Borkagar: Mais uma vez nos surpreendendo

Resenha - Urd - Borknagar

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Por Marcos Garcia
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Há bandas que nos surpreendem a cada CD que fazem, pois quando já achamos que elas não conseguirão mais surpreender-nos, eis que lá vem uma autêntica e maravilhosa surpresa a assaltar nossos ouvidos e corações, mesmo quando algumas polêmicas surgem entre os fãs quando há mudanças em sua formação, naquela típica coisa de criança de ‘ah, mas não é mais fulano quem está na banda’, não dando o crédito devido a quem entra, e que pode fazer um trabalho sublime.
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E mais uma vez nos surpreendendo vem o sexteto norueguês BORKNAGAR, famoso por ser um dos pioneiros do uso de elementos de Metal extremo com nuances vintage e muita psicodelia e Progressivo dos anos 70 em sua música complexa, melódica, densa, e climática, mas que ao mesmo é agressiva e cheia de vitalidade, que chega até nós com seu mais recente trabalho, ‘Urd’, lançado pela Century Media Records alemã.
A polêmica que surgiu há alguns tempos é relacionado à volta de ICS Vortex, pois na visão de muitos, ele assumiria os vocais da banda no lugar de Vintersorg, em um autêntico festival de fofocas dignas de programas televisivos e revistas. Mas ‘Urd’ vem para provar que a banda está com ambos, e que onde há genialidade musical, não há espaço para influências de papos furados baseados em achismos, já que ambos fazem vocalizações no CD.

Falar na sonoridade da banda ou da qualidade de seus músicos é algo dispensável, pois cada um deles é reconhecido por seu talento, e cabe um adendo apenas à bateria e à percussão, pois quem toca no disco é David Kinkade (ex-MALEVOLENT CREATION, atualmente no SOULFLY), logo, nada mais precisa ser dito além do fato que sua pegada pesada e sua técnica deram muito peso à cozinha rítmica da banda.

O nome ‘Urd’ vem de uma das nornas da Mitologia Nórdica, representando o passado (mais explicações em http://pt.wikipedia.org/wiki/Nornas), e conforme algumas declarações de Øystein G. Brun, líder e guitarrista da banda, é uma espécie de ‘volta às origens’ em termos de temas, ou seja, ‘a admiração e ponderação sobre a natureza e o lugar da humanidade nela’, mas mesmo assim, a banda musicalmente dá um passo à frente no tocante à musicalidade, e a arte do CD (feita mais uma vez pelo artista brasileiro por Marcelo Vasco, ou Marcelo HVC, como também é conhecido) reflete este aspecto.

A produção sonora, feita nos Fascination Street Studios na Suécia, é algo de maravilhoso, e deixa aquele belo clima vintage, sem perder a limpeza e elegância que a música da banda possui, mantendo cada instrumento em seu lugar devido, mas dando um brilho e peso absurdos.

Agora, quando se coloca o disquinho para rolar, meus caros, a experiência é de tirar o fôlego e arrancar lágrimas de pura emoção dos olhos, pois ‘Urd’ é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores CDs do ano, perfeito de ponta a ponta, sem deficiências.

Abrindo, ‘Epochalypse’ é uma faixa em que a alternância de andamentos e virtuosismo dão a tônica, com um excelente trabalho das guitarras de Øystein e Jens e as os belos duetos entre os vocais rasgados e limpos são de uma beleza extremamente progressiva, bem como os teclados abrilhantam a música em cada nuance. Em ‘Roots’, temos uma canção bem forte nas emoções, mesmo com os vocais ríspidos de Vintersorg firmes sob as bases melódicas e quando há guitarras limpas, mesmo quando a velocidade fica explícita, fato que também ocorre na excelente ‘The Beauty of Dead Cities’, belíssima e muito bem trabalhada. Em ‘The Earthling’, vemos uma canção muito mais climática e densa, com uma introdução muito progressiva, onde os vocais ríspidos casam tão bem com a música quanto os limpos, e é bem complexa em arranjos e estruturas musicais.

‘The Plains of Memories’ é uma linda instrumental, bem progressiva e melódica, mas sem sair do contexto do CD. Apesar de iniciar mais cadenciada, ‘Mount Regency’ é uma canção bem forte e intensa, graças às bases de David e Vortex (que anda tocando muito em todo o CD) e os vocais rasgados e guturais em duetos ótimos e postado com maestria, e outros com vozes normais e o rasgado de Vintersorg, que é bem particular. ‘Frostrite’, a próxima, dá uma aula de peso e melodia bem postados, e ótimos vocais limpos em duelos de Vintersorg e ICS Vortex permeiam-na toda, bem como guitarras e teclados criando climas belíssimos e a base rítmica mostra que não é composta de músicos fracos. Com seus mais de oito minutos de duração, ‘The Winter Eclipse’ é um autêntico festival de variações musicais, rica em mudanças rítmicas e de vocais, mas é uma faixa coesa, pesada, firme, com aquele selo de qualidade ‘BORKNAGAR’ que todos conhecemos e gostamos.

Encerrando o CD, temos ‘In a Deeper World’, na mesma linha da antecessora, apenas com alguns toques um pouco mais agressivos aqui e ali, que faz a pessoa querer mais e mais, vontade que é saciada após colocar o CD para rolar mais algumas vezes, já que cada audição tem novas surpresas e deleites, pois ‘Urd’ é musicalmente complexo e rico, mas que pega o ouvinte logo na primeira ouvida.

Perfeito, e mais um item obrigatório na coleção de qualquer fã de Metal e de boa música que se preze. E o melhor de tudo é que a versão Digipak trás dois bônus: a inédita ‘Age of Creation’, e o cover ‘My Friend of Misery’, do METALLICA.

URD – Borknagar
(2012 – Century Media Records – Importado)

Tracklist:
01. Epochalypse
02. Roots
03. The Beauty of Dead Cities
04. The Earthling
05. The Plains of Memories
06. Mount Regency
07. Frostrite
08. The Winter Eclipse
09. In a Deeper World

Formação:
Øystein G. Brun – Guitarras limpas e distorcidas
Vintersorg –Vocais rasgados, limpos e corais
Lars A. Nedland – Teclados, vocais limpos e corais
ICS Vortex – Baixo, vocais limpos e corais
Jens F. Ryland – Guitarra solo
David Kinkade – Bateria e Percussão

Contatos:
http://www.borknagar.com
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Sobre Marcos Garcia

Marcos Garcia é Mestrando em Geofísica na área de Clima Espacial, Bacharel e Licenciado em Física, professor, escritor e apreciador de todas as subdivisões de Metal, tendo sempre carinho pelas bandas mais jovens e desconhecidas do público, e acredita no Underground como forma de cultura e educação alternativas. Ainda possui seu próprio blog, o Metal Samsara, e encara a vida pela máxima de Buda "esqueça o passado, não pense no futuro, concentre-se apenas no presente".

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