Iron Maiden: Uma jornada nos detalhes gráficos das artes de Derek Riggs (parte 1)

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Por Diego Jesus de Souza
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Você já parou para analisar, minuciosamente, todas as capas produzidas para os álbuns do IRON MAIDEN? Pois é, se já, você provavelmente já tomou conta que elas são ricas em detalhes, especialmente aquelas desenvolvidas pelo artista Derek Riggs. Eu, como grande fã da banda e do artista gráfico, desde que me conheço por gente, resolvi tentar entender algumas capas, bem como, tentar entender toda a lenda por trás dos gatos pretos presentes em algumas dalas. Que, por sinal, muito fã jura de pé junto que há, pelo menos um gato preto em cada obra do Riggs para o IRON MAIDEN, e, pelo menos inicialmente, foi isso que me motivou nessa busca.

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Como todos sabem, a grande estrela presente nas capas dos álbuns ou dos singles é o mascote Eddie. Que, por sinal, muito fã de hoje em dia (você pode guardar esta informação para você) começou a se interessar pela banda, depois de já ter curtido o tal do Eddie. Nas artes desenvolvidas por Riggs, nós viajamos desde os submundos da decadência urbana às pirâmides egípcias e planetas hostis do gelo, o criador Derek Riggs enterrou piadas e mensagens nas paisagens que Eddie chamava de lar. Uma lenda particularmente sombria é que um gato preto está escondido em cada álbum do Iron Maiden. Mas seria mesmo verdade? E se for mesmo, por quê? Independentemente disso, entrei nessa jornada de procurar detalhes (principalmente os gatos) nas artes produzidas por Riggs para o Iron Maiden. Vale lembrar, eu não tenho todos os álbuns e singles comigo, logo, a grande maioria das imagens foram analisadas a partir de downloads da internet. Assim como, essa é uma jornada de um fã e não de um especialista de artes. Também, como são tantas artes produzidas pela parceria, vou separá-las em diferentes partes (1980-1981, 1982-1984 e 1985-1986 e 1987-1990, sendo Parte 1, 2, 3 e 4, respectivamente).

Parte 1 (1980-1981):

RUNNING FREE - Single

Essa saga começa então, com a arte produzida para o primeiro Single da banda, "Running Free" lançado em 08/02/1980.

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Em resumo, a arte representa um rocker cabeludo correndo, aparentemente amedrontado, de uma criatura, que tudo indica ser, o futuro mascote da banda, Eddie. Enquanto, em "primeira pessoa", como se fossemos nós, uma outra criatura o espera. Porém, não começamos bem (hahaha), pelo menos em relação ao bendito gato preto. Procurei por tudo, mas não o achei. Se por acaso estava escondido na contracapa, no vinil, não sei. Mas não tem problemas. A arte de Running Free já é rica em detalhes e mostra a qualidade incrível dos trabalhos de Riggs, bem como, já ambienta, perfeitamente, a decadente e sombria Londres buscada pelo Iron Maiden. Indo aos detalhes, a luz vinda do poste já apresenta uma característica contínua nas próximas produções (na forma como a luz propaga no ambiente e que algumas vezes se assemelha aos olhos sombrios de Eddie). Pichado na parede, ao fundo, conseguimos ver algumas das principais influências da banda, tais como Scorpions, Led Zeppelin, Judas Priest, Ac/Dc (talvez?), entre outros.

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Opa, pera aí, eu vi uma referência que não esperava aqui, atrás da criatura (que pode ser Eddie – mas que agora eu tenho quase certeza que não é), atrás de suas pernas, na verdade, pode ser visto escrito Sex Pistols. Isso faz minha interpretação sobre a arte mudar um pouco. Estaria o rocker (um possível futuro fã de Iron Maiden), fugindo desesperadamente, do movimento punk? Em especial, do que representava o Sex Pistols? Se você que está lendo conhece a história do Iron Maiden, sabe da relação de "amor" que Steve Harris tinha com o movimento. Além do mais, ao que tudo indica, o rocker em questão, olha na direção de onde está escrito Sex Pistols, porém, o possível Eddie, segura em sua mão direita, uma garrafa quebrada. Mas, na parte inferior direita da arte "em primeira pessoa", vemos o que indica ser, a real mão de Eddie. Então, estaria o rocker fugindo do punk e indo de encontro aos braços do Iron Maiden? O que você acha? Eu tenho a minha interpretação.

Fantástico, não? Porém, seguindo na busca, olhei por tudo neste amontoado de lixos e, tirando a logo do Riggs, não encontrei mais nada que me chamasse atenção. Nem mesmo, no restante da arte. Porém, para um primeiro single, já tem informação pra chuchu aqui, né.

IRON MAIDEN

A próxima arte, em ordem cronológica de lançamentos do Iron Maiden, é o primeiro disco da banda, autointitulado, Iron Maiden, lançado em 14/04/1980.

Bom, para minha tristeza, a lenda do gato preto em todas as capas meio que morreu aqui, pois não encontrei. Mas tudo bem, jornada tomou proporções maiores, então vamos aos detalhes. Sentando e com uma legítima prensagem do primeiro álbum do Maiden em mãos, fiquei cara a cara com Eddie. Olhando nos olhos dele, é hipnótico. É bizarro, mas você realmente se perde naqueles olhos. Riggs coloca um esforço substancial no menor dos detalhes. Os padrões nas luzes e olhos, seguem aquele mesmo padrão já visto em Running Free. Quando olhei para além de Eddie, o famoso logotipo de Derek Riggs foi visto em um tijolo. Este símbolo curioso funciona como uma assinatura e agrada a cada pintura. É o tipo de toque eclético de alguém que acharia engraçado esconder gatos pretos nas capas de álbuns. O céu, as nuvens e lua, também seguem um padrão que passa a ser constante nas artes da banda. No mais, esta capa aparenta uma simplicidade maior, no quesito informação adicional, até porque o Eddie em si é fenomenalmente bem desenhado. O que há de mais informações nesse álbum é visto à direita de Eddie, uma lata de lixo (Litter como escrito em inglês britânico), uma porta vermelha e uma janela com cortinas vermelho alaranjadas. Infelizmente, eu não conheço nenhuma história da banda que explique algum destes itens, e, ao mesmo tempo, não encontrei nada na internet. Se você, leitor, sabe, compartilhe conosco.

SANCTUARY – Single

Na sequência, o próximo lançamento data de 23/05/1980 e é o single intitulado Sanctuary.

Aqui, a arte da capa já possui um peso enorme, em impacto visual. Em uma vista geral, Eddie aparece no centro da imagem, com uma faca cheia de sangue e sobre o corpo de uma mulher. Não somente isto, esta mulher é, nada mais, a ex primeira ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher. Para quem é fã da banda, isso não é nenhuma surpresa, até porque, a capa de Sanctuary é para lá de controversa e gerou muita repercussão. Segundo o empresário da banda, Rod Smallwood, "A obra é bem divertida, como sempre. Naquela época, Maggie havia visitado a antiga URSS e, seguindo sua postura dura com eles, havia sido batizada então de dama/donzela de ferro (Iron Maiden). Eddie se ofendeu com isso, e mais ainda quando ela começou a tirar nossos pôsteres". Daí, vemos que na capa, de fato, vemos que no muro, ao lado direito de Eddie, temos um poster da banda todo rasgado e, nas mãos de Thatcher, a prova do crime. Juntamente com o poster rasgado no mudo, vemos a logo de Riggs. No mais, ao menos para mim, a calçada e alguns matos crescendo me lembram um pouco a calçada em Running Free. E o gato preto, nada até agora.

WOMEN IN UNIFORM – Single

Continuando a aventura, nosso próximo item a ser explorado é o single Women in Uniform, lançado em 27/10/1980.

Dando continuidade na controversa arte de Sanctuary. Em Women in Uniform, vemos, novamente, a ex primeira ministra britânica, porém, desta vez, pronta para contra-atacar Eddie. Thatcher segura em suas mãos uma submetralhadora Sterling, enquanto Eddie, vem ali, numa boa, curtindo uma noite pacífica em Londres e com duas outras mulheres. Afundando nos detalhes, atrás de Thatcher, vemos, mais uma vez, um poster da banda previamente rasgado. Inclusive, pode-se ver um pouco da imagem de Eddie atrás dela. Um relógio, no pulso esquerdo da ex primeira ministra indica que são quase 11:15. Logo abaixo do braço direito de Thatcher, é possível ver a logo de Riggs, bem como uma lata de lixo com algumas pichações que eu, tentei, tentei, mas não consegui encontrar um significado. No lado direito de Eddie, vemos um edifício com uma janela azulada e uma meio avermelhada que, em primeiro lugar, me lembra a janela vista em Iron Maiden, porém, me lembrou muito os edifícios que viriam aparecer em Killers. Continuando na direita de Eddie, se descermos até a base da arte, vemos, finalmente, o primeiro dos gatos! Mas, por quê? Por que esses gatos me deixam tão curioso? Tá bom que como bom Curitibano que sou, gato preto tem um significado muito além da mística ocultista e um simples animal. Mas o que faz este gato estar aqui? Pois é, em Killers (alguns parágrafos abaixo, eu explico a minha teoria, que provavelmente é furada, mas, bora lá).

KILLERS

O segundo álbum de estúdio da banda foi lançado em 02/02/1981. Conta com a apresentação do novo guitarrista da banda, Adrian (o melhor guitarrista de todos os tempos) Smith. Hahaha, não levem a sério a questão melhor guitarrista, gosto é gosto, e eu realmente admiro as composições e melodias deste nobre terráqueo. Mas, dando continuidade na jornada, afinal a matéria aqui não é sobre os músicos.

Bom, em Killers, eu acho que vamos perder algumas boas linhas no texto, pois, afinal, aqui os detalhes explodem meus olhos (obrigado Derek Riggs). Num contexto geral, vemos aqui, Eddie com seu machadinho clássico, cheio de sangue e uma possível vítima caindo em sua frente e o puxando pela camiseta. Mas a imagem de Eddie e sua vítima são apenas um detalhe nesta capa. Bom, aqui, como todos sabem, gato preto é o que não falta. Eu achei uns 3, pelo menos. Mas antes de entrar nestes detalhes todos, me veio uma teoria sobre a aparição dos gatos, tanto aqui quanto em Women in Uniform (talvez em WIU tenha sido um acaso mesmo). Bom, a teoria em que pensei foi "Murders in the Rue Morgue". Primeiro, no lançamento de Women in Uniform, esta música já avia sido composta, mas não ainda lançada oficialmente. Mas o que tem essa música em especial? Bom, para quem não sabe, Murders in the Rue Morgue (Assassinatos da Rua Morgue) é o título de um dos maravilhosíssimos contos de terror de Edgar Allan Poe, tá e daí? Bom, além deste conto excelente, Poe também é autor do Poema "The Raven" (O Corvo), do conto genial "The Tell-Tale Heart" (O Coração Revelador), "The Black Cat" (O gato preto), entre outros. Então, de repente, Riggs possa ter sido inspirado por Murders in the Rue Morgue para a elaboração da arte de Killers. Afinal, não é nenhum segredo que Riggs adorava buscar simbologias, referências, etc.

Tão logo, indo aos detalhes da capa de Killers, os edifícios ao fundo são um retrato quase que exato da rua "High St N" de Londres. No topo do edifício à direita de Eddie (à esquerda de quem aprecia a arte), "lá no fundão", é possível ver diversos corvos (referência à Poe? Não sei, mas quero acreditar que sim). Vemos também, uma janela azul, uma avermelhada com uma mulher dançando, aparentemente, logo abaixo, vemos uma sex shop (hoje um escritório de advocacia, mesma coisa, basicamente) e o Ruskin Arms (famoso Pub que abriu as portas para a banda no início da carreira). Indo mais para esquerda, em uma janela verde, temos um querido gato preto.

Partindo para o outro lado da arte da capa, logo atrás da "bunda" de Eddie, temos nosso segundo gato preto em killers, a logo de Riggs e um casal num clima caloroso. Vemos também os números 27 e 32, e, tirando a hipótese de logradouros convencionais, eu não encontrei um significado para estarem ali (mas com certeza deve ter, Riggs não deixava ponta de corda sem nó). Logo abaixo da mão esquerda de Eddie vemos uma janela verde com uma testemunha ocular do assassinato que está ocorrendo. Na janela avermelhada logo acima me parece ter outra testemunha espiando dentre as cortinas, mas posso estar enganado. No topo deste mesmo edifício podemos ver o terceiro gato preto de Killers, bem como, mais um corvo, que me parece aquele que fica te encarando, olhando profundamente em seus olhos. No céu, vemos algumas estrelas, aquelas nuvens tenebrosas de sempre, e, bem... Acho que é isso para este álbum.

TWILIGHT ZONE – Single

Na saga, que começa a parecer que será interminável (hahaha). Temos nosso próximo Single para ser analisado e trata-se de Twilight Zone lançado em 02/03/1981.

Aqui, no geral, vemos uma mulher, aparentemente triste, em sua penteadeira dentro de seu quarto olhando uma carta de Tarô (Death – Morte) e vemos um fantasma de Eddie logo atrás dela. Aqui, mais uma vez, temos uma arte rica em detalhes, na esquerda, no reflexo do espelho, conseguimos ver uma janela aberta e cortinas ao vento. Lá fora, o ambiente lembra muito o de Killers, é possível ver um corvo voando próxima a imagem da lua, duas janelas que eu não consegui identificar algo nelas. Mas então, de repente, UUUAAAAAUUUUUUUUU, no momento que fui recortar a imagem abaixo, mudei sem querer o contraste da imagem e olha o que apareceu!!!!! A morte, em contraste na janela (sim, usei esse jogo de palavras mais mequetrefe). Poxa vida, Riggs, agora vou ter que voltar em todos as artes e fazer o mesmo. Bom, fui lá e achei mais um gato em Women in Uniform (maldito!). Mas isso foi tudo, também (UFA).. O gato "extra" em Women in Uniform está lgo ao lado da lixeira, o zoom vai estar aqui (desculpem a bagunça). Voltando ao Twilight Zone, logo abaixo da "Morte" na janela, vemos um relógio com o vidro quebrado. Ele parece marcar 23 horas, ou meia noite. Não, não é 23:58. Logo ao lado direito da capa, próximo à perna da mulher, trabalhando no contraste, você conseguirá ver a imagem de um demônio e, na madeira ao lado da gaveta, a logo de Riggs. Na lixeira ao lado, vemos uma revista Cosm.. (Cosmopolitan?) alguma coisa, e uma garrafa de Champagne.

Na penteadeira, ao lado direito, vemos um porta-retratos com uma foto de Eddie, com uma dedicatória. Infelizmente, não consegui desvendar o que está escrito. Logo atrás do porta-retratos, vemos um carinhoso Mickey dando um tchauzinho, estaria o Iron Maiden flertando com a América? Afinal, a primeiro tour norte americana da banda foi após o lançamento de Killers. Não tão distante assim do porta-retratos, com o reflexo do espelho, podemos ver um gato preto deitado na cama da moça (achamos a dona da lenda?). Por sinal, quem é essa moça? Algumas lendas dizem que se trata de Charlotte, sim, aquela mesmo lembrada em tantas músicas da banda. Se é mesmo, eu não sei, mas buscando a informação na internet, me pareceu ser mesmo. A moça, como já dito, segura uma carta da morte e, o fantasma de Eddie, parece estar vindo busca-la. Qual seria a interpretação disso tudo, não sei. Mas visto a tristeza nos olhos da mulher, vejo ela triste com a morte de Eddie. Estaria ela pensando em um suicídio? Não sei, cabe a interpretação de cada um aí.

PURGATORY – Single

O último single dessa nossa primeira parte da jornada foi lançado em 15/06/1981 e é intitulado "Purgatory". Vou comentar aqui que eu não vou incluir o Maiden in Japan nessa análise já que se trata de um álbum ao vivo (dos ao vivo, apenas incluirei os oficiais, mundialmente falando).

Em Purgatory, vemos um meio Eddie meio demônio que viria aparecer em The Number of The Beast. Seria um Eddie indo para o inferno após estar morto (já que seu espirito apareceu no quarto de Charlotte em Twilight Zone)? No geral, esta capa de álbum não apresenta nenhum detalhe escondido como nos demais, ela seria mais simplista, digamos assim. Porém, a arte, o meio Eddie meio Demônio, é maravilhosamente bem desenhado, incrível. A história por trás da arte consta que, na verdade, a capa do álbum The Number of the Beast é que deveria ser a arte para Purgatory, porém, a banda gostou demais do resultado, então pediram que Riggs fizesse outra para o Single. Assim, o mero humano fez a arte de Purgatory às pressas (imagina se tivesse mais tempo). Em relação aos detalhes, além do brinco na "orelha" do capeta, só achei a logo de Riggs.

Por hoje é só, pessoal. Em breve, enviarei a segunda parte da jornada e que englobará as artes de Riggs-Iron Maiden lançadas entre 1982 e 1984. Portanto, até breve, meus amigos, dentro de alguns dias, estaremos juntos novamente.




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Sobre Diego Jesus de Souza

Estudante de Doutorado, Mestre em Engenharia Civil, viciado em Ciência, não consegue largar da música, nem com macumba da brava! Guitarrista, Baterista, ex-professor das batucadas, músico desde o início do século. Amante de música, rock, metal e suas vertentes desde o século passado.

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