Rush: De 1974 a 1976
Por Hugo Alves
Postado em 25 de abril de 2020
"RUSH" (1974)
Formação: Alex Lifeson, Geddy Lee, John Rutsey
O primeiro disco do Rush soa como uma salada cujas frutas seriam o Led Zeppelin, o Free e o Bad Company, o que em nenhum momento quer dizer que eles copiem qualquer destas bandas, mas as referenciem fortemente – eles eram acusados de "cópia do Zeppelin" na época, principalmente por conta da voz extremamente alta e aguda de Geddy Lee, cujos apelidos pejorativos variavam entre "cópia de Robert Plant" e "Mickey Mouse do Rock". Polêmicas à parte, a verdade é que se trata de um discaço de estreia, registro de um caminho musical que o Rush nunca mais trilhou (a evolução tem seus aquéns). Recomendo: Finding My Way, Here Again e Working Man.
"FLY BY NIGHT" (1975)
Formação: Alex Lifeson, Geddy Lee, Neil Peart
Neste disco o Rush começou a definir, a passos largos, sua identidade. Ainda na turnê referente ao primeiro disco, que passaria pelos EUA, representando assim a primeira grande oportunidade na carreira da banda, John Rutsey foi convidado a sair da banda por conta de suas habilidades limitadas e, principalmente, por conta de sua saúde frágil (ele era diabético e abusava de álcool). Em seu lugar, entrou aquele que é considerado por dez entre dez fãs como "a alma do Rush": Neil Peart, um dos melhores bateristas da história da música – senão o melhor – e também um dos melhores letristas dos quais já se ouviu falar (eleito pelos outros dois por seu amor à leitura, extrema inteligência e também porque eles não gostavam de escrever letras tanto quanto se ater à música). O resultado é um disco muito mais profissional, pesado e coeso. Ainda havia resquícios do primeiro disco em alguns temas mais simples, mas também havia referências à obra de J.R.R.Tolkien e histórias originais alucinantes como, por exemplo, a batalha entre um pastor alemão e um husky siberiano. A música nunca mais seria a mesma a partir deste disco; o Rock and Roll ganhou cérebro. Recomendo: Anthem, Fly by Night e By-Tor and the Snow Dog.
"CARESS OF STEEL" (1975)
Formação: Alex Lifeson, Geddy Lee, Neil Peart
Sem sombra de dúvida, o disco mais injustiçado do Rush! Aqui, os caras exercitaram a autoindulgência e mostraram, pela primeira vez, a banda que realmente tinham capacidade de ser, usando e abusando de elementos do Rock Progressivo (que praticaram ao longo de toda a década de 1970) nas letras e, principalmente, nos instrumentais. De referências bélico-históricas, passando por autorreferências nostálgicas e culminando em mais acenos a J.R.R. Tolkien e à própria obra anterior, resultando até mesmo em canções com quase 20 minutos de duração, o Rush se superou mas, infelizmente, não foi compreendido. A mudança foi brusca e a maioria não entendeu, resultando em um massacre de crítica especializada e público, além de queda de vendagem e uma turnê pífia que quase acabou com a banda. Recomendo: Bastille Day, Lakeside Park e The Fountain of Lamneth.
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"2112" (1976)
Formação: Alex Lifeson, Geddy Lee, Neil Peart
O primeiro grande divisor de águas da carreira do Rush. O disco que salvou a banda e a recompensou com o respeito que sempre mereceram e nunca mais perderam. Um projeto de muita ousadia, um toque de teimosia e um dos maiores clássicos do Rock Progressivo em todos os tempos. A turnê do disco anterior quase destruiu a banda, que recebeu de sua gravadora um ultimato: gravar um disco mais comercial, com canções mais curtas e acessíveis – temas mais radiofônicos, por assim dizer. A resposta veio na forma de um disco com um lado inteiramente tomado por uma única canção – dividida em sete partes – baseada livremente na obra da escritora Ayn Rand, uma distopia futurística sci-fi que definiu toda uma legião de fãs e ajudou a fomentar um estilo musical. O lado B acenava para as exigências da gravadora, trazendo outras cinco canções bem mais curtas (mas ainda com o "selo Rush de qualidade"). O trabalho catapultou o Rush para uma turnê de sucesso e uma marca que nunca mais perderia a força. Recomendo: 2112 (principalmente as duas primeiras partes, Overture e The Temples of Syrinx), A Passage to Bangkok e The Twilight Zone.
"ALL THE WORLD’S A STAGE" (1976)
Formação: Alex Lifeson, Geddy Lee, Neil Peart
Com o primeiro disco ao vivo do Rush, encerrava-se também a chamada "primeira fase" da banda, que transitou de um Hard Rock simples, porém pesado e bem praticado, até um Rock Progressivo inteligente, complexo e de primeiríssima linha. Este disco ao vivo foi documentado durante a turnê de promoção de "2112" e registra a banda com uma crueza sobre o palco como nunca mais se viu (até pela evolução natural da complexidade dos arranjos de suas composições posteriores). O resultado é visceral.
Rush - A Discografia da Banda
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