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Rhestus: entrevista com o vocalista e guitarrista Alex

Por Ben Ami Scopinho | Em 11/08/10
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Alex
Marcos
Richard
Thiago
Rhestus: “... música intensa e cabeças batendo, como os mestres ensinaram...”

A fúria de sua música, a energia sobre os palcos e a simpatia de seus integrantes faz do Rhestus um dos primeiros nomes lembrados quando se fala em Thrash Metal catarinense. E os últimos tempos não foram fáceis, pois, mesmo com seu segundo álbum, “Games Of Joy… Games Of War!", pronto para ser lançado, somente o vocalista e guitarrista Alex Fantasma topou seguir adiante com a banda.

Assim, a nova encarnação do Rhestus agora conta também com Tiago (guitarra), Richard (baixo) e Marcos (bateria), e o Whiplash! conversou com o dedicado Alex acerca de todas as mudanças, novo disco, cenário musical e muito mais, na entrevista a seguir.

Whiplash!: Olá Alex, é um prazer falar contigo. O Rhestus passou por grandes mudanças nos últimos tempos, com três integrantes, inclusive um fundador, deixando seus postos depois de anos atuando no grupo. Afinal, o que ocasionou esta debandada generalizada?

Alex: Olá Ben, agradeço também o seu contato e disponibilidade. Sim, estamos ficando craques em mudanças, hehehe. A debandada generalizada foi gerada por vários motivos, não entrarei em detalhes maiores, mas cito o desgaste pelos anos que viajamos para ensaiar, reuniões, etc, a vida pessoal de cada um tomando outros rumos e prioridades, e a questão financeira sempre bem delicada, visto que nossos trabalhos até o momento foram independentes. Com tudo isso reunido, o pessoal, mesmo com o álbum novo, começou a desanimar e daí foi fácil acontecer.

Whiplash!: Alex Fantasma é o que 'restou' do Rhestus. Não seria equivocado dizer que você praticamente está começando do zero... Como você está se adaptando a esta nova fase, divulgando um novo disco, novos membros e tendo a cidade de Indaial como base?

Alex: Sim, sou o restus do Rhestus, hehehe. Não é equivocado pensar assim, analisando todas essas mudanças, mas eu estou aqui por causa da Rhestus antiga e a banda não existiria sem essa galera que passou por ela, outros membros, mas é a mesma banda. Quanto a minha adaptação, eu realmente vi o fim da banda, mais frustrante ainda por possuir um álbum pronto para ser lançado.

Alex: Mas hoje vejo a banda fortalecida novamente, pois antes da saída coletiva vínhamos decaindo com vários problemas paralelos interferindo na banda, como cancelamento de ensaios, etc. Hoje é diferente, além de eliminarmos quase por completo o problema da longa distância entre os integrantes, o compromisso tem sido uniforme. Ainda estou me adaptando, mas estou no pique deles, e hoje toda essa mudança drástica foi benéfica, pois um novo sangue e energia foram inseridos. Indaial foi conseqüência, eu moro lá.

Whiplash!: O repertório de “Games Of Joy… Games Of War!" já estava gravado e mixado desde o final de 2008, certo? Como você definiria este disco, há diferenças significantes se comparado com o que o Rhestus soltou no passado?

Alex: Sim e não! Na concepção geral ele está mais amarrado, consistente, e isso eu atribuo a formação ter permanecido intacta por, pelo menos, cinco anos. Outra questão é a experiência adquirida pelos trabalhos anteriores, os novos recursos disponíveis de gravação e uma evolução musical, tanto geral como particular. Só que, se ouvir uma música antiga e nova seqüencialmente, verás que é a mesma banda, estamos mais maduros.

Whiplash!: Sabe, achei muito bacana você levar adiante a bandeira do Rhestus, mesmo não sendo o fundador, assim como manter no encarte do CD a foto dos velhos companheiros. É bom saber que todos permanecem como bons amigos...

Alex: Sim, somos bons amigos, ainda nos vemos e bebemos algumas quando possível. Levar a bandeira da Rhestus adiante foi uma questão de honra, queria pelo menos lançar o álbum. Não me conformava em morrer na praia desta forma. Tínhamos que continuar de alguma forma. Mas minha luta não foi isolada, tive apoio dos ex-integrantes, do pessoal que estava aos poucos entrando, alguns amigos, alguns apreciadores da banda e principalmente de minha noiva, ela foi responsável por 80% da minha motivação em continuar. Hoje vejo que valeu a pena.

Whiplash!: Não é segredo que alguns dos antigos membros do Rhestus não aprovaram totalmente o áudio de "Embryo Of The Endless Sands“ (03). E como avaliam a gravação de Deny Bonfante (Perpetual Dreams), além da mixagem e masterização de Alexei Leão (Stormental)? O som do novo álbum correspondeu às expectativas?

Alex: Sim, ouvi-lo hoje é diferente do que na época. Mas para mim ele é ótimo, fucking metal, está bem tocado, ouve-se todos os instrumentos e os timbres também soam bons. Mas sabemos que ele tem suas limitações, é algo natural, visto nossos recursos para concretizá-lo na época. O trabalho atual soa melhor no contexto geral, pois o processo melhorou, nós evoluímos, temos acesso a ótimos estúdios e técnicos de som. A gravação, como um todo, avaliamos como excelente, assim também o trabalho feito pelo Deny e Xei. Eles nos ajudaram bastante e sabiam que queríamos o melhor, não importasse o tempo que levaria.

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Whiplash!: A ilustração da capa de “Games Of Joy… Games Of War!“ ficou aos cuidados de Jobert Mello (Shadowside, Soulriver). Trabalho ultra-realista! Até onde o Rhestus se envolveu em sua concepção?

Alex: A idéia toda partiu da letra que é a faixa-título. Não queríamos algo desenhado como no Embryo, queríamos algo mais realista e direto. O Jobert captou bem a idéia central da letra e praticamente na primeira mostra já gostamos e daí foi tranqüilo sugerir mudanças e outros detalhes até chegar ao oficial.

Whiplash!: Como o Rhestus encara o atual cenário metálico nacional, e que esforços estão sendo feitos para conseguirem competir com a grande quantidade de boas bandas que estão aparecendo por aí?

Alex: Encaro o cenário bem maior e forte do que anos atrás, há mais estrutura, divulgação e público. Existem inúmeras bandas, inúmeras vertentes, e o profissionalismo e reconhecimento melhorou. Mesmo assim, ainda temos alguns problemas antigos como o radicalismo, desunião e dinheiro; e outros novos como os MP3 da vida e o ‘Metal Plastificado’, feito somente para fins comerciais. A competição tem o lado positivo, pois te força a não se acomodar, mas por outro lado é injusta, pois como toda competição, há mentiras, favorecimentos, políticas sujas, etc.

Alex: A Rhestus têm um limite, pois não vivemos da banda, mas tentamos acompanhar as tendências tecnológicas e lutamos pelas necessidades básicas que uma banda necessite. Atualmente contratamos uma assessoria para nos ajudar e tem sido ótimo, tentar produzir materiais com mais qualidade e se concentrar na qualidade das músicas, tanto antigas como as novas. Buscamos por parceiros como a GSHOST que gerencia nosso site e a Brutal Wear que nos confeccionou a camisa oficial, entre outros, os ensaios são atualmente feitos em estúdio profissional, entre outros itens. Temos conseguido atingir os objetivos. Fazemos também algumas reuniões regadas com torresmo e cerveja e dividimos as atividades da banda. Mesmo com isso tudo, falta mais tempo e outras coisas a fazer, hehehe.

Whiplash!: Como está a agenda de shows e a recepção por parte do público?

Alex: A agenda iniciou bem, de repente tudo começou a não acontecer. Agora para o 2º semestre temos melhores expectativas, sempre funciona melhor que o primeiro, já temos algumas datas confirmadas e outros convites. O importante no momento e tocar em cidades que nunca tocamos ou fomos poucas vezes. Curtimos muito tocar ao vivo, para nós é uma festa! Temos boas audiências nos locais por onde passamos e a receptividade também é ótima. Encaramos um show de metal como deve ser, música intensa e cabeças batendo, como os mestres nos ensinaram. Não podemos reclamar, mas temos que ir além, para outros cantos do país e fora dele se possível.

Whiplash!: Sua linha musical segue claramente as raízes do Thrash Metal, estilo que se desenvolveu e deu origem a outros subgêneros ao longo dos anos. Como você vê o Thrash atual e o que esperar do Thrash no futuro?

Alex: Sim, o Thrash é nossa principal fonte de inspiração, desde a formação antiga, como a atual. Temos também outros gostos dentro do Metal e na música, isso tudo misturado resulta na Rhestus. O Thrash atualmente vive um grande momento, mas não é o mesmo dos anos 80. Primeiro que são períodos diferentes, outra época, outra razão para se expressar. Hoje tudo é mais comercial, e o Thrash não fugiu disso, claro, ele sempre vai ser forte e existir, mas passará sempre por novas transformações e terá sempre os barrigudos como eu, gritando “Kill The Posers”, hehehe. Ele vai enfraquecer novamente, e quando o Metal em geral se cansar de alguma moda nova, ele surgirá novamente. É um ciclo, assim como a vida e a morte.

Whiplash!: Pode ser meio cedo, mas já deu para sacar de que forma a nova formação influenciará na sonoridade do Rhestus a partir de agora?

Alex: Sim, ainda estamos caminhando para isso. Mas já temos trabalhado juntos no que será o próximo álbum. O importante é que a nova formação está consciente da banda que entraram e que lhe servirá de rumo. Como eu participo ativamente nas composições, desde a segunda demo até hoje, não será totalmente radical a mudança, mas também não será igual ao “Embryo” ou “Games”, até porque trabalhamos sempre em ir um pouco mais além, independente da galera que está tocando. Mas vamos aguardar, só o tempo dirá.

Whiplash!: Beleza, Alex. O Whiplash! agradece pela entrevista, desejando boa sorte nessa nova fase do Rhestus. Fique a vontade para os comentários finais...

Rhestus: Agradeço a você, Ben, pela disponibilidade e a toda equipe do Whiplash! que tem se mostrado parceira do Metal Nacional e do público brasileiro, pois tem trazido em primeira mão notícias frescas do Universo Metálico. Quero também agradecer a todos os parceiros de longa data que acompanham a Rhestus ao longo dos anos. Obrigado!

Contato:
http://www.rhestus.com.br
http://www.myspace.com/rhestus

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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