Será que é tão difícil assim respeitar o gosto musical alheio?
Por Mateus Ribeiro
Postado em 19 de maio de 2026
Ao longo dos meus 40 anos de vida, o heavy metal e suas vertentes correlatas marcaram presença em boa parte desse período. Desde criança, ouvia música pesada de forma indireta, por conta do meu irmão. Com o passar do tempo, o estilo se tornou parte fundamental da minha existência.

Além de ouvir heavy metal, eu lia publicações dedicadas ao gênero, principalmente resenhas de discos. E muitos desses textos chamavam minha atenção, alguns pelos elogios efusivos, outros pelas críticas ferozes direcionadas a determinados trabalhos. Tanto o entusiasmo exagerado quanto a rejeição estampada nas palavras dos autores costumavam me deixar encafifado.
Entre os trabalhos achincalhados pelos críticos, estão alguns que aprecio até os dias atuais, como "Load" (Metallica), "Risk" (Megadeth) e "Diabolus in Musica" (Slayer). Durante muito tempo, imaginei que não tinha repertório suficiente para "defender" tais registros, que me marcaram profundamente, sobretudo os dois primeiros. Eventualmente, percebi que essa defesa nem fazia sentido. Afinal, minhas preferências musicais dizem respeito unicamente às minhas emoções e percepções.
O tempo passou, e as revistas voltadas ao metal ficaram para trás por questão de praticidade. Passei a utilizar a internet e as redes sociais para me informar sobre o gênero, sempre recorrendo a veículos confiáveis, é claro.
A forma de consumo mudou, mas muitos álbuns defenestrados no passado continuam recebendo comentários pouco gentis. E não há problema nisso, pois vivemos em uma democracia e cada pessoa tem o direito de emitir sua opinião, desde que os limites impostos pela lei e pelo bom senso sejam respeitados (o que nem sempre acontece).
Pois bem, da mesma forma que seguir o comportamento de manada é permitido, remar contra a maré também deveria ser algo absolutamente normal. Curtir obras mal recebidas por "especialistas" ou por parte do público não deveria causar estranhamento. No entanto, para algumas pessoas, parece quase uma afronta.
Experimente declarar publicamente que aprecia "Virtual XI" (Iron Maiden) ou qualquer coisa lançada pelo Metallica neste século e provavelmente surgirá uma enxurrada de comentários nada simpáticos. Sei disso por experiência própria, e posso garantir que as reações a esse tipo de opinião raramente são moderadas.
Por outro lado, existem aqueles registros tratados praticamente como unanimidades absolutas. Um bom exemplo é "Powerslave", do Iron Maiden. Embora seja um trabalho cultuado, é perfeitamente possível não colocar o disco entre os favoritos da banda. Este que vos escreve, por exemplo, prefere outros títulos, como "Fear of the Dark", "Brave New World", "Somewhere in Time" e "Dance of Death". Estou certo por isso? Não. Errado? Também não. Trata-se apenas de preferência pessoal.
Parece estranho reafirmar esse tipo de coisa em maio de 2026. Ainda assim, continua sendo necessário lembrar que cada pessoa se conecta com a música de uma forma diferente. O que emociona alguém pode não causar absolutamente nada em outra pessoa, e vice-versa.
Tripudiar sobre aquilo que outra pessoa escuta, além de cafona, não surte efeito algum. Nenhum comentário agressivo mudará a memória afetiva construída por alguém com determinado disco, música ou banda.
Tenho certeza de que este texto não mudará a opinião de ninguém, e nem pretendo fazer isso. Gostaria apenas de deixar uma reflexão: será que é tão difícil assim respeitar o gosto musical alheio?
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