Heavy Metal: Quando o Surf também radicaliza no som

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Roberto Muñoz, Fonte: rvca
Enviar correções  |  Comentários  | 

Então surgiu Christian Fletcher, EUA, nos 80’s. Aquele que ficou conhecido como o “Godfather of air surfing”, pouco se importava com padrões estabelecidos dentro do status quo vigente no mundo surf. Skate radical, surf aéreo, punk rock, heavy metal, tudo isto vivenciado intensamente por um surfista que assombraria o mundo pela sua coerência dentro de uma proposta sem concessões.

5000 acessosJoe Satriani: Quais lendas da guitarra não quiseram entrar no G3?5000 acessosOs Headbangers não praticantes

Andy Irons, um dos maiores surfistas profissionais da história mundial, considera Christian Fletcher um surfista “really fresh”. Alguém que rejuvenesce dentro de seus próprios termos, está, ‘¡por supuesto!’, ligado à própria essência. Já Bruce Irons, irmão mais novo de Andy, assistia numa boa algumas manobras de Fletcher no vídeo. Porém, quando deparou-se com um aéreo indescritível, mudou tanto a expressão de sua face quanto a sua voz. Chega a ser engraçado perceber tamanha transformação num semblante. As duas entrevistas no vídeo abaixo.

No Brasil, os constrangimentos sociais sofridos pelos surfistas nos 70’s – do tipo “coisa de vagabundo” entre outras bobagens – foram muito amenizados já no princípio da nova década justamente por meio de um filme brasileiro. “Menino do Rio”, 1981, dir. Antônio Calmon, fez história. Os atores André De Biasi, Ricardo Graça Mello e Evandro Mesquita comandam a turma sob a tutela de Calmon, em uma direção sempre atenta e sensível às particularidades da cultura Surf. Início de uma época onde as “surfshops” pulularam nos grandes centros brasileiros, fato muito estimulado também, além do filme, pelas famosas festas surf nos 80’s.

Monocultura funciona assim, dentro da mônada os nativos nada percebem de questões alheias. Com o filme de Antônio Calmon e produção da família Barreto, os brasileiros descobriram que o surf existia de maneira digna. Mas quando não foi? Enquanto na América já aparecia um garoto altamente underground, como Fletcher, à margem da poderosa indústria multinacional do ramo, a brasilidade aprendia o be-á-bá do esquema. Existe indústria própria brasileira de porte multinacional que nunca quebra, além do Futebol e das Festas Carnavalescas? Sim, o brasileiro “aaama” carro$... Lamentável o descaso da nação diante da Gurgel Motores.

As festas surf aconteciam direto em Porto Alegre nos 80’s em clubes renomados como a Sogipa, Grêmio Náutico União, Lindóia Tênis Clube. Muita surf music, mas também VAN HALEN, SCORPIONS, WHITESNAKE, entre outras bandas Rock’n’Roll. Mas as melhores festas bradavam o estilo surf no clube Veleiros, zona sul da capital. Bandas tocavam ao vivo, na maioria das vezes o rock bicho-grilo da banda TARANATIRIÇA, com seu astral ‘mucho loco’. A galera adorava o “TARA”, banda local, etc. A atmosfera das festas era incrível, muita tranquilidade, desprendimento, e BOB MARLEY agradecendo a preferência.

Christian Fletcher tornou-se um ícone do “surf-rebel extremism”. E com todas as glórias, que falam por si mesmas. Foi um dos pioneiros a evidenciar dentro do surf um novo espaço para as radicalidades – o ar. Depois, todos os outros surfistas aprenderam como funcionavam tais manobras. Cabeludo, careca, moicano, tatuado, e com um sotaque interessante, ou seja, acima de rotulagens também estéticas no decorrer de seu especial percurso. Sua imagem não era dissonante de sua atitude, no skate, ou no surf. Aventureiro, livre e afirmativo em suas escolhas. Impossível passar desapercebido.

Alguém imagina o rebeldaço escritor Charles Bukowski trabalhando numa repartição pública literária? Pois é. Causa estranheza também observar Fletcher tentando surfar em ondas criadas artificialmente, vídeo acima. Claro, Kelly Slater já foi onze vezes campeão mundial, sem comentários diante de tal exuberância, mas Fletcher remete-nos a outro tipo de “modus vivendi”. Uma rápida audição nas músicas dos vídeos e nota-se, de imediato, o nível da pauleira. Sejam os vídeos realizados pelo cara, família, ou terceiros, a proposta sonora é mui semelhante. Eis o seu estilo.

Roberto Muñoz, escritor

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.


Joe SatrianiJoe Satriani
Saiba quais lendas da guitarra não quiseram entrar no G3

1205 acessosBlend Guitar: em vídeo, Eddie Van Halen Vs Joe Satriani0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Van Halen"

LoudwireLoudwire
Os melhores vocalistas substitutos do Rock

David Lee RothDavid Lee Roth
"Já fui rico e já fui pobre! Ser rico é melhor!"

Van HalenVan Halen
Banda pode fazer shows com Sammy Hagar e David Lee Roth?

0 acessosTodas as matérias da seção Matérias0 acessosTodas as matérias sobre "Van Halen"0 acessosTodas as matérias sobre "Scorpions"0 acessosTodas as matérias sobre "Whitesnake"0 acessosTodas as matérias sobre "Bob Marley"


OpiniãoOpinião
Headbangers não praticantes: radicalismo no Metal

SexoSexo
Como se comportam os fãs de cada vertente de Metal?

TragédiasTragédias
10 das piores ocorridas em shows de Rock e Metal

5000 acessosNirvana: divulgadas novas fotos da cena da morte de Kurt Cobain5000 acessosHeavy Metal: os dez melhores álbuns lançados em 19825000 acessosBaladas do Metal: blog elege as mais bonitas de todos os tempos3045 acessosLed Zeppelin: Pole Dance ao som de "I Can't Quit You Baby"5000 acessosSlayer: As letras da banda não expressam a fé de Araya5000 acessosMetallica: ilustrações do jogo de videogame abandonado

Sobre Roberto Muñoz

Roberto Muñoz é escritor, 49, gaúcho de Porto Alegre. Pós-graduado em Cinema/ PUC-RS, integrou a equipe de direção do curta-metragem “A Vida do Outro”, 1997, realizado pelos alunos do curso, filme premiado com Candango de melhor roteiro, 16 mm/ Festival de Brasília-1997 e com Kikito de melhor atriz, 16 mm/ Festival de Gramado-1998. Com três obras ainda inéditas sobre metafísica, poética e outros assuntos existenciais, o autor já tem artigos publicados no Jornal do Brasil, Correio do Povo e Zero Hora.

Mais matérias de Roberto Muñoz no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em junho: 1.119.872 visitantes, 2.427.684 visitas, 5.635.845 pageviews.

Usuários online