Quando eu estava começando a ouvir Pink Floyd, naquela fase melancólica que antecede a adolescência, na qual tem-se a sensação de que tudo conspira contra você, eu me referia ao álbum "Atom Heart Mother" como "aquele disco da vaca". A capa, aliás, é clássica, nada mais nada menos que uma vaca: a famosa Lulubelle III, encontrada numa fazenda no interior da Inglaterra. Os Pink Floyd sabiam ser emblemáticos no que concerne à parte visual da banda. É um excelente álbum, com ótimas músicas. No entanto, Roger Waters e David Gilmour sempre criticaram este disco. O guitarrista da banda inclusive disse, numa entrevista, que acha o "Atom Heart is a totally crap" (uma total porcaria). Waters, que desde que saiu da banda, vive em pé de guerra com Gilmour, parecia mais humilde quando produziu esse disco com a banda.
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Lembro-me da primeira que ouvi a faixa-título: "Atom Heart Mother Suite". Naturalmente, senti-me angustiado; essa música tem um clima sombrio, que fica mais intenso com a entrada dos metais, juntamente com os pequenos solos de Gilmour. A segunda faixa, "If", é uma canção belíssima, daquelas que nos fazem refletir sobre a vida. Waters canta muito bem, acompanhando de um violão: "se eu enlouquecer, por favor não ponha seus arames no meu cérebro". Em "Summer 68'", a minha segunda música preferida do álbum, gostei do vocal do Wright: um timbre agradável e um considerável alcance vocal. "Fat Old Sun" é a minha preferida. Sou suspeito para falar, pois como músico (ou apenas alguém que sonha em sê-lo), admiro Gilmour profundamente, e convenhamos: em "Fat Old Sun" o vocal dele está perfeito, e o solo ao final da canção está, em minha opinião, entre os melhores que ele já compôs: quem entende de música, sabe que melodicamente é um solo muito bem construído.
A última faixa, "Alan's Psychedelic Breakfast", é um lindo instrumental, com sons de "Alan" ao fundo, preparando o café da manhã. Fico maravilhado com a criatividade do Gilmour em compor músicas sem se preocupar em "fritar os dedos", tal qual Jimmy Page fazia nessa época, "sentando a mão" em solos rápidos, como em "Since I've Loving You" e "I Can Quit You Baby". Gilmour, aliás, nunca se atentou à velocidade da música, sempre se focou no feeling, aspecto que falta a muitos guitarristas atualmente. Em suma, "Atom Heart Mother" é um disco memorável daquela que, em minha opinião, é a melhor banda do mundo. Musicalmente falando, tive fases bastante felizes na adolescência, época em que comecei a estudar guitarra e estava descobrindo o universo do rock and roll. Ouvir "Atom Heart Mother" naquela época valia mais do que mil sessões de yoga ou qualquer outro tipo de relaxamento — quanta nostalgia! A mim, o "disco da vaca" soa "totally wonderful". Quando tive certos devaneios, o que é bastante comum na adolescência (fato!), o "The Wall" invadiu minha vida violentamente, com todas aquelas significações e delírios musicais. Mas isso é uma história.
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