As bandas de heavy metal nem sempre farão a mesma coisa (e isso não é ruim)
Por Mateus Ribeiro
Postado em 22 de maio de 2026
Dia desses, enquanto gastava meu tempo e minha energia no mundo mágico das redes sociais, me deparei com um trecho de uma apresentação do In Flames. A filmagem foi registrada em meados da década de 1990, quando o grupo tocava melodic death metal, estilo que mistura agressividade e melodia.

Com o passar do tempo, mais precisamente na virada do século, o In Flames mudou sua sonoridade de forma significativa. O death metal melódico do passado abriu espaço para influências de new metal e rock alternativo.
A mudança de direcionamento musical promovida pelo In Flames gerou críticas à época. E, a julgar por alguns comentários relacionados ao vídeo supracitado, ainda desperta rejeição em parte dos ouvintes.
Fato é que o In Flames definitivamente não é o mesmo de 30, ou sequer de 20 anos atrás. E esse está longe de ser o primeiro caso de uma banda ligada ao heavy metal que decidiu "virar a chave" e modificar o som que a consagrou nos estágios iniciais da carreira.
O exemplo clássico que vem à mente é o Metallica. Pioneiro do thrash metal, o quarteto lançou trabalhos que se tornaram verdadeiros alicerces do estilo, com destaque especial para "Master of Puppets" (1986). A partir dos anos 1990, sobretudo depois do lançamento do álbum autointitulado, o grupo passou a investir em melodias mais acessíveis e composições menos intrincadas. A aposta rendeu hits atemporais e fez a banda furar a bolha do metal, passando a dialogar com um público cada vez maior.

Para muitos fãs radicais, o Metallica "acabou" no disco que leva seu nome, também conhecido como "Black Album" (1991). Outros encaram a mudança como uma espécie de "traição" ao thrash metal. No entanto, a banda simplesmente seguiu o caminho que julgava mais adequado para aquele momento de sua trajetória e jamais voltou a soar exatamente como soava nos primeiros anos de existência. Se isso agrada ou desagrada muita gente, os shows realizados para multidões ao redor do mundo talvez sirvam como resposta.
Voltando ainda mais no tempo, chegamos ao criador do heavy metal. Encarado como uma verdadeira entidade por muitos headbangers, o Black Sabbath ajudou a estabelecer as diretrizes do estilo por meio de obras que atravessaram gerações.
Liderado pelo guitarrista Tony Iommi, o Black Sabbath foi, é e continuará sendo influência para nomes de diferentes vertentes, do heavy tradicional ao metal extremo. Boa parte desse impacto vem dos trabalhos gravados pela formação clássica, lançados entre 1970 e 1978. Ao todo, foram oito discos, do debut autointitulado até "Never Say Die!". Todos esses registros apresentam, em menor ou maior grau, diferenças sonoras.

Como foi possível notar, bandas de diferentes gerações do metal alteraram sua forma de compor ao longo dos anos. Gostar ou não dessas mudanças é um direito de cada ouvinte. Ainda assim, é importante lembrar que artistas são seres humanos, e pessoas mudam com o passar do tempo.
Novas tendências surgem, os músicos passam por diferentes situações em suas vidas pessoais, e a maneira de criar acompanha esse processo. Em alguns casos, o resultado desagrada parte do público. Em outros, abre portas para novos ouvintes e mantém a banda artisticamente relevante.
Dito tudo isso, soa estranho exigir que artistas continuem fazendo exatamente a mesma coisa para sempre. Afinal, a própria história do metal foi construída por bandas que decidiram explorar novos caminhos.
Cada um gosta do que bem entende. Mas todos nós devemos compreender que um artista não precisa, e talvez nem deva, soar igual durante toda a carreira.
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