Resenha - Dressed To Kill - Kiss

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Resenha - Dressed To Kill - Kiss

Por Flávio Remote e Alexandre B-side | Fonte: Minuto HM

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No começo de 1975, Hotter than Hell dá sinais que não consegue projetar a banda para o lugar em que ela queria estar. Neil Bogart, num golpe político, juntamente com a então namorada Joyce Biawitz demite os produtores dos dois álbuns anteriores. Ao descobrir que a banda estava recebendo ofertas de outras gravadoras, percebem que deveria haver uma mudança no comando da banda, para que a própria banda se convencesse que o novo rumo resolveria o fracasso dos álbuns anteriores. Neil havia dito para a banda que ela necessitava de um hino, e a banda, antes da viagem para a tal reunião com caráter político, que mudara os rumos no comando, e ainda no Hotel Continental Hyatt House (Los Angeles), em Janeiro de 1975, cria Rock and Roll All Nite – Gene Simmons faz as estrofes, e Paul Stanley o refrão. Neil Bogart seria o produtor do novo álbum (mais por uma questão de custo, pois era mais conhecedor da sonoridade “Disco”, comum nas demais atrações da gravadora) e o grupo se convence a se manter na Casablanca Records, as gravações se dariam no Eletric Ladyland Studios em Nova Iorque.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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DRESSED TO KILL marca uma mudança de som da banda, mais limpo, em relação aos anteriores, porém isso não deve ser creditado diretamente à mudança da produção. Paul Stanley se lembra de Ace Frehley tocando em um amplificador que ele próprio havia feito, e os outros amplificadores eram pequenos Fenders e pro baixo provavelmente um Ampeg B15 , ou seja amplificadores de 15 a 20 watts de potência , que eles usavam “no talo” – o que seria isto, um corte de custos ou uma idéia louca? Neil Bogart, que não era bem um produtor, estava fumando maconha durante as sessões, e talvez não tivesse a correta percepção da realidade do que estava sendo feito ali. Havia um problema maior: com exceção de She – que era tocada nos shows ao vivo e Love Her All I Can, não havia nenhum material prévio disponível para gravação. She foi adaptada da anterior versão do Wicked Lester, e Ace fez um solo, claramente influenciado pela música Five to One (The Doors), as outras músicas foram feitas durante a gravação do álbum. A banda literalmente parava as gravações para compor, mas tudo correu muito rápido, sem grandes elaborações. Novamente a intenção do “atual produtor” era tentar capturar o som da banda ao vivo no álbum. Outra novidade que seria estendida para os próximos álbuns: O processo de gravação começa a mostrar uma diversidade em quem toca o que, e isto não é exposto na capa do álbum. Gene toca guitarra em Ladies in Waiting e Paul sola em C´mon and Love me – e nada aparece na capa – indicando créditos para toda a banda, indiferentemente de suas participações. A avaliação de cada um em relação ao álbum é bem diversa: Simmons avalia como 2,5/5, Stanley dá 3,5/5, Criss daria 3/5 e Frehley é o mais satisfeito, avaliando como 4/5. No último dia de gravação, Bob Gruen vem para criar um momento clássico: A fotografia para capa do álbum com os membros em ternos – alguns esquisitos – e mascarados, é tirada em uma rua próxima ao estúdio de gravação, na esquina sudoeste da Rua Vinte e Três com a Oitava Avenida. Ao que parece, os ternos eram de Bill Aucoin, o empresário do conjunto, algumas das gravatas do próprio fotógrafo e o tamanco usado por Gene era da então esposa de Bob Gruen.

A capa do Cd ilustra a Moldura que vinha em alto-relevo no Vinil
A contracapa do cd da Série Remasters
A contracapa do vinil - o negativo da mesma foto da capa
O Vinil da edição brasileira não mostra o logotipo do KISS
A capa do Vinil Brasileiro - Não há o alto relevo - O logotipo com SS invertidos - A mensagem "Including Rock And Roll All Nite"
Apesar da correria na gravação do álbum e da “pouca” produção do mesmo, há um sentimento positivo no processo, até porque a banda retorna para sua cidade e se sente muito mais confortável para fazê-lo. Segundo Peter Criss, eles se esforçaram árduamente para que DRESSED TO KILL fosse realizado, mas estavam felizes, em casa e no estúdio de gravação que era o seu predileto (Eletric Lady , Studio B). Em 19/03/75 o álbum é lançado, e se inicia uma onda em que a gravadora começa a inovar na embalagem ou mesmo nas qualidades das capas. Neste caso, a capa era em alto relevo, destacando o nome da banda. Dois dias depois, Bill Aucoin, utilizando sua influência, consegue dois shows como Headliners no Bacon Theater em Nova Iorque. É a primeira vez como banda principal, um sentimento estimulante para quem havia tocado somente como banda de abertura, se sujeitando às vontades das outras bandas principais. Em 24/03/75, o primeiro passo na direção de uma acidental tacada de mestre: O show no Allen Theatre, Cleveland, Ohio é gravado por vários motivos. O principal: a banda vinha sendo constantemente abordada por outras gravadoras, e a Casablanca já se preocupava em preparar um material mais fácil para a gravação do quarto e talvez derradeiro álbum do contrato inicial. Outra grande vantagem, a redução de custos de uma futura gravação em estúdio, além do fato em que registrava aonde o grupo sempre brilhou: os shows ao vivo, o que até então não se conseguia transpor em vibração, espontaneidade, enfim o que era de melhor, para os álbuns em estúdio.

Na promoção do álbum, tocam She e Black Diamond em 1/04 no programa The Midnight Especial (disponível no Kissology Vol 1) e o sempre inovador Neil resolve alugar o Michigan Palace para gravação de dois vídeo-clips: Rock and Roll All Nite e C´mon and Love me – os dois singles lançados no álbum ( também disponíveis no Kissology Vol 1). Na mesma noite, a banda se apresenta novamente como Headliner no Cobo Hall. Em 3/5/75 tocam na Filadéfia,no Tower Theater, em um show inusitado que teria Paul Stanley usando óculos escuros por sobre sua máscara tradicional, em função de uma conjuntivite. A banda retornaria para o Cobo Hall em outra noite para gravações do show em 16/05, assim como em 21/06 em Cleveland e 23/07 em Wildwood, New Jersey. A turnê de DRESSED TO KILL terminaria em setembro daquele ano. Embora DRESSED TO KILL não tenha levado o KISS ao sucesso desejado, entrar entre os 40 da parada americana, foi um passo na direção correta. O pequeno sucesso de Rock and Roll All Nite, que atingiu o número 68 nas paradas de singles apontava uma confiança para o futuro. Uma coisa era clara: o álbum não correspondia com o já então relativo sucesso da banda como Headliners nos seus shows, mas pode se ressaltar que ele seria o primeiro de estúdio dos três primeiros a receber Gold RIAA certification, mostrando um avanço, ainda que refletido tardiamente. Bom, agora era partir para a conclusão do contrato com a Casablanca, lançando um álbum que realmente refletisse os shows do grupo: Kiss Alive! – mas isso é historia para o próximo post.

DRESSED TO KILL é um álbum mais leve, as guitarras quase sem peso, mas tem uma bateria mais bem gravada. É um álbum mais rock and roll na essência do que os anteriores. Talvez não traga tantos clássicos, mas as músicas menos conhecidas tem muita qualidade, como Love her all I can , tocada recentemente na turnê Rock the Nation. Para nós, do post, que gostamos de um pesinho… teria tudo para ser desprezado, mas não é. Não é, porque o álbum apresenta uma espontaneidade que transpira pelos alto-falantes. É um álbum curto, mas muito gostoso de ouvir, e que tem mais uniformidade de estilos do que os anteriores. Facilmente poderíamos escolher o KISS – primeiro – como um álbum melhor dos três, mas neste caso, cada um tem seu teor – KISS com mais musicas clássicas – HOTTER THAN HELL, mais pesado e DRESSED TO KILL – mais rock and roll (tirado do pé – Rolf!), se alternam em nossas preferências. Cabe destacar que em certos países o logotipo do KISS nas capas era modificado, com os SS invertidos, de forma a não remeter ao símbolo do nazismo. DRESSED TO KILL é o primeiro onde a capa brasileira mostra este logotipo alterado, embora outros que foram distribuídos na mesma época mostravam-se com logotipo original. Isto demostra que nossa distribuidora não seguiu nenhum padrão, e provavelmente procurava a forma mais barata de distribuição, não se importando com a opinião dos fãs.

* Lançamento: 19/03/75
* Produtores: Neil Bogart e KISS
* Primeiro Single: “Rock And Roll All Nite” – em 04/75
* Segundo Single: “C’mon And Love Me” — em 07/75
* Paul Stanley sola pela primeira vez em “C’mon And Love Me”.
* Gene Simmons toca guitarra em “Ladies In Waiting”…
* RIAA Gold Certification em 02/77
* O Álbum atingiu #32 nas paradas

Faixas:
1 - Room Service – 2:59
2 - Two Timer – 2:47
3 - Ladies in Waiting – 2:35
4 - Getaway – 2:43
5 - Rock Bottom – 3:54
6 - C´mon and Love me – 2:57
7 - Anything for my Baby – 2:35
8 - She – 4:08
9 - Love Her All I Can – 2:40
10 - Rock and Roll All Nite – 2:49

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