King Diamond: O que significa ser Satanista?
Por Evandro Saldanha Jochims
Fonte: Blabbermouth
Postado em 22 de junho de 2007
Nikki, da Bay Area Backstage, conduziu em junho de 2007 uma entrevista com KING DIAMOND, que comentou, dentre outras coisas, sobre seu fascínio pelo horror.
Bay Area Backstage: Seu sonho sempre foi ser músico?
King Diamond: "Não, isso simplesmente aconteceu. Eu frequentei a escola por dez anos e depois fui para a faculdade. Depois disso, decidi de repente que gostaria de ser assistente de laboratório. E tocava música durante essa época também, mas como hobby. Então ela se tornou algo mais que um simples hobby. Meu interesse crescia e crescia - eu sempre amei música, especialmente o Metal da época. Eu me arrisquei pois eu sentia que as coisas iam bem com o MERCYFUL FATE. Quando começamos a banda, não ganhávamos dinheiro. Também tomava muito tempo, você sabe, quando se tem um emprego e tem que ensaiar ao mesmo tempo com sua banda. Foi ficando difícil, então decidi me arriscar e me demiti do meu emprego e entrei no auxílio social. Durante esse tempo, eu tinha que escolher entre comprar um maço de cigarros ou comer. E de repente a coisa decolou".
Bay Area Backstage: Desde o começo de sua carreira, você sempre abordou temas densos e satânicos em suas letras - isso foi baseado em experiências ou crenças pessoais?
King Diamond: "Eu sempre fui fascinado pelo horror. Meus pais e eu sempre assistíamos o velho Frankenstein e Drácula e todos aqueles velhos filmes preto-e-branco – quando criança, eu deitava na cama pensando que eles poderiam aparecer na noite. Em termos de experiências reais, havia um apartamento que eu tinha quando entrei no MERCYFUL FATE que acabou se tornando realmente amaldiçoado. Muitas das coisas que estão escritas nas letras foram elaboradas conforme aconteciam nessas experiências reais. Foi isso que me criou interesse no oculto. Um dia eu achei um livro chamado 'Bíblia Satânica' em uma loja de livros usados, e achei que poderia ler e ver do que se tratava. Achei que fosse como uma religião, mas quando li vi que o que estava escrito era pura filosofia de vida – e era a filosofia de vida que descrevia como me sentia no momento".
Bay Area Backstage: Então você se considera um satanista?
King Diamond: "Quando as pessoas me perguntam se sou satanista, eu preciso primeiro entender o que elas querem dizer com 'satanista'. Se a outra pessoa pensa que satanista é quem sacrifica animais... isso é loucura. Eu não vejo isso como uma religião também, e não sou religioso. Não há nenhuma prova pra nada quando se trata de diferentes religiões ou a Deus – é por isso que existem tantas religiões. Se alguém conseguir provar ao resto do mundo, então nós acreditaríamos, claro. Mas não há prova e nunca houve. E é por isso que é chamado de 'crença'. E muitas dessas crenças alimentam as histórias que escrevo".
Bay Area Backstage: Então a maior parte da inspiração para suas letras são dessas crenças?
King Diamond: "Boa parte são baseadas na vida real, mas algumas também são fruto da imaginação – para fazer sua história fluir, você muda algumas coisas que você passou. Quando um álbum está pronto e eu leio todas as letras, eu me sinto um pouco inquieto quando vejo quanto de mim mesmo eu coloco nas histórias. Mas mais uma vez, eu sei que ninguém saberá a menos que eu diga exatamente do que se trata, e certamente eu não farei isso. Mas são inspiradas em toda parte. Você vê que em algumas histórias, alguns personagens são legais, alguns nem tanto – mas há uma razão para o que eles fazem. Tenho certeza que os fãs reconhecem situações nas letras pelas quais eles passaram, e podem relacionar com o que a pessoa passará durante a história".
Clique aqui para ler a entrevista completa (em inglês).
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