O aviso na contracapa de “Hisingen Blues” é um indicativo claro do que se pode esperar do mais novo álbum do GRAVEYARD: “nós sugerimos que você escute o disco no volume mais alto possível para apreciar a completude do nosso som”. Com uma carreira meteórica e recheada de elogios da mídia especializada, o quarteto sueco mostra muita desenvoltura e criatividade no seu segundo registro de estúdio: o rock típico dos anos setenta ganha uma releitura ousada com a inclusão de elementos que se estendem pelo hard rock e pela obscuridade do stoner. A parceria Nuclear Blast/Hellion Records é a responsável pela estreia do grupo aqui no Brasil.
Nota: 9 








O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

A abertura do álbum – com a faixa “Ain’t Fit to Live Here” – poderia ser considerada um resumo da proposta do GRAVEYARD no seu mais novo disco. Com melodias simples e uma pegada agressiva que lembra muito o LED ZEPPELIN dos anos setenta, o quarteto sueco abre um leque de influências e de climas densos e psicodélicos, que passa por cima de “No Good, Mr. Holden” e “Hisingen Blues”. A homogeneidade do álbum é uma virtude que precisa ser destacada: as melodias mais próximas do blues se revezam com elementos do hard rock sem causar um caos no cérebro de quem ouve o GRAVEYARD pela primeira vez. Pelo contrário, a mistura rítmica – assim que digerida e/ou compreendida – torna-se o norte em todo o repertório de “Hising Blues”. A faixa-título é uma boa pedida para quem quiser entender como toda a gama de referências funciona na prática.
Com um timbre extremamente característico do rock setentista, Joakim Nilsson é sem dúvida o grande nome à frente do GRAVEYARD. Com uma voz que possui marcas do seu conterrâneo Daniel GIldenlow (PAIN OF SALVATION) e de ícones como Robert Plant (LED ZEPPELIN) e David Coverdale (WHITESANKE), as músicas de “Hising Blues” ganham um bom destaque por conta da performance praticamente visceral do seu frontman. A faixa “Uncomfortably Numb” mistura muito bem intensidade e emotividade, mas é na hora do peso que tudo funciona a favor do GRAVEYARD. Com simplicidade e um toque do rock progressivo, “Buying Truth (Tack & Forlat)” é outra música que aparece bem no disco. Porém, a folk e instrumental “Longing” pode ser apontada como o único item de impasse dentro da obra, sobretudo porque o quarteto sueco mostra em quarenta minutos de música que é capaz de criar ambientes sonoros muito melhores que o apresentado aqui.
O peso retorna com um toque um tanto quanto obscuro em “Ungrateful are the Dead”. A proposta não possui o mesmo impacto que as faixas mais rasgadas e viscerais, mas mesmo assim não pode ser descartada dentro do contexto de “Hisingen Blues”. Por deixar para o final as faixas mais experimentais, o GRAVEYARD passa uma ideia quase que equivocada sobre a sua proposta, que seria mais indie e menos hard rock. Não há dúvidas de que o track-list do novo álbum poderia dosar melhor as diferentes temáticas da música ampla e complexa do conjunto. Porém, isso não é nada que compromete o trabalho e o resultado final, já que “Rss” e “The Siren” foram muito bem elaboradas para atingirem o clímax individual em momentos específicos. Com um quê de LED ZEPPELIN e uma performance sensacional de Joakim Nilsson, “The Siren” pode, inclusive, ser apontada como a melhor música de todo “Hisingen Blues”.
A versão nacional do disco conta ainda com uma faixa bônus: “Cooking Brew”, que possui os mesmos elementos mais animados do blues/rock progressivo de outrora. O resultado atingido pela música extra, assim como por todo o “Hisingen Blues”, é excelente. Os suecos do GRAVEYARD andam por um caminho ainda pouco explorado por bandas de hard rock: a retomada do rock dos anos setenta com uma roupagem totalmente século XXI. Não há dúvidas de que a criatividade de Joakim Nilsson & Cia. ainda não atingiu o seu limite aqui. O grupo ainda tem muito pela frente e o ótimo “Hisingen Blues” – disponível na maioria das lojas em todo o Brasil – é uma boa pedida para quem ficou curioso em conhecer uma banda competente e inovadora na medida certa.
Track-list:
01. Ain’t Fit to Live Here
02. No Good, Mr. Holden
03. Hisingen Blues
04. Uncomfortably Numb
05. Buying Truth (Tack & Forlat)
06. Longing
07. Ungrateful are the Dead
08. Rss
09. The Siren
10. Cooking Brew
Todas as matérias da seção Resenhas de CDs
Todas as matérias sobre Graveyard
Os comentários são postados usando scripts do FACEBOOK e logins do FACEBOOK, HOTMAIL, AOL ou YAHOO, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que fizeram uso deste sistema (citados na assinatura de cada comentário). Caso você considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Os responsáveis pelo site podem excluir comentários que julguem inadequados e fornecer informações sobre os comentários a reclamantes se solicitados.
Pense antes de escrever. Ao comentar sobre alguém, lembre-se que este alguém é uma pessoa e merece respeito. Tenha cuidado especial ao comentar sobre colaboradores do Whiplash.Net; eles trabalham de graça para gerar o conteúdo que você está lendo. Mais chato do que uma matéria com erro, ou uma opinião com que você não concorda, são os chatos que apenas reclamam. Se acha que pode fazer melhor, clique no link ENVIAR MATERIAL no topo do site. Se achar um erro de digitação ou similar, envie pelo link de ENVIO DE CORREÇÕES; lembre-se que é falta de educação corrigir outras pessoas em público. E lembre-se de também elogiar quando encontrar bom conteúdo; isso é um bom incentivo aos colaboradores. :-)
Chatos, trolls e usuários que faltam com respeito a outras pessoas poderão ser banidos sem aviso prévio.
Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.
Mais informações sobre Paulo Finatto Jr.
Mais matérias de Paulo Finatto Jr. no Whiplash.Net.
Link que não funciona para email (ignore)
QUEM SOMOS | RSS | FACEBOOK | TWITTER | APPS | ANUNCIAR | ENVIAR MATERIAL | FALE CONOSCO
Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria. Os textos não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será retirado do site.
Em abril de 2012 Whiplash.Net teve 1.211.297 visitantes, 3.149.841 visitas e 10.113.719 pageviews. Ver stats.