Rush: De 1974 a 1976

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Por Hugo Alves
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"RUSH" (1974)

Formação: Alex Lifeson, Geddy Lee, John Rutsey

O primeiro disco do Rush soa como uma salada cujas frutas seriam o Led Zeppelin, o Free e o Bad Company, o que em nenhum momento quer dizer que eles copiem qualquer destas bandas, mas as referenciem fortemente – eles eram acusados de "cópia do Zeppelin" na época, principalmente por conta da voz extremamente alta e aguda de Geddy Lee, cujos apelidos pejorativos variavam entre "cópia de Robert Plant" e "Mickey Mouse do Rock". Polêmicas à parte, a verdade é que se trata de um discaço de estreia, registro de um caminho musical que o Rush nunca mais trilhou (a evolução tem seus aquéns). Recomendo: Finding My Way, Here Again e Working Man.

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"FLY BY NIGHT" (1975)

Formação: Alex Lifeson, Geddy Lee, Neil Peart

Neste disco o Rush começou a definir, a passos largos, sua identidade. Ainda na turnê referente ao primeiro disco, que passaria pelos EUA, representando assim a primeira grande oportunidade na carreira da banda, John Rutsey foi convidado a sair da banda por conta de suas habilidades limitadas e, principalmente, por conta de sua saúde frágil (ele era diabético e abusava de álcool). Em seu lugar, entrou aquele que é considerado por dez entre dez fãs como "a alma do Rush": Neil Peart, um dos melhores bateristas da história da música – senão o melhor – e também um dos melhores letristas dos quais já se ouviu falar (eleito pelos outros dois por seu amor à leitura, extrema inteligência e também porque eles não gostavam de escrever letras tanto quanto se ater à música). O resultado é um disco muito mais profissional, pesado e coeso. Ainda havia resquícios do primeiro disco em alguns temas mais simples, mas também havia referências à obra de J.R.R.Tolkien e histórias originais alucinantes como, por exemplo, a batalha entre um pastor alemão e um husky siberiano. A música nunca mais seria a mesma a partir deste disco; o Rock and Roll ganhou cérebro. Recomendo: Anthem, Fly by Night e By-Tor and the Snow Dog.

"CARESS OF STEEL" (1975)

Formação: Alex Lifeson, Geddy Lee, Neil Peart

Sem sombra de dúvida, o disco mais injustiçado do Rush! Aqui, os caras exercitaram a autoindulgência e mostraram, pela primeira vez, a banda que realmente tinham capacidade de ser, usando e abusando de elementos do Rock Progressivo (que praticaram ao longo de toda a década de 1970) nas letras e, principalmente, nos instrumentais. De referências bélico-históricas, passando por autorreferências nostálgicas e culminando em mais acenos a J.R.R. Tolkien e à própria obra anterior, resultando até mesmo em canções com quase 20 minutos de duração, o Rush se superou mas, infelizmente, não foi compreendido. A mudança foi brusca e a maioria não entendeu, resultando em um massacre de crítica especializada e público, além de queda de vendagem e uma turnê pífia que quase acabou com a banda. Recomendo: Bastille Day, Lakeside Park e The Fountain of Lamneth.

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"2112" (1976)

Formação: Alex Lifeson, Geddy Lee, Neil Peart

O primeiro grande divisor de águas da carreira do Rush. O disco que salvou a banda e a recompensou com o respeito que sempre mereceram e nunca mais perderam. Um projeto de muita ousadia, um toque de teimosia e um dos maiores clássicos do Rock Progressivo em todos os tempos. A turnê do disco anterior quase destruiu a banda, que recebeu de sua gravadora um ultimato: gravar um disco mais comercial, com canções mais curtas e acessíveis – temas mais radiofônicos, por assim dizer. A resposta veio na forma de um disco com um lado inteiramente tomado por uma única canção – dividida em sete partes – baseada livremente na obra da escritora Ayn Rand, uma distopia futurística sci-fi que definiu toda uma legião de fãs e ajudou a fomentar um estilo musical. O lado B acenava para as exigências da gravadora, trazendo outras cinco canções bem mais curtas (mas ainda com o "selo Rush de qualidade"). O trabalho catapultou o Rush para uma turnê de sucesso e uma marca que nunca mais perderia a força. Recomendo: 2112 (principalmente as duas primeiras partes, Overture e The Temples of Syrinx), A Passage to Bangkok e The Twilight Zone.

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"ALL THE WORLD’S A STAGE" (1976)

Formação: Alex Lifeson, Geddy Lee, Neil Peart

Com o primeiro disco ao vivo do Rush, encerrava-se também a chamada "primeira fase" da banda, que transitou de um Hard Rock simples, porém pesado e bem praticado, até um Rock Progressivo inteligente, complexo e de primeiríssima linha. Este disco ao vivo foi documentado durante a turnê de promoção de "2112" e registra a banda com uma crueza sobre o palco como nunca mais se viu (até pela evolução natural da complexidade dos arranjos de suas composições posteriores). O resultado é visceral.


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Sobre Hugo Alves

Hugo Alves é formado em Letras (Português and Inglês) pela UNISO - Universidade de Sorocaba e futuro mestrando em Literatura ou Semiótica. Começou a escutar Rock aos 11 anos com "Bring Me to Life" do Evanescence, mas o que o tomou para sempre para o Rock and Roll foi "Fear of the Dark" (versão ao vivo no Rock in Rio), do Iron Maiden, banda que, ao lado de The Beatles, considera como favorita, amando quase que igualmente os sons de Viper, Angra, Shaman, Andre Matos, Rush, Black Sabbath, Metallica, etc. Foi vocalista das bandas Holygator e Bad Trip, iniciantes em Sorocaba/ SP, e também toca guitarra e baixo. Outra de suas paixões é a Literatura, pela qual desenvolveu o gosto pela escrita e comunicação.

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