Os dias em que Anthony Kiedis quase morreu (foram muitos)
Por João Pedro Torres Pieroni
Postado em 10 de junho de 2026
Anthony Kiedis, o vocalista do Red Hot Chili Peppers, sempre teve uma vida, para dizer o mínimo, agitada. Não é segredo para quem conhece a figura pública, que drogas, polêmicas e histórias bizarras fizeram parte do seu dia a dia por anos. Em seu livro biográfico, Scar Tissue, lançado em 2004, Kiedis discorre por algumas dessas experiências de quase morte. E, para a surpresa de zero pessoas, foram muitas.
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No final dos anos 70, Kiedis já conhecia o baixista Flea. Os dois estudaram juntos na Fairfax High School, localizada em Los Angeles, Califórnia. O vocalista conta que os dois tinham o hábito de procurar por prédios com piscina no térreo, para poderem saltar do topo e mergulhar na água. Os pulos começaram em torres com dois andares e chegaram a prédios com cinco andares. No livro, Kiedis narra uma das situações de quase morte, quando ele e Flea foram pular de uma torre onde a piscina era "pequena e a parte funda era estreita". Anthony conta que Flea pulou primeiro e, ao ouvir o barulho da aterrissagem do parceiro, saltou em seguida: "Saltei, e quando estava no ar percebi que ia cair além da piscina, mas não podia fazer nada. O concreto se aproximava de mim, e errei a piscina por 30 centímetros. Fiquei tonto, caí de costas na água e comecei a afundar. De algum modo, apesar de estar num choque paralisante, consegui sair da piscina".
Kiedis conta que não conseguia se mexer durante todo o trajeto da ambulância até o hospital e, lá, um médico informou que ele tinha quebrado a espinha e que suas vértebras estavam achatadas como panquecas. Com o tempo, as costas do vocalista do RHCP melhoraram quase que como um milagre.
No fim de 1992, Anthony Kiedis estava se sentindo solitário. Distante de Flea, sem um grande amor e com John Frusciante fora de cena. Ele então decide ir até Bornéu, ilha tropical dividida em três países, Indonésia, Malásia e Brunei. Kiedis conta que se sentiu atraído pela ilha por ser um lugar remoto e pouquíssimo ocidentalizado. Quem o acompanhou nesta viagem ao sudeste asiático foi Hank Schiffmacher, tatuador que conheceu em Amsterdã. Antes de pousar no destino peculiar, uma parada em Jacarta, na Indonésia, descrita por Kiedis como: "Megalópole de terceiro mundo saturada de lixo e poluição, com uma energia fundamentalista que não nos tornava os caras mais bem-vindos à cidade".
Depois de chegarem às regiões mais remotas da ilha, Kiedis e Hank foram viajando de barco, a pé e com guias de tribos locais. Nas partes mais difíceis do trajeto, as chuvas, insetos e sanguessugas eram obstáculos complicados, mas nada comparado ao que viria a seguir.
Anthony ficou muito doente: "Então comecei a ficar doente. Tive náuseas, diarreias e vômitos fortíssimos, mas não tinha opção a não ser caminhar dezenas de quilômetros diários". A partir dali, insônia, alucinação e desidratação começaram a fazer parte da rotina de Kiedis na floresta tropical, longe de qualquer hospital ou farmácia. Dias depois, conseguiram sair da floresta densa e voltar até um povoado, onde Kiedis afirma que passou a noite em que mais se sentiu fraco em toda a sua vida. Já na civilização, Anthony e seu amigo tatuador se despediram e criaram um laço mais forte de amizade após a "vitória sobre a morte na maldita selva". Já em Los Angeles, Anthony ficou internado com febre alta e alucinações. Por fim, foi diagnosticado com dengue e tratado, segundo sua autobiografia, com "antibióticos potentes".
Em 1996, Anthony Kiedis estava em um período de recuperação ao uso de drogas, em um local chamado Impact. Ele conta que se sentia saudável, otimista e feliz e, com uma turnê se aproximando, ele resolveu entrar em forma. Mesmo fora do Impact, Kiedis continuava frequentando reuniões para adictos, e sua favorita ficava no salão de jogos de um parque. Indo até a reunião, de moto, Kiedis se chocou contra um carro que fazia uma manobra na contramão: "Houve uma colisão incrivelmente rápida e violenta, tão forte que a moto ficou cravada no veículo. Voei da moto e aterrissei exatamente no ponto onde a porta do motorista se encontra com o capô". Kiedis achava que não tinha sofrido grandes prejuízos quando olhou para a sua mão: "Achei que por um milagre estava bem. Até que olhei para o meu braço, que não era mais um braço. Minha mão estava enfiada no meu antebraço, de modo que agora eu tinha uma massa bulbosa e inchada de antebraço sem mão". Segundo o astro, quando a adrenalina baixou, ele sentiu a pior dor de toda a sua vida. Já no hospital, em uma cirurgia de emergência, o vocalista teve que tomar sete doses de morfina para que fizesse efeito. Os anos de abusos de todos os tipos de drogas o tornaram super resistente quanto a esse tipo de medicação. Depois de cinco horas de reconstrução do que era uma "massa pulverizada de ossos e matéria" e nove meses de fisioterapia, Kiedis finalmente recuperou a força na mão.
No livro, o membro do Red Hot Chili Peppers cita outras experiências de quase morte, além do risco constante de sofrer uma overdose. Para quem lê suas memórias, torna-se difícil não pensar que talvez o destino realmente exista e que algumas pessoas, como Kiedis, sejam protegidas por alguma força cósmica.
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