Para Wolfgang Van Halen parte do público não consegue ouvi-lo sem pensar no seu pai
Por Gustavo Maiato
Postado em 13 de dezembro de 2025
Ser filho de uma lenda do rock é, ao mesmo tempo, um privilégio e uma prisão. É assim que Wolfgang Van Halen descreve a experiência de crescer sob a sombra de Eddie Van Halen, um dos guitarristas mais revolucionários da história. Em entrevista ao Song Cake (via Ultimate Guitar), o líder do Mammoth WVH refletiu sobre como muitos ainda o tratam como extensão do pai - e por que considera isso uma visão estreita sobre o que realmente importa na música.

Segundo Wolfgang, uma parte significativa do público simplesmente não consegue ouvi-lo sem pensar no sobrenome que carrega. "As pessoas tendem a perder o foco, especialmente quando se trata de mim", afirmou. "Elas simplesmente pensam: 'Ah, ele não toca tão bem quanto o pai' ou 'Isso não é tão bom quanto aquela música do Van Halen'."
Ele pontua que, muitas vezes, o julgamento se resume a técnica, como se esse fosse o valor absoluto de um músico. "Talvez eu não faça tapping bem o suficiente ou não toque bem o suficiente, na opinião deles, em vez de focarem no fato de que, ei, não é legal eu ter criado tudo isso sozinho, com todas essas peças e partes diferentes?"
Para Wolfgang, a música sempre esteve além de demonstrações de habilidade extrema - e isso vale inclusive para Eddie, cuja genialidade nunca foi apenas sobre velocidade. "No fim das contas, o que importa é a construção da música, para mim, assim como era para o meu pai", disse. "Porque se você não tem isso, você só tem gente solando rápido em escalas. E não há muita alma nisso."
A crítica ao virtuosismo vazio ficou ainda mais clara quando Wolfgang trouxe um exemplo improvável: Taylor Swift. Não como comparação musical direta, mas como evidência de que emoção vence técnica na maioria dos casos. "Você vê a Taylor Swift solando rápido em escalas? Acho que não", afirmou. "Ela escreve uma música que te faz sentir coisas. No fim das contas, se você tem uma melodia e uma música que te faz sentir algo - saudade, perda, lembrança - é disso que se trata."
Wolfgang reconhece que técnica e virtuosismo têm seu lugar, mas não como propósito final. "Há espaço para o virtuosismo e coisas do tipo, mas no fim das contas é disso que se trata para mim."
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