Resenha - Nattfödd - Finntroll
Por Sílvio Costa
Postado em 07 de agosto de 2004
O universo da música pesada é repleto de etiquetas, rótulos e padrões. Parece estranho pensar assim, já que, em meio século de rock, a característica mais marcante do estilo foi sempre defender a derrubada de barreiras, o fim das regras impostas de cima para baixo e, principalmente, a liberdade absoluta de criação. Mas a crítica especializada e os fãs parecem não conseguir se situar se não estiverem amparado por um selo "qualquer coisa" metal para lhes orientar. É justamente aí que esta banda encontra seu nicho e consegue ser tão interessante. O problema da classificação foi uma das coisas que me fizeram travar diante da tela do computador durante um bom tempo antes que esta resenha começasse a surgir. Foi só quando eu descobri que o legal do Finntroll é o desrespeito a limites impostos por rótulos é que comecei a compreender que o barato deles é não se enquadrar em nenhum rótulo, nem permitir que se invente um rótulo inteligível para engaiolá-los. Não é possível defini-los em termos de esquemas preestabelecidos. Mas dá para tentar descrevê-los e dizer que eles fazem um som absolutamente genial.

O Finntroll é um sexteto finlandês capitaneado pelo tecladista Henri Sorvali, do Moonsorrow e que conta com membros e ex-membros de grupos como Impaled Nazarene, Wizzard e Rapture. O som é uma mistura inusitada de metal extremo (as referências mais imediatas aqui são o Thyrfing e o próprio Moonsorrow), pitadas de folclore (especialmente nas letras, que merecem considerações à parte) e humppa. Como assim? Você não sabe o que é humppa? Humppa é uma espécie de polca finlandesa, se é que essa informação vai ajudar em algo. O resultado da mistura desses elementos tão díspares é um som original e que, simplesmente, é diferente de tudo o que o amigo leitor puder imaginar. Soa como uma mistura inesperada de Marduk com Skyclad, ou de Dark Funeral com Jethro Tull, se é que dá para imaginar coisas desse tipo.
Apesar de finlandês, as músicas são todas cantadas em sueco. As letras falam de trolls, gnomos, guerras míticas e espíritos que habitam as florestas. A mitologia nórdica é o grande tema do Finntroll, mas não fica apenas nisso. JRR Tolkien também aparece, ao lado de outros escritores menos conhecidos.
Deixando de lado as experimentações acústicas presentes no álbum anterior (Visor Om Slutet, de 2003) o Finntroll optou por fazer deste Nattfödd um trabalho mais concentrado esforços em soar mais heavy. Isso não impede a presença de faixas belas, como a instrumental "Rök". Mas o que predomina aqui é a insanidade veloz de "Vindalfard/Manniskopesten" ou a demência em ritmo de polca e black metal chamada "Elytres". A dobra de acordeon e guitarra, seguida de teclados muito legais em "Fiskarens Fiende" também são incríveis. Nem dá para selecionar uma faixa ou um momento para comentar porque o disco inteiro se converte numa experiência musical única e fascinante. A alternância de momentos mais bem humorados com outros mais "sérios" só contribui para tornar o som do Finntroll ainda mais viciante.
Apesar dos problemas que a banda enfrentou recentemente (o guitarrista Teemu Raimoranta faleceu recentemente e o ex-vocalista J. Jamsen teve de abandonar a banda devido a problemas nas cordas vocais), o Finntroll conseguiu produzir um disco excelente, que só peca por ser curto (cerca de 36 minutos). Pena que a Century Media (responsável pelo lançamento no exterior) se disponha a lançar o disco por aqui.
Line-up:
Henri Sorvali (Trollhorn) - teclados
Tapio Wilska - vocal
Samuli Ponsimaa (Skyrmer) - guitarra
Mikael karlbom (Routa) - guitara
Sami Uusitalo - baixo
Samu Ruotsalainen (Beast Dominator) - bateria
Site oficial:
http://www.finntroll.net
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Iron Maiden transforma primeiro festival próprio em celebração monumental de 50 anos
O lado bom e o ruim de fazer shows na América do Sul, segundo o líder do Iron Maiden
Novo vídeo mostra como está Mingau quase três anos após o tiro na cabeça
Steve Harris relembra o dia em que bebeu antes de um show do Iron Maiden
A opinião de Steve Harris, do Iron Maiden, sobre o The Darkness
O aspecto dos shows grandiosos que incomoda Steve Harris, do Iron Maiden
5 músicas que quando tocam no show todo fã de metal entra no mosh na hora
A melhor banda de rock progressivo de 25 países, segundo a Loudwire
A banda que realmente criou o heavy metal, de acordo com Eric Clapton
O músico que salvou os Ramones e depois deu no pé, deixando os caras na mão
Floor Jansen promete "volta às raízes metal" em seu novo álbum solo
5 músicas de rock que todo mundo conhece, mas pouca gente sabe de quem são
A melhor banda de rock progressivo do Brasil, segundo a Loudwire
A maior banda, música, álbum e vocalista nacional e gringo de 1985, segundo a Bizz
Adrian Smith já "cobrou" Steve Harris por usar equipamento em show do Iron Maiden
A música do Maiden que Bruce considera a mais desafiadora para cantar ao vivo
O baixista que fez teste com o Metallica por insistência de Flea, do Red Hot Chili Peppers
O hit da Legião Urbana que ensina ingredientes para cozinhar o bolo da maldade humana
Brasileiro Puukkojunkkari faz ótimo punk/hardcore extremo cantando em finlandês
A Arquitetura da Fé e da Melodia - Michael Sweet Transmite Paz em "The Master Plan"
Headhunter DC - Death Metal como arma, identidade e resistência
Black Swan - Quando a experiência se transforma em poder de fogo
Hellacopters acerta (de novo) com seu rock n' roll visceral em "Cream Of The Crap! - Volume 3"
Yes - Seguindo firme e forte em "Aurora"
"Break The Silence" prova que o mainstream precisa do Beyond The Black
Há 40 anos o Queen lançava "A Kind of Magic", álbum que marcou a despedida de Freddie dos palcos
O melhor disco ao vivo de rock de todos os tempos



