Black Sabbath: 40 anos do primeiro álbum de metal?

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Por Ronaldo Costa
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Foi numa sexta-feira 13 (e não poderia ser diferente), mais precisamente no dia 13 de fevereiro de 1970, que chegava ao mundo o primeiro álbum do BLACK SABBATH, de título homônimo. Pois bem, neste dia 13 de fevereiro de 2010, completaram-se 40 anos desde o lançamento de uma das mais importantes obras em toda a trajetória do rock. Mais do que isso, completaram-se 40 anos do que, para muita gente, foi o primeiro disco da história do heavy metal.
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Muito já foi discutido sobre as origens do metal e sobre qual foi a primeira banda realmente heavy, sendo que uma conclusão definitiva é algo extremamente difícil de se chegar. De “The Yardbirds” a “Blue Cheer”, muita gente já foi referida como ‘pai da matéria’. Hoje, o entendimento que temos sobre o termo ‘heavy metal’ é um pouco diferente daquilo que já foi considerado. Por isso mesmo, existe uma corrente que credita a “Led Zeppelin I” a honra de ser o primeiro trabalho que poderia ser classificado como estrito à música pesada. Realmente, ninguém pode sequer sonhar em negar ou diminuir a importância que Led Zeppelin e Deep Purple tiveram no desenvolvimento de todo o rock pesado. No entanto, não tem como negar: quem determinou a temática e todas as características primordiais do que conhecemos hoje como heavy metal foi justamente o debut do quarteto Osbourne, Iommi, Butler e Ward.

Foi em Aston, uma localidade de Birmingham, na Inglaterra, que nasceu o Polka Tulk, banda que fazia um misto de blues, jazz e rock & roll, concebida à partir da vontade de 2 jovens músicos, Anthony Iommi e William Ward, de criar um grupo musical. Inicialmente, a banda contava com 6 integrantes, tendo ainda o vocalista John ‘Ozzy’ Osbourne, o guitarrista e, posteriormente, baixista Terry ‘Geezer’ Butler, o guitarrista Jimmy Phillips e o tecladista/saxofonista Alan Clark. Quando Phillips e Clark resolvem pular fora, os 4 membros remanescentes decidem mudar o nome da banda para Earth. Tocando em clubes locais, sem grande repercussão e, sobretudo, sem dinheiro, Butler, já em 1969, tem a sacada que mudaria de vez o destino da banda e do rock. Fã de livros e filmes sobre temas como terror e ocultismo, o baixista sugere a mudança de nome e de temática do conjunto, após assistir a um filme intitulado “Black Sabbath”, com Boris Karloff. Apostando numa atmosfera musical mais sombria, com vocais que sugeriam uma angústia extrema, beirando a insanidade, e com um peso absurdo para a época, o grupo foi responsável por uma das maiores revoluções musicais ocorridas na história do rock. Guitarras distorcidas, temas ocultistas, vocais angustiantes, tudo isso já pudera ser observado em artistas mais antigos. Entretanto, ninguém havia conseguido até então conciliar todos esses fatores de forma tão harmoniosa e elevá-los ao quadrado como o BLACK SABBATH.

Diz a história que o primeiro contrato da banda foi com a Fontana Records. Após alguns shows e a apresentação de um single (“Evil Woman”), cover do Crow, banda americana de blues rock, assinam com a Vertigo. Dispondo de uma jurássica mesa de 4 canais, 600 libras esterlinas e contando com a produção de Roger Bain (Tuesday Productions) em seu primeiro trabalho para uma grande gravadora, a banda montou seu equipamento como se estivesse se preparando para uma apresentação ao vivo. Reza a lenda que foi preciso um total de 12 horas para o registro do material e que a gravação e mixagem do disco levou apenas 3 dias. E reza a mesma lenda que Tony Iommi assumiu uma afinação mais grave para sua guitarra, já que um problema em seus dedos fazia com que ele tocasse com as cordas do instrumento um pouco mais afrouxadas. Deste pequeno detalhe, nasceria uma das sonoridades mais pesadas, distorcidas e originais de que se tem notícia.

Se naquela época o simples nome da banda e do disco já causavam curiosidade e um certo ‘incômodo’, com a capa a coisa não era diferente. A casa de aspecto mal assombrado, cercada por uma vegetação perturbadora e com a imagem de uma bruxa à sua frente eram a mais perfeita tradução do clima sombrio que o grupo pretendia imprimir à sua música. Sabe-se hoje que a casa é um velho moinho localizado em Oxfordshire. Quanto à bruxa (que muita gente imaginava ser real), acredita-se que seja uma atriz/modelo contratada.

Bem, ao contrário do que se poderia considerar, a primeira aparição pública do heavy metal não ocorreu com a sonoridade de uma guitarra distorcida e, sim, com as badaladas de um sino ao som de uma chuva. Sim, porque essa introdução da primeira canção do álbum, a clássica “Black Sabbath”, é essencial para preparar os ouvidos e o espírito do ouvinte para todo o clima da canção. O vocal doentio de Ozzy, a cozinha coesa de Butler e Ward, o peso absurdo e inédito da guitarra de Iommi, a letra sombria, o andamento arrastado, com uma mudança de tempo na metade da música, que se torna rápida e ainda mais pesada...já na primeira canção, o Sabbath definia todas as principais bases da temática heavy metal, que seriam exploradas à exaustão nos 40 anos que se seguiram. Interessante observar que essa música foi uma das que mais contribuiu para a fama que a banda conquistou de adoradores do ‘coisa ruim’, sendo que, em determinado momento da letra, o personagem pede claramente ajuda a Deus.

“The Wizard” confirma Iommi como o maior riffmaker da história do heavy metal. A gaita tocada por Ozzy foi incluída na gravação por acaso, já que Tony e Geezer gostaram da forma como o vocalista se divertia com o instrumento nos intervalos entre as sessões. Na sequência, “Behind The Wall Of Sleep”, outra grande faixa, com sua sequência de riffs, suas mudanças de ritmo, a excelente interpretação do ‘Madman’, uma levada de baixo primorosa e seu tema baseado na obra de H.P. Lovecraft. À seguir, podemos conferir um dos maiores clássicos da banda e, por conseguinte, de todo o metal. N.I.B. já começa com um solo de baixo impressionante, que cede lugar a um dos mais famosos riffs do heavy metal, sendo que Iommi ainda comparece com um de seus melhores solos. Também merece destaque, e com louvor, a forma como Ozzy interpreta a música, sobretudo em seu refrão. Ao contrário do que muita gente pensa, a sigla não é referente ao termo “Nativity In Black”, mas uma referência ao apelido dado a Bill Ward por causa de sua barba, que parecia uma ponta de caneta ('pen nib', no inglês). Clássico.

“Evil Woman”, justamente um cover do Crow, talvez seja a faixa mais fraca e que mais destoe do restante do disco. Música mais puxada para o hard rock e sem nenhum grande chamativo, não faz feio no álbum, mas também não repete o misto de simplicidade e genialidade das canções anteriores. Na versão americana, esta faixa, devido a problemas com direitos autorais, foi substituída por “Wicked World”, um daqueles ‘heavys’ sombrios e arrastadões típicos da banda. Nas versões remasterizadas mais recentes, as 2 músicas constam no tracklist do material. A introdução acústica de “Sleeping Village”, associada ao vocal absurdamente angustiante de Ozzy, conseguem algo interessante: ao mesmo tempo que a canção tem um clima emocional, soa também como algo absolutamente aterrorizante. E “The Warning”, a mais longa do álbum, um sonzaço onde todos os músicos demonstram grande competência no trato com seus instrumentos. A dobradinha Butler/Ward mostra-se excepcional nessa faixa e Tony Iommi, que muitas vezes é venerado por seus riffs mas ignorado em seus solos, faz um trabalho de viagem sonora magistral.

Muito se diz que Ozzy Osbourne não tem grande técnica, grande afinação ou grande alcance vocal. No entanto, sua voz carrega 3 características que caem como uma luva no estilo heavy metal: soa doentia, dramática e melancólica ao mesmo tempo. Some-se a isso sua forma de interpretação, a entonação que dá a cada momento da letra, além de um carisma absurdo, e temos aí uma das pessoas melhor dotadas para exercer o cargo de vocalista de uma banda de metal. Quanto a Tony Iommi, muito se diz que todos os riffs do heavy metal dos anos subsequentes não são originais, mas variações dos riffs criados pelo mestre da guitarra. Enfim, a essa altura do campeonato, para falar dos integrantes do Sabbath, é mais fácil dizer que Ozzy é Ozzy, Iommi é Iommi, Butler é Butler e Ward é Ward. Simples assim.

Existem alguns discos que são bons discos. Existem alguns discos que se tornam clássicos. Existem alguns discos que são obras-primas. No entanto, são pouquíssimos os discos capazes de mudar todo um estilo musical e criar outro à partir dele. Aqui, nós temos um exemplo claro dessa última categoria. Se alguém fez alguma música ou disco considerados ‘heavy metal’ antes de “Black Sabbath”, provavelmente essa música ou disco passou a ser considerado algo com outro nome após o debut do quarteto de Birmingham. Pois aqui estão, como em nenhuma outra obra prévia, todas as características que definem o estilo. Há 40 anos de discos posteriores para provar. É praticamente impossível que alguém goste de metal e não tenha ouvido até hoje esse clássico. Mas se existe alguém nessa condição, que essa pessoa corra urgentemente atrás desse álbum, pois só assim poderá algum dia dizer que entende alguma coisa de heavy metal.

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Sobre Ronaldo Costa

Nascido na capital paulista em meados dos anos 70, teve a sorte de, ainda bem jovem, descobrir por meio de um primo o debut do Iron Maiden. Quando ouviu “Prowler” pela primeira vez, logo entendeu que aquilo passaria a fazer parte de sua vida. Gosta sobretudo dos clássicos, como Maiden, Judas, Sabbath, Purple, Zeppelin, Metallica, AC/DC, Slayer, mas ouve desde um hard bem leve até um bom death metal. Além da paixão pelo metal e pelo rock em geral, também adora cinema e um bom futebol.

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