Resenha - Wonkavision - Wonkavision

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Paulo Finatto Jr.
Enviar Correções  

9


Definitivamente, a música underground nos reserva grandes surpresas. Uma delas é a banda gaúcha Wonkavision, que apesar de certo prestígio e reconhecimento, eu ainda não conhecia (mesmo sendo eu um gaúcho). E posso afirmar com toda a certeza: o seu trabalho é digno de muito elogios. Lançado pela Orbeat Music, uma gravadora de renome aqui no sul, "Wonkavision", o álbum ‘debut’, está aí para comprovarmos na prática tais elogios.

Slash: "Só dá para exceder até certo ponto"

Fotos de Infância: Cliff Burton, do Metallica

Podemos dizer que tudo começou em 2002, quando a banda venceu um concurso musical promovido pela Coca-Cola em parceria com a MTV (RS) e com as rádios Atlântida, Ipanema e Pop Rock. O prêmio, que veio através do voto popular, possibilitou à banda a gravação do seu primeiro álbum, que teve a produção assinada por John Ulhoa, do Pato Fu. Will (vocal e guitarra), Manu (vocal e teclado), Kiko (bateria) e Grazi (vocal e baixo – que não está mais na banda) gravaram esse excelente disco, com doze faixas. Disco que, aliás, venceu em 2005 o Prêmio Claro de Música Independente, na categoria de melhor álbum de Indie Rock. Rótulo esse que eu desaprovo. Afinal, Indie Rock não é suficiente para uma banda que faz um, digamos, power pop, com muito de rock dos anos sessenta e setenta. E é por tantas influências diferentes que está o barato no som da Wonkavision: consegue ter personalidade e bom gosto.

Bom gosto não só nas músicas, mas nas letras, igualmente. Apesar de um som animado, na maioria das vezes as letras falam sobre problemas pessoais, depressões e em algumas vezes, sobre relacionamentos amorosos. As letras fazem parte do diferencial do grupo, sem dúvida, mas preciso voltar ao som, que é o mais importante para a boa repercussão do nome Wonkavision. Além das inusitadas influências dos anos 60’ e 70’, a banda explora o uso de teclados tipo ‘moog’ (desculpem-me se estou errado no uso de termos técnicos), além de misturar as vozes de Will e das garotas Manu e Grazi. Particularmente, a presença de mais de uma voz em uma banda sempre me agradou, em qualquer tipo de grupo ou estilo. Com tantas possibilidades, é possível dar mais interpretação às composições, transformando as letras (e composições) em algo similar a um texto para o teatro.

Falando das músicas, nossa, a banda realmente selecionou grandes composições para a sua estréia talentosa. A faixa que abre o disco, "O Plano Mudou", é um exemplo nato. A música é mais animadinha, um pop/rock típico do grupo, com um refrão mais cadenciado. "Ei, Não é Por Mal", a faixa seguinte, também merece destaque. Parecida com a anterior, só que ainda mais cadenciada (no refrão) e emotiva. Já "Aquele Alguém" explora o lado mais rock da banda, com guitarras mais roqueiras, apesar de ter um refrão mais pop, porém legal. Mas, sem dúvida, o melhor do álbum é o que vem a seguir, "Nanana", o ‘hit’ do Wonkavision. Um rock animado – sem tanto apelo pop – mas que evidencia como a banda é bem servida de uma voz feminina. "Quando 16", música que até teve videoclipe gravado, também aparece bem, novamente com uma cara bem rock n’ roll. Por fim, "Rejection Junkie" é a última música de destaque do disco, um rock mais cadenciado, com linhas de voz mais pausadas. Bem diferente do restante do CD.

Talvez, para pura questão de comparação, você acaba encontrando no som da banda um pouco de Weezer, Pato Fu, Los Hermanos ou The Cardigans. Ou até de bandas alternativas como Rentals e Toy Dolls. Porém, é impossível ouvir "Wonkavision" e não se envolver com a proposta da banda, com a sua personalidade e suas características peculiares. É impossível ouvir e não gostar. Eu, simplesmente, adorei. Já virei fã, e recomendo. Se você se interessou também e quer conhecer a banda, visite o site oficial, procure pelas músicas no site da Trama Virtual e vá atrás do CD. Não irá se arrepender.

Site oficial: www.wonkavision.com.br

Line-up:
Will (vocal/guitarra);
Manu (vocal/teclado);
Grazi (vocal/baixo)
Kiko (bateria).

Track-list:
01. O Plano Mudou
02. Ei, Não é Por Mal
03. Brinquedos
04. Comprimidos
05. Aquele Alguém
06. Nanana
07. A Garota Mais
08. Quando 16
09. Errado?
10. Tente Por Mim
11. Problemas
12. Rejection Junkie




Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Slash: Só dá para exceder até certo pontoSlash
"Só dá para exceder até certo ponto"

Fotos de Infância: Cliff Burton, do MetallicaFotos de Infância
Cliff Burton, do Metallica


Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

Mais informações sobre Paulo Finatto Jr.

Mais matérias de Paulo Finatto Jr. no Whiplash.Net.

adWhipDin adWhipDin adWhipDin