Beady Eye: Liam ainda continua homenageando os Beatles
Resenha - Different Gear, Still Speeding - Beady Eye
Por Daniel Junior
Postado em 22 de março de 2011
Nota: 7 ![]()
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O maior cuidado de escrever reviews sobre lançamentos de bandas que já tiveram em sua formação outras bandas que se tornaram mega no cenário musical é a inevitável comparação. Aliás, ela é 90% da referência da critica musical porque em tese é mais fácil chegar a algumas conclusões através do método comparativo. O disco "Different Gear, Still Speeding", primeiro lançamento do Beady Eye (banda do ex-Oasis Liam Gallagher) é um convite aos termos "melhor", "pior" e "igual" para uma (boa) resenha.

A primeira faixa – "Four Letter Word" – lembra bastante as principais características do british rock: uma boa melodia, solo curto e aquela massa de guitarras onde pouco se identifica as partes de baixo. Bateria quase didática. Está lá para fazer o que sempre faz no estilo: marcar.
A faixa seguinte – "Millionaire" – de certa forma surpreende por ser, além de uma canção muito pop, ter uma abordagem diferente de tudo que foi feito até aqui na carreira de Liam. E isso não é negativo. "Millionaire" é uma canção para levantar festivais.
Se quando você ouviu "The Roller" a primeira vez pensou na voz de John Lennon não foi o único. Daqui até o final do disco ele é homenageado. Parece até uma faixa escondida na carreira do ex-beatle. Talvez Lennon tivesse um certo orgulho pois a música é bem produzida e tem tudo aquilo que agrada "de cara" o fã de rock britânico: um refrão pegajoso e guitarras discretas, embora presentes.
"Beatles and Stones" na verdade tem uma pegada blues/rock e a letra vai pelo mesmo caminho. Sugere que alguém está voltando para sua terra natal (Inglaterra) e tudo o que quer é um pouco de música de sua região e porque não "Beatles and Stones". Há uma confusão de sons e confesso que a mixagem não me agradou. É uma faixa interessante.
Em "Wind Up and Dream" temos uma música legitimamente "oasiana", quem sabe é uma sobra. Fica a constatação porque o disco da banda não demorou muito para sair: as canções tem o formato ideal para rádios e arenas e não apresentam arranjos muito elaborados. Isso não desqualifica "Different Gear, Still Speeding".
Em "Bring The Light" vemos um Liam mais alegre do que normalmente. As interferências de guitarra lembram um beatle, dessa vez, George Harrison e seu jeito econômico de pontuar as canções de sua banda. O timbre também pode ser uma referência. Atenção ao piano e aos vocais "americanos" que desenha toda a canção. Uma agradável surpresa.
"For Anyone" é A CANÇÃO. Com singeleza rara no rock pop mundial, "For Anyone" lembra canções que se ouvia em um tempo que as músicas feitas há 20 anos ficavam. Em um tempo em que o rádio esqueceu um pouco o jabá e os DJs eram responsáveis pela escolha – quase aleatória – do que tocaria no rádio. Sem pressão. É simples mas não é tola.
"Kill for a Dream" traz a melhor intervenção de Liam na canção. O arranjo facilita a vida do cantor pois aponta para o ínterprete em diversas ocasiões. Uma das maiores características do Beady Eye é a justaposição com que trabalha as canções. As melodias obedecem um padrão estrofe – refrão – estrofe – refrão. Acaba atingindo em cheio um público (conservador) preterido há algum tempo.
"Standing on The Edge of Noise" tem aqueles vocais que parecem ecoar de um poço a 300 metros de profundidade. Eu não gosto, mas parece uma marca que Liam traz desde os seus tempos de Oasis. A música é bacaninha mas talvez seja a mais fraca de DGSS.
"Wigwam" lembra antigas canções de Cream, Jefferson Airplane e lógico The Beatles (as canções de Lennon). Um clima viajandão que lembra as últimas faixas dos discos do Oasis.
"Three Ring Circus" é uma outra canção com a "assinatura" de John Lennon. O ex-beatle ficaria orgulhoso de como tem um discípulo que segue seus passos de forma disciplinar. A maneira que Liam canta é tão referente ao músico de Liverpool que realmente fica IMPOSSÍVEL não pensar, principalmente, na carreira solo do músico assassinado no final do ano de 1980.
"The Beat Goes On" segue a mesma linha Beatles encontrada na fase "Rubber Soul/Revolver" mas deve se notar que é uma bela canção. A bateria abafada – que é também outra marca do british rock – aqui está bem Ringo, inclusive com viradas similares ao que o músico utilizava. Guitarras com distorção marcando as cabeças da nota e um teclado muito escondido. Um single em potencial.
O disco encerra com a bela "The Morning Son". Com suas modulações entre tons maiores e menores e uma boa cama de teclado, a faixa encerra o bom disco de estreia do Beady Eye, que pelo jeito, não vai largar o osso de homenagear os Beatles.
1. "Four Letter Word" 4:17
2. "Millionaire" 3:19
3. "The Roller" 3:34
4. "Beatles and Stones" 2:56
5. "Wind Up Dream" 3:27
6. "Bring the Light" 3:39
7. "For Anyone" 2:15
8. "Kill for a Dream" 4:39
9. "Standing On the Edge of the Noise" 2:52
10. "Wigwam" 6:39
11. "Three Ring Circus" 3:09
12. "The Beat Goes On" 4:45
13. "The Morning Son" 6:03
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