Kiss: Uma pérola gravada em tempos ainda difíceis
Resenha - Dressed to Kill - Kiss
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 21 de junho de 2012
Nota: 10 ![]()
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A discografia do KISS, sobretudo do período inicial da banda, produziu clássicos indiscutíveis como "Creatures of the night" (1982), "Love Gun" (1977). "Apertado" entre "Hotter than Hell" (1974) e o absoluto "Destroyer" (1976), foi gravado em 1975, uma pequena pérola chamada "Dressed To Kill".
"Dressed", gravado pela Casablanca Records, foi produzido pelo próprio presidente da gravadora, NEIL BOGART, em razão da impossibilidade de gastos com a contratação de um produtor renomado naquele momento. É válido lembrar que apesar de ser o terceiro álbum do quarteto, o KISS ainda não tinha o prestígio que só passou a desfrutar depois do sucesso avassalador de "Destroyer", no ano seguinte. A situação era ainda tão precária que é fácil notar que o grandalhão GENE SIMMONS está com um terno menor do que seu manequim: na verdade a peça era do presidente da gravadora, bem mais baixo que o baixista. Ainda, segundo consta, todos os ternos que aparecem na capa foram empréstimo de parentes dos músicos.
Início árduo à parte, o disco possui grandes faixas que continuam no repertório da banda como "She", "Rock Bottom" e, claro, "Rock and Roll All Nite" (que na verdade se tornou sucesso posteriormente, com tremenda força ao vivo). Mas as demais músicas do full length não deixam por menos, recheadas com a pegada tradicional da marca KISS.
"Room Service" tem aquela manha conhecida da banda, misturando uma guitarra cheia de pegada rocker com o vocal de STANLEY a mil por hora. Aliás, além da dobradinha vocal entre ele e SIMMONS, PETER CRISS aparece mais uma vez, como vocal principal em "Getaway". "Two Timer" possui um backing vocal fantástico, bem ao estilo "ao vivo" da banda.
Apesar de aparecer aqui um pouco mais discreto que em outros discos do grupo, ACE FREHLEY nos brinda com alguns solos bem legais como "Ladies in Waiting" e, claro "Rock Bottom". É válido lembrar o prelúdio acústico, quase erudito dessa canção- então uma prática não tão usual no hard rock, como viria a ser nos anos seguintes.
"C´mon And Love Me" (que décadas depois seria regravada pelo SKID ROW) é uma tremenda faixa - a ponto de ser parte regular dos shows ao vivo da banda nos anos 70 e aparecendo em "Alive!", primeiro ao vivo oficial do grupo. Já a citada "She", é canção de uma das bandas de SIMMONS antes do KISS, a BULLFROG BHEER. Dois lances curiosos dessa música: o solo de guitarra, inspirado em "Five To One" do THE DOORS e o fato dela ter sido regravada pelo ANTHRAX, em 1994 para o álbum tributo "Kiss My Ass: Classic Kiss Regrooved".
Agora, é claro que "Rock And Roll All Nite" (com essa grafia mesmo, diferente do inglês formal) é um capítulo a parte. O clássico – que em 2008 foi eleito o 16# de todos os tempos pela VH1 - aparece aqui pela primeira vez, mudando, com o passar do tempo, a própria história do KISS. Escrita em parceria entre STANLEY (refrão) e SIMMONS (verso), a música "receitou" o consumo ideal de rock n´roll - o dia e a noite inteira.
Track list:
1. "Room Service"
2. "Two Timer"
3. "Ladies in Waiting"
4. "Getaway"
5. "Rock Bottom"
6. "C'mon and Love Me"
7. "Anything for My Baby"
8. "She"
9. "Love Her All I Can"
10. "Rock and Roll All Nite"
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