Beady Eye: Estréia não empolga, e fica aquém do esperado...
Resenha - Different Gear, Still Speeding - Beady Eye
Por Roberto A
Fonte: Imprensa Rocker
Postado em 04 de março de 2011
Beady Eye esteve com seu trabalho bastante aguardado por se tratar dos mesmos caras do extinto Oasis, um dos principais expoentes Pop dos anos 90. Sim Pop, Rock eles até fizeram um ou outro, mas são desde sempre uma banda Pop. Só faltou a esta nova banda o principal compositor da Oasis, Noel.

Muito, por tão pouco. Mesmo que nosso leitor Helton tenha achado bacana a sonoridade 'vintage' de algumas músicas vazadas, e nosso editor, Gabriel, supondo que a banda seria até mais interessante que o Oasis, nenhum dos dois estavam certos, o trabalho é fraco, muito aquém do que se esperaria de caras dessa envergadura, ou 'o cara', Liam, pois, os demais, apesar de músicos bons, não fazem tanta diferença assim. Vamos à bolacha:
O disco começa com "Four Letter World". Timbres envelhecidos não escondem a pouca criatividade da música, rapidinha, pegadinha Pop, onde a letra brada mais ou menos isto: "É sobre o tempo/Que sua mente tirou férias/Você está crescido/Você nunca quer jogar?". Tema aborrecente pra quem já passou dos quarenta mas, em resumo, a faixa não convence – até ensaia uma certa urgência, mas nem cola. "Millionaire", a segundinha, emula algo Blues, pega leve. Com mais melodia sutíl, seria uma boa sobra de estúdio. Vocal meio enjoadinho quando chega nesta parte: "Uma medalha comigo e você vai mexer com você mesmo/Pois há uma maior riqueza/Ame-os como um milionário/Medalhas em seus trapos de premonição. Você só precisa conhecer a si mesmo/E amá-los como um milionário". Nem a guitarra steel bem timbrada salva a faixa.
Na próxima, homenagem dá vez à cara de pau. Lennon ressuscitou! Reparem o vocal. Só rindo. Pianão jóia, poderia estar no CD "Imagine", mas somente se estivesse à altura – mas não está. Ainda assim tem algum apelo a tal da "The Roller", nada estupendo, mas razoável. Ainda não vou implicar com a falta de personalidade da banda. Passemos à quarta, "Wind Up Dream", que tenta soar como Beatles, e em alguns segundos até consegue, mas tem algo de Stones no som também. Liam sugere poesia nesta medida: "É apenas um sonho serpenteado/ Então não me acorde/ Porque eu gosto do que vejo/ Com os olhos fechados". Uma gaitinha dá o toque especial no fim das contas. Na quinta, dá pra notar um probleminha na masterização do disco, ela soa mais alta que as anteriores, e se chama "Bring The Light". Chata e inofensiva, estilo "Rock N’ Roll Star" do Oasis – rapidinha, mas sem melodia ou harmonia que convençam. A letra? Repare: "Estou chegando/ Você está saindo/ Estou subindo/ Você está descendo". Noel vai se divertir com isto.
"For Anyone" seria uma vinheta ou música, fico na dúvida. Violões limpos e bem gravados, mas carece maior produção e melodia, mas chega a ser fofa sim: palminhas, vocal doce, vai agradar alguns. A que vem depois, "Kill for a Dream", é o melhor resultado que se tem no disco, na minha opinião, e por um motivo simples: é a que mais soa como Oasis. Bonita balada. "Standing on the Edge of The Noise" busca inspiração em "Revolution" dos Beatles, concorda Gabriel? Fico nesse comentário – faixa fraca.
"Wigwam" é outra que lembra o que o Oasis fazia de melhor: baladas Pop, lenta, agradável aos ouvidos, ainda que não grude, muito menos impressione tanto. Eu destacaria as guitarras limpas dessa. "Three Ring Circus" abusa da tentativa de soar Beatles – quanta falta de originalidade! Acho que inspiração é uma coisa, tentar copiar é outra. Paro na "The Beat Goes On", boa balada… Pra mim chega de Beady Eye. Se fosse um disco de uma banda iniciante, até colaria, mas vindo de caras tão experientes, e gerando tamanha expectativa, tenho de ser franco e dizer que fica pra próxima – não é um disco que se espere deles. Punto e basta!
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