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A divergência com Bruce que fez Derek Riggs não desenhar mais as capas do Iron Maiden

Por
Fonte: Denfire
Postado em 15 de maio de 2023

Ah, as capas dos discos do IRON MAIDEN...

Me lembro quando era pequeno de ficar paralisado em frente as vitrines do centro de Belo Horizonte, então repletas de discos de vinil do grupo, sem saber do que se tratava (só iria descobrir dali uns anos), mas já impressionado com aqueles desenhos assustadores e ao mesmo tempo tão bem-feitos.

Desde meados da década de 80 que a cada novo lançamento anunciado pelo IRON MAIDEN, os fãs ficavam ansiosos imaginando como diabólico Eddie viria dessa vez: flutuando sobre um lago de gelo, descabelado empunhando uma espada samurai, venerado no Egito, trancado em um sanatório, em algum lugar do futuro empunhando uma arma...certeza de que a medida que você lia, foi se lembrando dos referidos discos, não é?

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Eddie é obra do talentoso artista Derek Riggs. O mascote mais famoso do mundo da música era para ter sido usado por outra banda, mas foi capturado pelo sagaz empresário do grupo e tornou-se símbolo de tudo que envolve a banda até hoje.

A medida que a banda crescia, o ritmo de trabalho de Derek ficava cada mais intenso: além das capas dos discos, EPs, singles, etc., ele ainda tinha que bolar parte do merchandising, desenhos exclusivos para camisas, pôsteres (eu mesmo tenho três) e qualquer coisa com a cara do Eddie que pudesse ser vendida.

Depois de duas décadas trabalhando juntos veio a ruptura entre Derek e banda, mais precisamente por conta da arte proposta para "Brave New World" (2000), disco que marcou o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith à banda.

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A história, nas palavras do próprio Derek, foi abordada no livro "Empire Of The Clouds - IRON MAIDEN nos anos 2000" (2023) escrito por Martin Popoff e lançado no Brasil pela Editora Denfire, confira:

"Este rosto estava nas nuvens; estava na fumaça. "Wicker Man", onde eles queimam o sujeito, eu desenhei esta coisa que parece um pouco com uma igreja, com pessoas dentro dela, todas sendo queimadas. Mas a banda não curtiu. O agente gostou; ele sacou. A banda não gostou. Bruce começou a falar merda. E eu me virei e disse a Bruce que ele estava falando merda. ‘Não é sobre isso e não é sobre aquilo’, e falei, ‘Com licença, eu sei um pouco mais sobre religião antiga do que você, cara’ (nota: a música "Wicker Man" foi feita em referência ao filme de terror homônimo de 1973, dirigido por Robin Hardy e batizado no Brasil como "O Homem de Palha").

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"O agente disse que queria ver uma versão todos os dias, e eu não trabalho assim. E então ele começa a dizer, ‘Ah, eu não gosto disso, e não gosto da grama e não gosto do céu’. Eu apenas me virei e disse: ‘Olha, esquece, não vou fazer isso’. Então, eles pagaram pela obra de arte e usaram o Eddie no céu naquela coisa. E essa foi minha contribuição para a capa. Eu simplesmente não trabalho assim. Não está acabada, sabe? É uma imagem inacabada. É uma imagem em processo de acabamento. Que parte disso você não entende? ‘Ah, eu não gosto da grama’. Sim, mas há trezentas figuras para ir por cima da grama. Acorda!"

"Mas sim, o álbum propriamente ia se chamar ‘Wicker Man’. Aí eles começaram a bagunçar novamente. Eu estava tentando dizer: ‘Será que posso terminar isso?’ Eu estava muito puto àquela altura. Eles estavam simplesmente sendo estúpidos. Como eu falei, Bruce estava falando besteiras e Steve foi um pouco no embalo, e então decidiram que não gostaram do Eddie, aí eu só disse: ‘Esqueça, não vou terminá-lo’. E eles fizeram um modelo em 3D de uma cidade."

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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Desde a ruptura, o IRON MAIDEN lançou mais cinco discos, todos com uma arte mais voltada ao digital do que desenhada a mão, como eram as feitas por Derek - e sem o mesmo impacto, diga-se. É de Derek, por exemplo, a fenomenal capa de "Somewhere In Time" (1986), obra-prima sua que contém dezenas de detalhes que o mesmo revelou em outro livro escrito também por Martin Popoff, "Where Eagles Dare - IRON MAIDEN nos Anos 80".


As impressionantes capas do Iron Maiden

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Sobre Mário Pescada

Mineiro, leitor compulsivo, ouvinte de todas as vertentes do rock - do blues ao grindcore. Valoriza mais a honestidade e entrega em cima do palco do que a técnica. Guarda os flyers dos shows que vai como se fossem relíquias. Autor dos livros "Distorções do Submundo: Dissecando álbuns matadores do underground brasileiro" vol. 1 (2023) e vol. 2 (2024), lançados pela Editora Denfire.
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