Space Odissey: megalomaníaco e eficiente
Resenha - Astral Episode - Richard Andersson's Space Odissey
Por Maurício Dehò
Postado em 09 de abril de 2007
Nota: 7 ![]()
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O mundo da música está cheio de megalomaníacos, muitos um tanto egocêntricos. Aqueles caras como Gene Simmons, Axl Rose, Malmsteen, ou ainda bandas como Dream Theater, só para citar alguns. Não que seja algo negativo, afinal, todos eles tiveram e têm suas qualidades e (grande!) contribuição para o cenário musical que temos hoje. Mas vez ou outra aparecem outros caras com o mesmo intuito e, claro, achando que talvez cheguem ao mesmo lugar. O "maluco" da vez é o tecladista Richard Andersson, que teve lançado no Brasil o segundo álbum de um dos seus projetos, o Space Odissey, chamado "The Astral Episode", originalmente de 2005.

Richard surgiu na música com o Majestic, que só teve dois álbuns (1999 e 2000), e depois participando do debut da banda francesa Adagio, de metal progressivo. Como nada deu muito certo, pegou alguns companheiros do Majestic e criou o Time Requiem, mais duradouro e que teve seu último trabalho, "Optical Illusion", lançado em 2006.
Neste meio tempo, o sueco hoje com 35 anos, resolveu se juntar ao velho amigo Magnus Nilsson e criou mais um projeto. Apesar de aparentemente ser de ambos, a banda foi chamada de Richard Andersson’s Space Odissey. E mais, tanto no debut "Embrace the Galaxy", quanto neste "The Astral Episode", quem figura nas capas que parecem sair de um filme de ficção científica é apenas o tecladista. E então, poderia ser mais egocêntrico?!
Como o que importa mesmo é a música, vamos a ela. O problema de "The Astral Episode" é começar vendendo um peixe que não se confirma até o fim do álbum. Afinal, é só dar o play em "Through Dreams and Reality" que o climão Symphony-X aparece. Teclados e guitarras virtuosos, a cozinha de baixo e bateria acompanhando tudo, numa sonoridade típica do metal progressivo e realmente com muita qualidade. A produção é de Richard, que também compôs e fez o arranjo de tudo, num trabalho que não se pode criticar. E se alguém pensaria que os teclados estariam "berrando", nada disso. O tecladista escolhe bem a hora de dar destaque ao seu instrumento e até de escondê-lo um bocado e deixar os outros músicos fazerem a festa.
O clima prog segue bem na boa abertura do disco e na próxima, que deu nome a este trabalho, com um destaque maior do teclado. Mas são principalmente as duas próximas que mudam bem a coisa. "Lord of the Winds" e "Dazzle the Devil" trazem a banda para um patamar mais simples, do power metal ou mesmo do metal tradicional, já que o excelente vocal de Patrik Johansson, também do Astral Doors e um dos melhores aspectos de "The Astral Episode", remete descaradamente ao de Ronnie James Dio.
E mais, as faixas parecem ter saído de um dos discos dos tempos áureos do conterrâneo Yngwie Malmsteen, tal é a virtuosidade (e vontade de mostrar isso) de Magnus e os intermináveis duetos com Richard, que não perde muito para um Jens Johansson (Stratovarius) e até usa o mesmo tipo de efeitos dele. Quer uma prova? Dê uma ouvidinha no refrão de "Dazzle the Devil", com solinhos 'fritados' de guitarra ao fundo. Se isso não é igual a Malmsteen...
O resto do álbum segue nessa linha, sem voltar muito ao progressivo. Toda aquela virtuose do começo passa a figurar apenas em solos e curtas passagens. As exceções são "Reversation", uma faixa instrumental bem legal para quem gosta desse tipo de música, com um show da banda como um todo, sempre muito coesa e entrosada. A outra é o encerramento em "The Seventh Star Fantasy", que parece o Genius, projeto do italiano Daniele Liverani , mas a princípio não passa de enganação. Clima mais sombrio, guitarras mais pesadas e... vira uma coisa mais para uma balada. Depois até volta a ter o peso do começo e fica legal, mas já é meio tarde.
Egocêntrico ou não, Richard faz um bom trabalho em "The Astral Episode", com um grande contribuição de uma banda de peso, competente, principalmente pelo vocalista Patrik Johansson, que manda muito. No entanto, é tudo com aquele gostinho ‘de já ouvi isso em algum lugar’: Malmsteen, Symphony-X, Dio... Mesmo, assim, não é algo que deva ser desprezado para quem curte o gênero.
Formação:
Nils Patrik Johansson – vocal
Magnus Nilsson – guitarra e baixo
Andreas Brobjer – bateria
Richard Andersson – teclados
Track list:
1. Through Dreams and Reality
2. Astral Episode
3. Lord of the Winds
4. Dazzle the Devil
5. Back to the Dark
6. Presence of Mind
7. Reversation
8. The Seventh Star Fantasy
Lançamento Hellion Records – nacional
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