Rush: De 1989 a 1998
Por Hugo Alves
Postado em 28 de maio de 2020
"PRESTO" (1989)
Formação: Alex Lifeson, Geddy Lee, Neil Peart
O Rush já estava na ativa havia quinze anos desde o lançamento de seu primeiro disco e havia transitado por inúmeras vertentes musicais, nunca se privando de experimentar e mudar o rumo quando julgasse necessário. Colecionando um número muito maior de acertos do que erros, a banda inaugurou sua quarta fase com status de banda grande e experiente. Eles já não tinham mais o que provar, então não soavam viscerais como em sua primeira fase, nem evolutivos como em sua segunda fase (na qual buscavam e alcançavam o estrelato), nem comerciais como em sua terceira fase. Aqui, e a partir de então, o Rush soava como uma banda muito mais equilibrada e madura, sabendo que entravam com o jogo ganho por uma bem construída história sem, no entanto, deixar de prezar pela sempre presente qualidade. O Rush soava adulto sem perder o fogo juvenil. Que disco, meus amigos. Que disco! Recomendo: Show Don't Tell, The Pass e Presto.
"ROLL THE BONES" (1991)
Formação: Alex Lifeson, Geddy Lee, Neil Peart
Acho este um daqueles discos que começam muitíssimo fortes mas que perdem potência conforme vão se desenrolando. A produção deste disco é uma das melhores da carreira do Rush e metade dele realmente é essencial na história do grupo. A outra metade, infelizmente, soa um pouco cansada, boa, porém sem tanta força. Ainda assim, um bom disco que ajudou a manter o grupo ativo e relevante por conta de seus principais temas, sendo a faixa-título uma das coisas mais divertidas que o Rush já compôs. Alex Lifeson chegou a dizer, em algumas entrevistas e documentários, que foi no período entre o disco anterior e este que ele precisou "reaprender a tocar guitarra", por conta do contraste entre o instrumental simplório daquilo que fizeram nos anos 1980 (após "Moving Pictures", claro) e a complexidade e força dos temas desta fase. Recomendo: Dreamline, Bravado e Roll the Bones.
"COUNTERPARTS" (1993)
Formação: Alex Lifeson, Geddy Lee, Neil Peart
Provavelmente o disco mais forte da quarta fase do Rush, principalmente por ser o disco mais Rock and Roll deste período. A produção acentuou fortemente o peso das composições e, se em "Roll the Bones" o Rush tentou cunhar mais um tema instrumental (que foi importante na época, mas não vingou, a longo prazo), neste disco nasceu a terceira canção sem letra nem vocais mais importante da carreira da banda. Este disco é essencial na carreira do Rush, pois os colocou de volta nos trilhos das grandes bandas de Rock pesado. Hard Rock de primeiríssima linha! Recomendo: Animate, Stick it Out e Leave that Thing Alone.
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"TEST FOR ECHO" (1996)
Formação: Alex Lifeson, Geddy Lee, Neil Peart
Sem sombra de dúvidas, este é o disco mais introspectivo e reflexivo da carreira do Rush. A qualidade, entretanto, é algo fora de série. Outro disco muitíssimo bem produzido e com um dos melhores trabalhos gráficos de encarte que eu já vi (junto a "Counterparts", os dois melhores do Rush, pra mim). O Rush encaixava peso, melodia, força e beleza em doses muitíssimo bem medidas, coisa que quase nenhuma banda conseguiu fazer. A turnê deste disco foi bastante marcante porque foi a primeira na qual os shows eram divididos em duas partes principais, além do retorno para o bis, um formato que perdurou por toda a carreira do Rush a partir de então (e que possibilitou agraciar os fãs com muito mais canções de todos os períodos da carreira). De quebra, pela primeira - e, infelizmente, única - vez na história, o trio tocou as sete partes de "2112" (a canção) em sua ordem cronológica, como forma de comemorar os vinte anos de lançamento do disco que os catapultou ao sucesso em 1976. Recomendo: Test for Echo, Driven e Half the World.
"DIFFERENT STAGES" (1998)
Formação: Alex Lifeson, Geddy Lee, Neil Peart
Muitos fãs consideram este o melhor disco ao vivo do Rush. Não concordo, mas dá pra entender: pela primeira vez, o Rush lançava um show completo ao invés de recortes de diferentes apresentações. Ou melhor: quase dois. Vou explicar: os dois primeiros discos documentam a setlist completa de um só show da turnê que promoveu "Test for Echo" e os vinte anos de "2112"; o terceiro disco foi gravado ainda nos anos 1970, durante a turnê de promoção do clássico "A Farewell to Kings" (mas não é o show completo). De fato, e falando muito mais sobre o show principal, a gravação é absurdamente boa, ser tudo do mesmo show ajuda pra caramba e o Rush era, em definitivo, a força cavalar ao vivo que ganhou arenas e estádios mundo afora. Infelizmente, este disco foi lançado não só para fechar a quarta fase da banda, mas também como forma de manter o nome do Rush ativo de forma relevante enquanto a banda permanecia inativa (e corria o risco de acabar) por conta de tragédias pessoais que marcaram para sempre a vida de Neil Peart e passaram a fazer parte do cânone do Rush: poucas semanas após o fim da turnê de "Test for Echo", em 1997, ele perdeu sua única filha, Selena, vitimada por um acidente de trânsito fatal enquanto ia para a faculdade; apenas dez meses depois, perdeu sua esposa, Jacqueline, em decorrência de um câncer (e provável entrega após a perda da filha do casal). O resultado foi um hiato de cinco anos nas atividades da banda e um Neil Peart peregrino sobre sua moto por toda a América do Norte, fato documentado posteriormente no livro "Ghost Rider".
Rush - A Discografia da Banda
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