Resenha - Slaughter Of The Soul - At The Gates

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Por Bruno Coelho
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Nota: 10


At The Gates - Som Assassino, matador, de cruel brilhantismo e melodiosa brutalidade da Suécia.

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Eu gostaria muito que esta resenha recebesse um destaque grandioso, mas isso é impossível de ser feito aqui ou agora. Esse é um disco que faz parte da coleção perfeita de qualquer banger. O que vocês podem ter em mãos ao ver este cd em uma loja é algo que transcende o rótulo "death metal" e ultrapassa a barreira do sonoramente possível. Eu, além de resenhar este disco, gostaria de agradecer profundamente a esta banda por uma obra tão essencial para quem curte o agora em voga death melódico ou Göthemburg Sound.

Formada em 1990, o At The Gates havia gravado um EP e dois CDs e lançado algumas versões diferentes destes discos pela Peaceville Records e Black Sun Records antes de chegar a este Slaughter of The Soul. Não posso imaginar o tamanho da repercussão do álbum quando lançado mas acredito que o contrato com a gravadora nova (Earache) tenha expandido fronteiras para a banda. O fato é que Slaughter of the Soul é o último disco de estúdio do At The Gates, tendo a banda se dissolvido e três do membros formado o The Haunted - outra banda espetacular. A história é triste posto que o The Haunted não possui a qualidade melódica do At The Gates.

Chegamos a quase 10 anos de distância de quando este disco foi lançado (1995) e ao escutar temos a nítida impressão de que o som é o mais atual death possível de ser gravado no ano de 2004. Resultado alcançado, mais uma vez, graças às mãos de Frederik Nordstrom e sua equipe do Studio Fredman, na Suécia. Ao escutar o cd você já sente que o Nordstrom botou a mão ali, mas confirmei a informação no site da Earache para não falar besteira. Engraçado como, após escutar vários trabalhos de determinado produtor, você consegue reconhecer sua pegada sem ter que ler seu nome no disco.

Acho que falei muito e não cheguei a definir bem o som da banda: Death metal melódico de uma qualidade simplesmente inacreditável. Como essa maestria pode ter sido alcançada sem ter sido influenciada diretamente por outras bandas de um estilo idêntico? É por isso que o At The Gates é, indubitavelmente, seminal. Muito dificilmente teríamos In Flames, Arch Enemy, Darkane, Dark Tranquility, Soilwork ou bandas similares nos dias de hoje sem a presença do At The Gates na primeira metade dos anos 90.

O som do At The Gates poderia ser definido como algo entre a brutalidade mais descarada do Arch Enemy e a melodia mais trabalhada do In Flames. Na verdade é o oposto, já que o At The Gates veio antes, tendo portanto ensinado ao Arch Enemy como a brutalidade pode ser melódica e variada e para o In Flames como a melodia variada pode ser estupidamente brutal.

Quanto aos sons do disco, gostaria de me abster de maiores detalhes. Desculpem-me leitores, mas é muito difícil encontrar algo que não seja de uma qualidade monumental neste álbum. Por falar nisto - mudando o rumo um pouco - o álbum que possuo já é o relançamento feito pela SUM Records aqui no Brasil e que deve ter saído em 2003, se não me engano. O disco, além das 11 faixas, geralmente com 3 minutos e alguns segundos ou menos que isso, conta com 6 covers, incluindo um cover para Captor of Sin que é de deixar Tom Araya envergonhado pelo alcance da voz do Tomas Lindberg (simplesmente um cavalo que não encontrou par no mundo death até hoje). A SUM inclusive lançou os dois álbuns do The Haunted no Brasil também, comprem porque vale a pena conhecer.

Voltando ao assunto, eu gostaria de não ter que comentar as faixas. Não tem como destacar alguma se não por gosto próprio. Mas se é pelo meu gosto que vocês gostariam de ser guiados, destacaria a primeira - Blinded By Fear, a segunda - Slaughter Of The Soul, a terceira e lindíssima - Cold, a quarta - Under A Serpent Sky e a hediondamente brutal - Unto Others. O que não foi destacado pode até ser tido como pecado brutal, pois também foi composto em momentos de profunda inspiração divina (ou teria sida demoníaca?).

E sobre o At The Gates ainda muito pode ser dito. A trajetória dos integrantes após saírem da banda pode ser traçada. A potência de seus discos anteriores pode ser estudada e comentada. Mas, sem sombra de dúvida, este disco é a aula que todo banger gostaria de ter tido em 1995. Muita coisa poderia ter mudado em nosso cenário se este disco tivesse sido melhor divulgado por aqui na época.

"Sim TED, então o que é que faço? Não compro o novo do Edguy ou do In Flames ou do Dream Theater ou do Shaman ou do Hammerfall ou do Arch Enemy e compro este aqui?"
- Repita a pergunta, por favor...
" Eu quero saber se eu deveria deixar de comprar o novo do Edguy..."
-Edguy?
"É pô! A banda do Tobias Sammet, do Tobias..."
-Eu conheço Edguy, cacete!
"Então? Nem o In Flames novo?"
-In Flames...
"Hummm... ficou retardado TED?"
-Ô Rapazinho, esqueça qualquer disco que você queira comprar agora. Qualquer um. Compre este aqui.
"Mas eu nem gosto de Death!"
-Ah não? Ah então tá bom! Não compra porra! Mas te garanto que nada que saia este ano vai substituir o Visions do Stratovarius em termos de melódico, o The Gathering do Testament em termos de thrash, o Imaginations From The Other side do Blind Guardian em termos de power, o Metropolis Pt.2 do Dream Theater em termos de prog ou este Slaughter Of The Soul do At The Gates em termos de Death. Nada! Absolutamente nada! Mas se você ainda assim achar que o disco do Edguy não pode esperar até mês que vem, simplesmente não compre este Slaughter Of The Soul nunca mais na sua vida... você não o merece.

obs. Os discos citados acima representam meus favoritos. Caso você tenha outros favoritos em cada estilo substitua-os pelos que citei para não ter que ficar me chamando de filho da puta no fórum! Obrigado.


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Sobre Bruno Coelho

Bruno Coelho é Arquiteto, escritor, poeta, produtor de eventos, pai, tradutor, intérprete e professor de inglês. Morou em cinco capitais brasileiras e hoje dedica-se ao árduo labor de organizar eventos na capital maranhense de São Luís. Fã do Dream Theater, Tool, Symphony X, Pain of Salvation e Evergrey, encontra espaço pra novas bandas e vertentes sempre.

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