George Lynch: Malmsteen puro, desde os timbres até a capa

Resenha - Orchestral Mayhem - George Lynch

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Marcelo Vieira
Enviar correções  |  Ver Acessos

Nota: 8


Dois anos após o lançamento do ótimo Scorpion Tales - tributo ao Scorpions que conta com a participação de 12 renomados vocalistas do Hard/Heavy mundial -, George Lynch retoma sua carreira solo com "Orchestral Mayhem". Como o próprio nome já diz, o disco é 100% instrumental e foi inteiramente gravado com uma orquestra - não me perguntem qual -, colocando o ex-guitarrista do Dokken no mesmo patamar de outros ases do instrumento como o sueco voador, Yngwie Malmsteen.

Metallica: Trujillo e seus primos, membros de ganguesSexo: como se comportam os fãs de cada vertente de Metal?

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Logo de cara, contrariando as expectativas por um tracklist limitado a compositores clássicos, temos uma releitura para "Bittersweet Symphony", dos Rolling Stones - que muita gente até hoje acha que é do The Verve devido ao sucesso que a versão fez à época de seu lançamento em 1996. Na seqüência, Lynch estupra "Fur Elise", de Beethoven - coisa que o supracitado Malmsteen já fazia nos anos 80 -, preservando somente seu tema principal, que com certeza alguém já ouviu ao telefone à espera de uma transferência de ramal ou ao tocar a campainha da casa da tia avó.

A famigerada "Carmina Burana" (Orff) recebeu um tratamento especial e é o primeiro destaque. O nível se mantém nas alturas com o primeiro movimento de Eine Kleine Nachtmusik (Mozart), que é presença garantida no repertório de qualquer orquestra que se preze. Da ópera Carmen, de Bizet, temos "Habarena" e a coisa só melhora com "Venetian Boat Song", de Mendelssohn, onde Lynch despeja um feeling absurdo mesmo nos momentos mais bululus no melhor estilo Malmsteen - sim, caro leitor que está com preguiça de ler a resenha inteira, este disco aqui é Malmsteen puro, desde os timbres até a capa, onde o nome de Lynch aparece grafado em letras medievais, tal como o balofo fazia nos tempos de magreza e Jeff Scott Soto.

Um dos meus prediletos - sim, eu ouço música erudita -, "Rachmaninoff" tem seu Prelúdio em Sol Menor executado com brilhantismo e doses generosas de improviso. A abertura de William Tell (Rossini), que este que vos fala usou durante tempos como ringtone no celular, aparece logo em seguida no mesmo esquema. Impressionante como a qualidade do trabalho vai crescendo após as duas primeiras músicas. Conselho que eu dou é que ambas sejam puladas. Comecem a audição por Carmina Burana e sigam em frente com o volume no talo!

Se fosse ser tocada ao vivo, "Valsa das Flores" seria o momento jam da noite. Lynch transformou a obra-prima de Tchaikovsky num backtrack ideal para improvisações. E confirmando a preferência dos virtuosos por Mozart, o compositor austríaco é relembrado novamente no quarto movimento de sua "Eine Kleine Natchmusik". "Clair de Lune" - ou "Moonlight", como quiserem -, de Debussy prepara o terreno para o grand finale que traz versões absurdas para "Wizards in Winter" (Trans-Siberian Orchestra) e "Christmas Eve" / "Sarajevo 12/24" (Savatage) e tem tudo para deixar os adeptos de Jon Oliva com as calças ensopadas.

Maluquices e esteróides a parte, George Lynch é um músico que se renova a cada trabalho - seja solo, comandando seu Lynch Mob ou mesmo atacando de free-lancer em projetos diversos - e aqui não é diferente. Orchestral Mayhem ao passo que é audacioso, consiste em um de seus álbuns mais consistentes, mostrando ao mundo que ele pode sim figurar entre o alto escalão dos virtuosos do rock.

01. Bittersweet Symphony
02. Für Elise
03. Carmina Burana
04. Eine Kleine Nachtmusik, 1st Movement
05. Habanera
06. Venetian Boat Song
07. Prelude In G Minor
08. William Tell Overture
09. The Waltz Of The Flowers
10. Eine Kleine Nachtmusik, 4th Movement
11. Clair De Lune
12. Wizards In Winter
13. Christmas Eve / Sarajevo 12/24




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "George Lynch"


Jake E. Lee: quando ele recusou US$ 10 mil para tocar com George LynchJake E. Lee
Quando ele recusou US$ 10 mil para tocar com George Lynch

George Lynch: por que Ozzy Osbourne não o quis em sua banda?George Lynch
Por que Ozzy Osbourne não o quis em sua banda?


Metallica: Trujillo e seus primos, membros de ganguesMetallica
Trujillo e seus primos, membros de gangues

Sexo: como se comportam os fãs de cada vertente de Metal?Sexo
Como se comportam os fãs de cada vertente de Metal?


Sobre Marcelo Vieira

Marcelo Vieira é jornalista, DJ e ex-guitarrista das bandas Mafia, Os Neuza e Burning Stars. Fundou em 2007 o blog Combe do Iommi e tem textos e matérias publicados nos sites Collector's Room e Van do Halen. Trabalha também como assessor de imprensa na empresa SPS Comunicação e é repórter da Federação de Automobilismo do Estado do Rio de Janeiro (FAERJ). Escreve resenhas de CDs, DVDs e livros e cobre shows para o site ROCK ZONE desde setembro de 2011. Contato: mvmeanstreet@hotmail.com / Twitter: @mvmeanstreet .

Mais matérias de Marcelo Vieira no Whiplash.Net.

adClio336|adClio336