Resenha - Terra Nova - Eterna

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Por André Toral
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Nota: 7


Nota 7??? Um álbum do Eterna??? Calma, tem uma explicação: não é devido a sua musicalidade, que é realmente fantástica. Mas vamos por parte. O Eterna lançou "Terra Nova", um mini-álbum que traz algumas canções inéditas e outras que foram regravadas do álbum Papyrus, de 1999. Analisemos. Nas músicas inéditas, se destaca um novo direcionamento no som da banda, pois adicionou-se um clima hard rock, diferente do que vinha sendo apresentado anteriormente, ou seja, um heavy com pitadas de progressivo.

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Existem duas versões para a faixa-título, uma em idioma inglês e outra em português; a versão em inglês é melhor. Além disso, temos "Desert Moon", que, como em todas as demais músicas, apresenta belos duetos vocais entre Leandro Caçoilo e Danilo Lopes. Além disso, também se destaca a variadas quebras de ritmo, bem como as passagens de teclados e os solos de guitarra, que são impressionantes! Ah, e o refrão é daqueles que você sai cantando de primeira. "Levitas" é instrumental, sendo que o Eterna, definitivamente, se mostra uma banda completa em todos os sentidos, tal é o talento de cada músico, tanto para compor, quanto para arranjar; e isso tudo sem soar enjoativo, o que é melhor. Enfim, atributos que fazem do Eterna um fenômeno no Brasil, e também a melhor coisa que surgiu no meio de tanta banda igual, mais especificamente falando do heavy melódico. A banda, cada vez mais, mostra que tem personalidade e se desafia, de maneira muito a vontade, a experimentar novas sonoridades. Isso é fantástico!

Mas e o 7??? Ah, o 7...Bem, existem quatro músicas regravadas do álbum Papyrus, que, sem dúvidas, é o melhor álbum do Eterna, bem como um dos melhores já lançados em toda a história do heavy no Brasil! E quando se consegue um feito deste porte, com clássicos indiscutíveis, é preciso cuidar-se muito, pois qualquer mudança, por menor que seja, pode ocasionar reações justificadas. Por exemplo, se o Black Sabbath regravasse todos os discos do Ozzy com Dio ou Tony Martin, tenho certeza que ninguém aprovaria a idéia, pois tiraria o brilho dos clássicos que foram feitos naquele momento, no passado. Da mesma forma, se Paul Di'anno tivesse voltado para o Iron Maiden e regravado as canções imortalizadas na voz de Bruce Dickinson. Enfim, o que foi feito sob medida, com perfeição absoluta, não se discute mais, pois virou unanimidade. Se ocorre o contrário, até mesmo a credibilidade das bandas pode se posta em questão. Infelizmente aconteceu com o Eterna, mas sua credibilidade continua intacta, menos mal.

Bem, voltando ao Papyrus, existem quatro músicas deste álbum regravadas na voz de Leandro Caçoilo, que, tecnicamente, é um vocalista fenomenal. Porém, não dá para imaginar "Working Man", "Da Pacem Domine", "Social Sacrifice" e "Flight Recorder" em outra voz que não seja a de Alexandre Emanuel Cláudio que, se houvesse permanecido no Eterna, teria despontado como um dos melhores vocalistas do Brasil. Tal é seu timbre de voz: agudo, rouco, agressivo...enfim, uma voz insubstituível em qualquer canção! Era sem dúvidas um vocalista completo e versátil, diferente dos milhares de melódicos iguais neste país afora. Não foi uma boa idéia regravar as músicas de Papyrus na voz de Leandro Caçoilo pois, como ele é melódico, as características roucas e agressivas se perderam completamente. Cada um dá sua intepretação, e Leandro fez isso, tecnicamente perfeito! Porém, creio que ele foi exposto com esta situação, desnecessariamente. Certamente não foi uma boa idéia. Por falar em vocais, há de se fazer uma citação especial a Danilo Lopes, outro sensacional vocalista, com uma voz agressiva, melódica e rouca; destaque especial nas canções.

Bem, vamos em diante... o Eterna ainda adicionou uma versão ampliada de "Good Bye My Dear Ophelia", que já havia sido inclusa no Hamlet, projeto que conta com bandas nacionais de metal. E o resultado foi ótimo, melhor que no próprio Hamlet!

Enfim, caros leitores, estamos falando de uma grande banda que sempre nos brinda com grandes produções, músicas e indiscutível qualidade instrumental. Banda, aliás, do movimento White Metal, mas que tem se desvinculado um pouco disso, tocando cada vez mais com bandas seculares, em ambientes assim. Sem dúvidas um grande representante do heavy nacional "for export"!

Contato: eterna@eterna.art.br

Site Oficial: www.eterna.com.br


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Sobre André Toral

Formado em Administração de Empresas. Curte Hard clássico dos anos 70 e início dos 80; Heavy Metal é sua religião.

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