O problema não é usar celular em shows, mas sim fiscalizar os outros
Por Mateus Ribeiro
Postado em 14 de maio de 2026
Qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento sobre o mundo das redes sociais sabe que se trata de um ambiente fértil para polêmicas tão infrutíferas quanto alguns dos debates comandados por "especialistas" em futebol. De um tempo pra cá, ao menos no que se refere ao heavy metal e suas inúmeras discussões, a bola da vez passou a ser o uso de celulares durante apresentações ao vivo de bandas e artistas.

Fãs e até mesmo alguns músicos já se posicionaram publicamente contra a utilização dos aparelhos em shows. O Ghost, inclusive, chegou a "impedir" que celulares fossem utilizados em alguns de seus concertos.
Em uma rápida passada por perfis voltados ao rock e ao heavy metal que publicam vídeos de shows, é comum encontrar comentários como "no meu tempo não tinha isso" ou "prefiro guardar esses momentos na minha cabeça". Por outro lado, também existem pessoas que defendem o uso dos telefones para realizar gravações.
Fato é que cada um faz o que bem entende. A partir do momento em que alguém paga por um ingresso, pode aproveitar o espetáculo da maneira que achar melhor. Se quiser dormir durante o show, está no direito. Se preferir passar a apresentação inteira fazendo registros, tudo certo também - desde que isso não atrapalhe a experiência de quem igualmente pagou para estar ali ou da banda que está no palco.
Aliás, existem outras maneiras de atrapalhar a curtição alheia. Exagerar na bebida e ficar falando na orelha de quem quer apenas ouvir música são algumas dessas formas.
Quanto ao argumento sobre a ausência de celulares em épocas passadas, uma breve "pesquisa" me ajudou a entender o fenômeno. De acordo com minhas fontes, que serão mantidas em sigilo, nas décadas de 1970, 1980 e 1990 simplesmente não existiam celulares capazes de gravar vídeos. Também vale lembrar que o acesso a câmeras era muito mais limitado naquela época.
E não é preciso muito esforço para concluir que, caso essas tecnologias fossem tão acessíveis quanto são hoje, muita gente que atualmente critica o uso dos aparelhos provavelmente faria exatamente a mesma coisa.
Como se não bastasse a quantidade exorbitante de críticos e influenciadores determinando quais bandas são boas e quais são ruins, agora também existem fiscais encarregados de decidir qual é a maneira "correta" de se aproveitar um show. Que mania chata essa de querer pautar o que o outro pode ou não fazer.
No fim das contas, talvez o problema real não seja a câmera do celular, mas sim os insuportáveis fiscais de plateia.
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