Pink Floyd: Como começou um amor intenso pela banda
Resenha - Atom Heart Mother - Pink Floyd
Por Ricardo Bellucci
Postado em 03 de março de 2018
Mudar de cidade, bairro nem sempre é fácil para um adolescente, mesmo em uma cidade grande como Sampa. No início tudo é estranho, perdemos nossas referências, amizades, locais favoritos, mudança de escola, enfim, o cenário no qual escrevemos a história de nossas vidas muda completamente.
Passei por essa experiência no final da década de setenta. Bairro novo, vida nova. Uma das primeiras iniciativas era explorar os arredores!! A futura escola do Estado foi à primeira visita! Depois fui a um pequeno shopping a umas cinco quadradas de casa, fazer compras para minha avó. Compras feitas na lojinha de material de costura, vamos explorar as demais lojas. No meio do processo investigativo eis que descubro uma pequena loja de discos, a WAVE. Loja pequena.
Bem, lá vamos nós explorar os seus domínios! Álbuns dos "Beatles", Roberto Carlos, Erasmo, "Yes", "Supertramp", "Black Sabbath", Julio Iglesias, enfim de um pouco havia muito. No meio das minhas "escavações" entre os LP’S, eis que encontro um LP com uma "Vaca" na capa. Vamos olhar. Eis que lá estava o quinto álbum do "Pink Floyd", "Atom Heart Mother". Já tinha escutado material da banda em rádios e em fitas cassete emprestadas pelos amigos. Curioso comprei! A mesada do mês foi embora!"Durango", mas empolgado voltei para casa.
Entreguei o material de costura para minha avó e corri para o pequeno toca discos CCE, localizado estrategicamente em meu quarto. Abri o plástico que protegia a capa (quem já fez isso sabe a emoção que se sente!) e tirei com extremo cuidado o LP. Pronto! Música rolando e eu explorando ainda a capa de visual único!
Listadas uma a uma estavam lá:
1. "Atom Heart Mother" (abrindo o LP)
2. "IF"
3. "Summer 68’’"
4. "Fat Old Sun"
5. "Alan Psicodelhic Breakfast"
Fiquei impressionado com o material! A primeira faixa tinha incríveis 23 minutos. Começava com o som de uma moto e algo que lembrava uma orquestra de sopro! Fantástico! A abertura começava com uma alquimia de sons! O ritmo psicodélico da faixa alternava os tempos! Um longo vocal feminino na altura dos seis minutos da faixa era uma viagem!
A segunda faixa era uma canção leve, ao som de um violão melódico, a voz rasgada de "Waters" era uma característica central na faixa. A letra não tratava de nenhum assunto em específico, era mais uma mescla de versos unidos, e alinhavados sobre questionamentos existenciais. Já a terceira faixa era uma canção mais alegre, com uma linha de baixo simples, suave, mas marcante. A letra descrevia o amor de um dia de verão por uma garota. Algo nada pretensioso.
A quarta faixa, "Fat Old Sun" versava sobre um o entardecer em um doce dia no verão. A última faixa era a viagem mais psicodélica do LP. Piano, violão, sons ao fundo compunham a longa faixa de 13 minutos. A letra era uma viagem total descrevendo o café macrobiótico de Allan.
O amor intenso e profundo pelo "Pink Floyd" começou com esse LP. Muitos outros viriam depois. Mas a experiência daquela tarde ficou marcada para sempre na memória.
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