O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.
Uma das marcas do presente século é a supervalorização de alguns astros em detrimento de algumas VERDADEIRAS estrelas do passado. E sinceramente, nem estou aferindo juízo de valor para cometer alguma tolice defendendo O PASSADO x O PRESENTE. Bobagem. Reconheço que tudo tem sua época, medida e grandeza. Agora, eu não posso deixar de opinar que, qualquer músico que consiga alguma notoriedade (esteja ela ligada à música ou não) ganha um status, que muita gente teve que lutar para alcançar.
E tento novamente explicar: não é o suor que avaliza o talento, mas, também não é a superexposição que credencia “este” ou “aquele” a condição de astro ou coisa parecida.
Pois se não vejamos, o Kings of Leon, banda meia-boca ("tem talento sim Daniel, mas não é essa Coca-Cola toda") que começou a carreira no início da década passada, passou a ser motivo de ti-ti-ti nos meios de comunicação por conta de:
a) Vendeu 1 milhão de discos de “Come Around Sundown”;
b) Foi indicado 7 vezes ao Grammy, edição 2012;
c) Esteve em Uganda pedindo ao governo local melhores cuidados com a população;
d) Seu vocalista teve um piripaque no palco e agora todo mundo quer mandar ele pro Rehab. – resposta certa
Tudo bem mas qual é a relação com superexposição, supervalorização, superqualquercoisa. Primeiro, vamos por partes. Lógico, se isso é um fato, tem que ser noticiado, fazer o quê? Dito isso – e agora o motivo da meu questionamento – por que as bandas de hoje são conhecidas mas por seus trimiliques do que por sua própria música e arte?
Eu mesmo respondo:
PORQUE A MÚSICA QUE PRODUZEM É PIOR DO QUE AS SUAS PRÓPRIAS VIDAS!
Não, isso não é um recado pra ex-banda caipira (com todo respeito). Se um disco não causa sensação, se a música não tá na boca do povo (com raras exceções), se a turnê mundial não supera U2, Metallica, Britney ou qualquer outro produto da indústria mega poderosa, sempre o que se fala e debate é o comportamento das estrelinhas.
Eu sei que não é de hoje todo mundo acompanha a vida do seu ídolo, mas isso andava em paralelo à carreira fonográfica do mesmo. Agora não. A babaquice do reflexo da vida que estes idiotas levam tornou-se mais relevante do que o que eles mesmo produzem por meses dentro de estúdio. Ora bolas, se o boçal não tá em condições de subir no palco para cumprir sua agenda, porque, depois que ficou famosinho achou que a vida é uma droga, que o mundo é injusto e outros pensamentos, fica em casa, lavando uma louça, escrevendo poesia e comendo que nem um porco.
Não dá para admitir que um camarada (ou uma camarada) porque alcançou uma notoriedade ilusória vomite seus problemas pra banda, pro público e isso acabe tomando o lugar da sua arte. Onde estão seus amigos? Onde está sua família? De fato, onde está o coração que inspirou a criatura a fazer música?
E antes que peguem uma pedra (ou um monte delas) para jogarem no monitor do PC, repito: as pessoas que tem problema de qualquer natureza, que tratem suas vidas com decência. Não adianta achar que conseguirão vencer suas batalhas pessoais apenas com guitarra e sala de discos de ouro. Neguinho (e branquinho) acham glamuroso e lindo a postura suicida e demente de algumas personas que estão em momentos conturbados. Não acho lindo, não fico triste e nem absolvo. Tudo acaba virando (mesmo que inconscientemente) uma grande publicidade mórbida.
Lembro-me de ter lido ou visto Lennon falando de quando escreveu “Help”, título do disco homônimo lançado em 1965. O músico confessou que por trás do clima alegre da canção estava “alguém” pedindo socorro e completamente perdido. Lennon, embora maluco-beleza (e genial) jamais subiu ao palco e socou a cara da audiência com seus dilemas. Lennon, um ícone fora da estratosfera, um beatle, autor de um hino mundial chamado Imagine, daí eu pergunto: porque o Caleb (filho de evangélicos) não dá um tempo com o comportamento-eu-quero-viver-um-mundo-rock-and-roll e vai ler a Bíblia, seguramente um caminho muito mais confiável e certeiro do que manifestar suas angústias com péssimas apresentações como fez em Dallas no dia 29 de julho.
E pra terminar: você e eu, meros plebeus, se não completarmos a nossa lida com trabalho, estudo e personalidade, perdemos emprego, mulher, namorada, oportunidades, dinheiro e o que couber na vida. Não justifica a vida “artística” abonar as patologias psicossomáticas ou não de um bando de barbados, que até 10 anos atrás não eram nada. Talvez felizes.
Todas as matérias da seção Opiniões
Todas as matérias sobre Kings Of Leon
Os comentários são postados usando scripts do FACEBOOK e logins do FACEBOOK, HOTMAIL, AOL ou YAHOO, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de exclusiva e integral autoria e responsabilidade dos usuários que fizeram uso deste sistema (citados na assinatura de cada comentário). Caso você considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Os responsáveis pelo site podem excluir comentários que julgarem inadequados e fornecer informações sobre os comentários a reclamantes se solicitados.
Daniel Junior é administrador do site Aliterasom e do site sobre futebol Pensando Futebol. Estudante de Língua Portuguesa, embora já tenha estudado Jornalismo e História. Tem 36 anos é músico e líder operacional em uma multinacional americana; fascinado por tecnologia, comunicação e séries de TV. Acredita que Lost foi a melhor criação do homem depois do Youtube e até hoje não acredita que 24 horas acabou.
Mais matérias de Daniel Junior no Whiplash.Net.
QUEM SOMOS | RSS | FACEBOOK | TWITTER | NEWSLETTER | APPS | ANUNCIAR | ENVIAR MATERIAL | FALE CONOSCO
Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria. Os textos não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será retirado do site.
Em abril de 2012 Whiplash.Net teve 1.078.971 visitantes únicos, 2.974.068 visitas e 10.616.661 pageviews. Ver stats.