Resenha - Shadows Are Security - As I Lay Dying
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 28 de setembro de 2005
Nota: 9 ![]()
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Isto que se convencionou chamar de "metalcore", ou seja, metal com toques de hardcore, a menos por parte do As I Lay Dying, é anos-luz melhor que o pseudo-death melódico do Soilwork, e o thrash (sic) moderninho do Sepultura, entre outras besteiras más.
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E se afasta do medonho "nu-metal" por não terem nada de eletrônico, nenhum tipo de vocais "falados", nada de digressões gratuitas (as famosas quebradinhas de ritmo lamuriosas), por não exalarem aquele sentimentalismo tão forçado e pelo fato das músicas serem compostas com uma competência inegável.
Para defini-los, poderíamos dizer que se trata de um crossover entre death metal e hardcore, ganhando o peso massacrante, somado a profusão de riffs do primeiro, com a velocidade e as melodias conflitantes do segundo. Além de rótulos, estes 45 minutos são melhor exemplificados se dissermos que se trata apenas de 5 integrantes, um vocal, duas guitarras, um baixo e uma bateria – tudo que se precisa para fazer um som espetacular – trabalhando incessantemente em prol dos arranjos que construíram. É pura energia e pura transpiração (muito, muito suor) executando aquilo que criaram em suas mentes.
Estes estadunidenses ganharam o mundo com "Frail Words Collapse" de 2003, e agora, com o novíssimo álbum em mãos, não vejo nenhum empecilho para que continuem conquistando o merecido sucesso que conseguiram. Se o anterior era complexo, de estruturas mais imprevisíveis, tinha também uma maior carga hardcore, e conseqüentemente, mais mudanças de clima e vocais limpos, de modo que este "Shadows Are Security" aprofunda a veia metálica do conjunto, é ainda mais intenso e direto e com uma produção - por incrível que pareça – melhor, especialmente na sonoridade da bateria, na escolha dos timbres e na mixagem geral.
Tim Lambesis mudou a ênfase no vocal gritado, e aposta mais no gutural, com ótimos duetos com ele mesmo. Phil Sgrosso e Nick Hipa esmerilham nas guitarras, trazendo bases pesadíssimas e riffs monstruosos, em arranjos estrategicamente montados para demonstrarem seu talento (não se preocupe, há solos também). Clint Norris é incrivelmente sólido e dinâmico no baixo, enquanto Jordan Mancino é o mais novo candidato a molusco do heavy metal, molusco com massa cinzenta, há que se ressaltar.
Comumente é usada a palavra "caótico" para definir o As I Lay Dying. Trata-se de um adjetivo dúbio e perigoso para a situação. O "caos" do metalcore destes rapazes pode ser encontrado somente na atmosfera da música, no sentimento de destruição, combustão, que ela proporciona, pois na execução, na estrutura, nas harmonias, não temos nada em desordem ou confusão, mas uma grande inteligência exploratória e precisão matemática.
Num álbum tão consistente, você pode sortear qualquer faixa e a eleger como destaque, seja os riffs a lá Ministry de "Confined", a progressão rítmica de "Losing Sight", a arrebatadora "Empty Hearts", a aura quase black metal de "Repeating Yesterday", os acertados acentos hardcore de "The Truth Of My Perception" ou a dramática "Illusions". Para não deixar dúvidas, "Shadows Are Security" figurará fácil entre os melhores do ano.
O As I Lay Dying é o tipo de banda perfeita para situações ao vivo. Um shows destes é certamente uma experiência marcante. Será que eles vêm no Brasil?
Formação:
Tim Lambesis (Vocal)
Phil Sgrosso (Guitarra)
Nick Hipa (Guitarra)
Clint Norris (Baixo)
Jordan Mancino (Bateria)
Site Oficial: www.asilaydying.com
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