Heavy Metal: "cristãos podem aprender muito com o gênero"

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Por Ligia Fonseca, Fonte: Telegraph.co.uk, Tradução
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Artigo de Martin Beckford, correspondente de Assuntos Religiosos do Telegraph.co.uk, em setembro de 2010, relatou:

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A reverenda Rachel Mann alega que a forma amaldiçoada de música demonstra a "teologia liberadora das trevas", permitindo que seus fãs com tatuagens e piercings sejam mais "relaxados e divertidos" ao reconhecer o pior da natureza humana.

Ela diz que, em contraste, os carolas podem parecer sinceros demais e se levam a sério demais.

A pastora admite que muitos ficarão "preocupados" com as letras do metal louvando Satã e zombando da cristandade, mas insiste que é apenas uma forma de "representar um papel”.

Mann, pastora responsável pela igreja de St Nicholas, em Burnage, escreve no Church Times desta semana: “Desde que o Black Sabbath o criou em 1969 usando o som dissonante da 'escala do demônio' (tritono) medieval, o heavy metal é considerado burro, crasso e, às vezes, satânico, uma música dificilmente adequada para debate inteligente, quanto mais para a reflexão teológica.

“Mesmo assim, como uma pastora quanto como uma musicista e fã de metal, acredito que a Igreja, especialmente neste momento difícil, tenha uma lição séria de evangelho para aprender com esta música mais soturna e pesada.”

Mann diz que as músicas do heavy metal, caracterizadas por sons de guitarra distorcidos, batidas "intensas" e vocais "fortes", "não têm medo de lidar com morte, violência e destruição”.

Seus fãs “predominantemente homens e brancos geralmente gostam de tatuagens e piercings”, mas são "graciosos, receptivos e gentis”.

“A disposição da música em lidar com assuntos niilistas e, às vezes, extremamente desagradáveis, parece oferecer a seus fãs um espaço para aceitar os outros de uma forma que envergonha muitos cristãos.

“A recusa do metal em repreender as verdades cruas e violentas da natureza humana liberta seus fãs para serem pessoas mais relaxadas e divertidas”.

Ela alega, ainda, que “o metal não tem medo da obscuridade humana” e, embora alguns cristãos tenham o mesmo destemor, “muitos ainda estão por descobrir seu potencial”.

Mann cita letras da famosa banda de thrash metal Slayer, que descrevem o cristianismo como um "aborto" e afirmam: “Prefiro o diabo sempre, viva Satã.” No entanto, ela alega: “Uma boa parte da fascinação do metal por Satã ou o mal é uma representação de papéis, orientada por um desejo de chocar.

“O metal convida o cristianismo a ter menos medo da loucura e do ridículo.”

Ela diz que os festivais de metal como Sonisphere, onde ela viu o Iron Maiden tocar no mês passado, são versões modernas da Feast of Fools (algo como "festa dos tolos") realizada na Inglaterra na Idade Média, onde “excesso e anarquia” eram permitidos por um dia.

Mann afirma que se preocupa que os anglicanos tenham tornado sua fé “racional e organizada demais” em vez de apaixonada.

“Não estou sugerindo que, como cristãos, todos nos desviamos do humor, mas estamos inclinados a nos levar a sério demais mesmo quando estamos nos divertindo.”

Houve bandas de heavy metal cristão, como a americana Stryper, dos anos 80, e a mais recente Evanescence, mas poucas conquistam muito sucesso de crítica ou de mídia.

Por sua vez, muitos dos maiores artistas do heavy metal utilizam imagens anticristãs ou satânicas em suas letras e capas de álbuns.

Nos anos 90, seguidores da cena “black metal” da Noruega foram ainda mais longe, queimando dezenas de igrejas.

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Sobre Ligia Fonseca

Tradutora, formada em Jornalismo pela PUC-SP, resolveu mudar de carreira quando percebeu que gostava mais de traduzir do que de escrever textos. Descobriu o rock aos 5 anos, ao assistir o clipe de “I Love it Loud” do Kiss.

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