream
6 Bring the Light
7 For Anyone
8 Kill for a Dream
9 Standing on the Edge of the Noise
10 Wigwam
11 Three Ring Circus
12 The Beat Goes On
13 The Morning Sun
Outras resenhas de Different Gear, Still Speeding - Beady Eye
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música esquecida do Led Zeppelin que Robert Plant acha simplesmente "linda"
Angra anuncia relançamento de "Holy Land" em edição especial remasterizada
Seis fãs são hospitalizados após show do Angine de Poitrine em Montreal
O show clássico do Kiss que finalmente será lançado como álbum ao vivo
O melhor disco dos anos 80, segundo a Classic Rock
Brasil de fora da tour de despedida do Rhapsody, mas Epica promete "celebração especial"
O álbum que Geezer Butler enxerga como tendo sido o começo do fim do Black Sabbath
O ex-colega de banda no Pink Floyd com quem David Gilmour nunca mais falou
O clássico do rock que causou sono na plateia quando foi tocado ao vivo pela primeira vez
O álbum de 1987 que Axl Rose nunca conseguiu superar: "Seria legal vender mais"
Baterista de Piracicaba vence concurso do Metallica com galinha de borracha
Gravação inédita de Raul Seixas cantando Rolling Stones é lançada oficialmente
A música do Korn que Jonathan Davis considera a "pior de todos os tempos"
Jorn Lande lança "Vi er Norge", música em apoio à seleção norueguesa na Copa do Mundo
As músicas lentas do Slayer que são essenciais, segundo a Louder
Por que Axl Rose, do Guns N' Roses, fugia do traíra Dave Mustaine no Rock in Rio 1991
Paul McCartney relembra a dificuldade de superar o fim dos Beatles com The Wings
Bruce Dickinson: faz dez anos que ele não compra shampoo nem sabonete


Headhunter DC - Death Metal como arma, identidade e resistência
Black Swan - Quando a experiência se transforma em poder de fogo
Hellacopters acerta (de novo) com seu rock n' roll visceral em "Cream Of The Crap! - Volume 3"
Yes - Seguindo firme e forte em "Aurora"
"Break The Silence" prova que o mainstream precisa do Beyond The Black
"MI'RAJ" - quando Edu Falaschi troca a velocidade pela emoção e encerra trilogia com maturidade
A Lapidação da alma: O triunfo conceitual do Big Big Train em "Woodcut"
HellLight - Reafirmando seu espaço entre os melhores da safra do gênero.
"Betrayed By Obedience", do Infected Cells, é death metal bruto, técnico e direto



