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Resenha - Live at Grimey's - Metallica

Em 2000 a imagem do METALLICA se desgastou um pouco quando o grupo bateu de frente com Shawn Fanning na corte americana. A banda, que nunca concordou com o compartilhamento de músicas promovido pelo Napster, jamais conseguiu amenizar a derrocada das gravadoras por suas próprias mãos. Para encerrar a polêmica da sua atitude, o quarteto preparou o exclusivo e curioso “Live at Grimey’s”. O disco, que é comercializado apenas em lojas independentes, mostra que Hetfield & Cia. nunca viraram as costas para o underground, mesmo dizendo um sonoro não à popularização do mp3.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Não há dúvidas de que a história por trás de “Live at Grimey’s” é muito interessante. O registro ao vivo, realizado no porão da pequena loja Grimey’s New & Prevelod Music em Nashville (Tennessee), contou com uma modesta platéia de apenas uma centena de pessoas. A iniciativa, que foi promovida pelos criadores do Record Store Day, inaugurou o Back to Black Friday (o evento que deu o pontapé de abertura no Dia de Ação de Graças no comércio norte-americano). O show realizado em junho de 2008 não representou nada mais do que uma data extra da tour de “Death Magnetic” (2008) pelo país. No entanto, para os fãs a apresentação simboliza o retorno do METALLICA às suas raízes fincadas no underground. A banda, que em pouco tempo se tornou o nome mais imponente do thrash metal de São Francisco, vem reinventando o seu repertório mais antigo nos seus espetáculos mais recentes. O clima de “Live at Grimey’s” não poderia ser outro – e tampouco mais adequado.

O álbum, que é vendido com exclusividade por lojas pequenas e independentes no território norte-americano, pode ser adquirido pelos fãs mais fanáticos (e colecionadores) através do site oficial da banda. Em CD ou em vinil duplo, “Live at Grimey’s” obviamente não enriquece a discografia do METALLICA. Por outro lado, os caras assinaram aqui uma apresentação visceral, nitidamente mais agressiva se comparada aos demais shows realizados pelo grupo ao redor do mundo. No disco – que não ultrapassa uma hora de música –, o repertório escolhido por James Hetfield (vocal e guitarra), Kirk Hammett (guitarra), Robert Trujillo (baixo) e Lars Ulrich (bateria) pode ser apontado como o diferencial de “Live at Grimey’. Com o intuito de destacar o ambiente underground que contorna a obra, o METALLICA separou as suas músicas mais antigas – que não costumam aparecer com frequência pelo set-list do grupo.

O clássico “Kill ‘Em All” (1983), que projetou o METALLICA ao reconhecimento mundial, é extremamente bem representado em “Live at Grimey’s”. As duas primeiras músicas retiradas do debut – “No Remorse” e “Motorbreath” – podem não possuir o mesmo impacto de hinos do metal escritos por Hetfield & Ulrich nas décadas de oitenta e de noventa. Porém, são inclusões verdadeiramente valiosas, sobretudo para os fãs mais antigos e sedentos por versões repaginadas das faixas que deram notoriedade ao quarteto norte-americano. Não só a performance do grupo merece honrarias. A gravação de “Live at Grimey’s” mostra uma qualidade muito superior à média. Em contrapartida, a presença de “Master of Puppets” e de “Sad but True” – rotineiramente incluídas no set-list da banda – serve para agradar a gregos e a troianos. Embora não possua uma sequência comprida, “Live at Grimey’s” soube misturar as composições obrigatórias do METALLICA com sinceros presentes dedicados aos fãs mais sedentos.

De qualquer modo – e é até de se estranhar –, nenhuma música retirada do “Death Magnetic” (2008) compõe o repertório de “Live at Grimey’s”. Entre as mais recentes, somente “Fuel” aparece em meio às ótimas (e clássicas) “For Whom the Bells Tolls” e “Seek and Destroy” (mais uma retirada de “Kill ‘Em All”, 1983). Por mais que músicas como “Haverster of Sorrow” e “Welcome Home (Sanitarium)” podem ser apontadas como datadas, a relevância de ambas para a história do metal ainda é imensa. Por isso, não há como renegar sequer uma das nove faixas escolhidas que formam o inusitadoo “Live at Grimey’s”. O passado – e até mesmo o presente relativamente inóspito – são representados verdadeiramente bem no disco. A iniciativa da banda (assim como o valor sugestivo de US$ 9.99) pode simbolizar um novo caminho para a indústria fonográfica.

Track-list:

01. No Remorse
02. Fuel
03. Harvester of Sorrow
04. Welcome Home (Sanitarium)
05. For Whom the Bells Tolls
06. Master of Puppets
07. Sad but True
08. Motorbreath
09. Seek and Destroy

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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