Resenha - Maiden England '88 - Iron Maiden

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Resenha - Maiden England '88 - Iron Maiden


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O Iron Maiden é uma das bandas com o maior número de seguidores do rock. E a cada ano, novos fãs vão pipocando mundo afora. Sabidamente, o grupo capitaneado por Steve Harris tenta fazer uma média entre fãs novos e antigos, intercalando em seus lançamentos e turnês material de momentos em que enfatizam o material novo com o que a banda tem de mais clássico em seu acervo. E para a felicidade geral da nação, vem relançando seus antigos registros em VHS no formato digital, com direito a turnês que nos remetem direto aos seus tempos mais áureos. Foi assim com “The Early Days”, continuaram com o clássico-mor “Live After Death” e chegamos a “Maiden England ‘88”.

Nota: 10

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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A garotada de hoje em dia talvez não tenha a noção exata da importância deste material, e nem muito menos do que se passava nesta época, tanto com o então quinteto quanto com o cenário musical. Em 1988, o Iron Maiden lançava aquele que até é citado pelo próprio Harris como seu álbum favorito na discografia do grupo, “Seventh Son Of A Seventh Son”, sequência natural e ainda melhor do estilo que a banda se propôs a seguir a partir do trabalho anterior a este, “Somewhere In Time”, onde passaram a incorporar ao seu tradicional estilo os sons de teclados e sintetizadores, mergulhando ainda mais nas influências de rock progressivo que eles sempre fizeram questão de exaltar. Era um período também em que bandas como Queensryche e Fates Warning despontavam e lideravam um novo movimento que seria rotulado depois como Prog Metal, que junto ao Thrash Metal era um verdadeiro oásis para os bangers mais radicais numa época em que uma outra vertente mais pop do hard rock, com fortes influências do Glam Rock setentista e que parecia dominar o mundo no período, apelidado pelos seus detratores de “Metal Farofa”.

Em uma entrevista dada à saudosa revista brasileira Bizz na época de seu lançamento, o vocalista Bruce Dickinson relata que ficou embasbacado ao ouvir pela primeira vez o álbum “Operation Mindcrime” do Queensryche, pela qualidade da produção, dos arranjos e de como eles aliaram perfeitamente o rock progressivo ao heavy metal. E claramente era algo que o Maiden já vinha buscando, desde “Somewhere In Time”, atingindo seu ápice em “Seventh Son”.

Sucesso de público garantido, chega a vez da “Seventh Tour” sair pelo mundo afora. E o show realizado pelo quinteto no National Exhibition Center, de Birmingham, resultou no lançamento do vídeo “Maiden England”, um dos discos mais cultuados e pirateados do grupo, cujo áudio jamais fora lançado oficialmente a nível mundial – versões limitadas em alguns países no formato de CD chegaram a sair anos depois, em cima da qual surgiram muitos piratas (além de outros com o som retirado do VHS). E mesmo estas versões em CD não continham o show completo. Finalmente, tal injustiça foi reparada, e ainda com direito a bônus: podemos ouvir agora finalmente o show completo, visto que anteriormente, o bis com “Run To The Hills”, “Running Free” e “Sanctuary” jamais havia sido lançado...

O set list é bem balanceado, com o Maiden executando músicas de seus então trabalhos mais recentes e não deixando de fora temas de seu período inicial, ousando inclusive tocar faixas fantásticas como “Still Life”, “The Prisoner”, “Killers” e “Die With Your Boots On” em detrimento de outras tidas como “obrigatórias” por muitos fãs, como “The Trooper”. A performance em si chegou a ser taxada na época pelos críticos como fria, acusando o Maiden de parecer distante de seu público, não lembrando a energia que o grupo transpirava até a primeira metade daquela década.

Porém, há de se levar em conta que a produção do show aqui era maior, os arranjos mais difíceis de serem executados e, o que ficaríamos sabendo só depois, o clima no grupo já não era dos melhores – tanto que Adrian Smith abandonou o barco depois daquela excursão. E, sejamos sinceros: quem ouve o CD e assiste aos vídeos não fica nem de longe com essa impressão... Temos aqui o bom e velho Maiden atacando nossos ouvidos, embora com timbres um pouco mais polidos. Podemos ouvir Bruce Dickinson totalmente recuperado com sua voz de volta ao auge (que já viu ou ouviu bootlegs da turnê de “Somewhere InTime” sabe que o vocalista passou por períodos complicados, chegando a perder a voz em determinados momentos), Steve Harris galopando com seu Fender Precision, Dave Murray e Adrian Smith solando com maestria e Nicko McBrain dominando sua enorme bateria.

Os destaques? Bom aí ficam por conta do gosto pessoal de cada um... Os meus são, particularmente, justamente as grandes canções que não fazem parte do repertório corriqueiro do Maiden: “Moonchild”, “Still Life”, a espetacular “Infinite Dreams”, as clássicas “Wasted Years” e “Killers”, além da épica “Seventh Son Of A Seventh Son”. E a remixagem de Kevin Shirley deixou o que era bom ainda melhor.

Para a garotada de hoje em dia, talvez seja apenas mais um lançamento ao vivo do Maiden. Mas para os marmanjos, fãs desde aquela época, o valor é muito maior do que isso.

CD 1
1. "Moonchild"
2. "The Evil That Men Do"
3. "The Prisoner"
4. "Still Life"
5. "Die with Your Boots On"
6. "Infinite Dreams"
7. "Killers"
8. "Can I Play with Madness"
9. "Heaven Can Wait"
10. "Wasted Years"

CD 2
1. "The Clairvoyant"
2. "Seventh Son of a Seventh Son"
3. "The Number of the Beast"
4. "Hallowed Be Thy Name"
5. "Iron Maiden"
6. "Run to the Hills"
7. "Running Free"
8. "Sanctuary"

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Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

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