As emoções que uma música desperta merecem mais atenção que qualquer crítico ou "influencer"
Por Mateus Ribeiro
Postado em 22 de maio de 2026
Desde que comecei a escutar heavy metal com mais atenção, ainda durante a adolescência, desenvolvi uma relação muito próxima com o estilo. Não se tratava apenas de ouvir música, mas sim de experiências marcantes e profundas, que permeiam minha memória até os dias atuais.
Certos discos me alegravam, outros serviam como companhia em momentos complicados, enquanto determinadas canções simplesmente pareciam conversar comigo de uma forma muito particular. Curiosamente, nem sempre essas obras eram tratadas de forma positiva pela crítica especializada. Em muitos casos, acontecia justamente o contrário: álbuns que me marcaram profundamente recebiam avaliações negativas, comentários irônicos e até certo desprezo por parte de jornalistas e ouvintes mais "puristas".

Durante algum tempo, achei que isso significava alguma coisa. Em raros momentos, cheguei a "esconder" que apreciava determinados registros. Afinal, se tanta gente entendia de música e dizia que certos trabalhos eram ruins, quem era eu para discordar?
O tempo passou e percebi que música não é prova objetiva, onde há apenas uma alternativa correta para cada questão. Técnica, relevância histórica e qualidade de produção são aspectos importantes, claro. Mas existe algo que nenhuma nota ou resenha consegue medir: o impacto emocional causado por uma canção.
Uma música pode transportar alguém para uma fase específica da vida. Pode remeter à infância, aliviar um momento difícil, trazer conforto, motivação ou simplesmente fazer um dia ruim parecer menos pesado. E esse tipo de conexão dificilmente será explicado por um "especialista".
Com a ascensão das redes sociais, muita gente passou a emitir opinião quase como regra absoluta. Não faltam influenciadores dizendo o que "presta", o que "é cringe", o que "é poser" ou quais discos "você precisa gostar". No fim das contas, porém, nenhuma dessas pessoas (repito, NENHUMA) viveu as experiências que fizeram determinada obra ganhar importância na sua vida.
Isso não significa que você deve passar a ignorar críticas ou desprezar jornalistas musicais. A troca de opiniões faz parte da experiência de consumir arte. Porém, quando a percepção de terceiros passa a valer mais do que aquilo que você realmente sente ao ouvir música, talvez seja hora de refletir.
As emoções que uma música desperta merecem mais atenção do que qualquer crítico ou "influencer". Afinal, conexão emocional não depende de validação externa.
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