Resenha - Spaghetti Incident? - Guns N' Roses

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Resenha - Spaghetti Incident? - Guns N' Roses

Traduzido por Igor Z. Martins

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Eu tenho uma espécie de tara por discos controversos, aqueles dos quais a expressiva maioria não gosta. Mas é uma tara “honesta”. Nada de mania adolescente de querer ser diferente. Falo daqueles discos que, muitas vezes, quando resenhados, vão para a galeria dos “álbuns injustiçados” do Whiplash! Por exemplo, sou fã do “The X Factor” (1995), do Iron Maiden, sou fã de “Train Of Thought” (2003), do Dream Theater e gosto até mesmo de “St. Anger” (2003), do Metallica. Também tenho uma paixão incondicional por “Skunkworks” (1996), da carreira solo de Bruce Dickinson e considero “Subhuman Race” (1995), do Skid Row, o melhor trabalho da banda, contrariando toda a população mundial que diz que nada do grupo pode ser melhor que “Slave To The Grind” (1991).

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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E outro álbum injustiçado do qual sou realmente fã é “The Spaghetti Incident?” (1993), do Guns N’Roses, o último álbum de estúdio que a banda lançou antes do grande hiato pelo qual passou até lançar “Chinese Democracy” (temos aqui outro álbum injustiçado?), em 2008.

Eu sou um grande fã de Guns N’Roses. A paixão pela banda não desapareceu com a adolescência, e, até hoje, seus trabalhos me encantam, inclusive “Chinese Democracy”, o qual considero uma grande obra do rock moderno. Todavia, mesmo “Appetite For Destruction” (1987) ou “Use Your Illusion II” (1991), este último, o meu favorito da banda, possuem uma música aqui e outra lá que não contemplam 100% meu gosto. E “The Spaghetti Incident?”, que se trata, na verdade, de um disco de covers, agrada-me em sua totalidade.

O Guns N’Roses, ao tocar uma canção de outro artista, realmente inventa moda e faz isso muitíssimo bem. Ao invés de simplesmente tocar a canção como ela foi gravada originalmente, o Guns imprime suas características e sua personalidade no material tocado. Exemplos dessa habilidade são “Live And Let Die”, canção de Paul McCartney, “Knockin’ On Heaven’s Door”, de Bob Dylan, “Sympathy For The Devil”, dos Rolling Stones, entre outras. E em “The Spaghetti...”, essa desenvoltura quanto a tocar músicas de outras bandas fica evidente.

No encarte do disco, a banda diz: “A great song can be found anywhere. Do yourself a favor and go find the originals”. Ou seja, a banda declara que “uma grande canção pode ser encontrada em qualquer lugar”, e pede para o ouvinte que “faça a si mesmo o favor de encontrar as versões originais” das canções contidas no álbum. Bem, eu fiz isso. Salvei, inclusive, todas as músicas numa pasta no computador chamada “The Original Spaghetti” e posso dizer que, ao menos 90% das versões que o Guns N’Roses gravou nesse álbum supera as originais. Sim! O trabalho do Guns tem mais pegada, é mais energético! A produção é inegavelmente melhor e dá mais tesão ouvir as versões do Guns N’Roses em um volume ensurdecedor que as originais.

A formação que gravou “The Spaghetti Incident” é composta por Axl Rose nos vocais, Gilby Clarke e Slash nas guitarras, Dizzy Reed no piano e teclados, Matt Sorum na bateria e Duff McKagan no baixo, além de uma turma de participantes, como Michael Monroe, Eric Mills, Mike Fasano, Mike Staggs, S.C. Bailey, entre outros. Um destaque para Duff, que, em uma música ou outra, também atua como vocalista, baterista ou guitarrista.

A música que mais se destacou no álbum é a baladinha romântica “Since I Don’t Have You”, gravada originalmente pelo The Skyliners, em 1958. O disco é também recheado de porradas punk, como “Down On The Farm”, canção do The UK Subs, “Raw Power”, do Iggy And The Stooges, “New Rose”, do The Damned e “Attitude”, do Misfits. Essas duas últimas com Duff nos vocais. Em “Raw Power”, Duff divide os vocais com Axl. Outros destaques da esfera punk: “Human Being”, do New York Dolls, “Black Leather”, do Sex Pistols e a dramatica “Ain’t It Fun”, do Dead Boys, na qual Axl divide os vocais com Michael Monroe, vocalista do Hanoi Rocks. Outro destaque em “Ain’t It Fun” são os solos e as melodias de guitarra, além da “gritaria” que Rose e Monroe fazem juntos no refrão.

Um ponto peculiar do disco é “Buick Makane”, do T-Rex, onde Axl divide os vocais com Slash. A canção, na verdade, é um medley, cujo final é o refrão de "Big Dumb Sex", do Soundgarden. Aliás, eu conheci Soundgarden graças ao “The Spaghetti Incident?”, quando eu fiz aquela maratona de “caça às originais”. O álbum traz, também, “Hair Of The Dog”, do Nazareth, que ficou simplesmente explosiva, excitante, energética e animal na versão do Guns. Aliás, as versões de “Raw Power”, “Attitude”, e “Hair Of The Dog” são exemplos de canções que deveriam ser proibidas por lei de serem ouvidas quando você está ao volante. O motorista pode se empolgar e se descontrolar. Acreditem, eu sei disso!

As canções que fecham o disco são “You Can’t Put Your Arms Around A Memory” e “I Don’t Care About You”. A primeira é uma canção de Johnny Thunders, que traz Duff tocando todos os instrumentos, fazendo uma homenagem a Thunders. “This song is for you, Johnny”, diz Duff nos momentos iniciais da canção. E, por último, “I Don’t Care About You”, do Fear, outra canção explosiva em que Axl faz uma interpretação bastante curiosa, beirando o gutural. No final dessa canção, entra a famosa “faixa escondida”, a polêmica “Look At Your Game Girl”, do assassino em série Charles Manson.

Eu não sou lá muito fã de álbuns de covers, mas, de “The Spaghetti Incident?”, eu sou fã incondicional. A primeira vez que ouvi esse álbum foi em vinil, por volta de 2000 ou 2001. Acontece que eu ouvi “Sympathy For The Devil” com o Guns N’Roses (foi nesse episódio que eu conheci a banda), na trilha sonora de “Entrevista Com o Vampiro” (1994), e, pensando em encontrar a música no “disco de covers do Guns”, comprei o álbum em vinil num Sebo. Infelizmente, a canção não está no álbum E, de fato, o disco ficaria ainda melhor se “Sympathy...” estivesse lá.

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Sobre Igor Z. Martins

Jornalista do interior do Paraná, Igor entrou no mundo do rock pesado em 1998, com "The X Factor", do Iron Maiden. Posteriormente, cairam em seus ouvidos Metallica, Guns N'Roses, Dream Theater, Megadeth, etc. Eclético, consegue escutar Oasis, Death, Pantera e Pink Floyd em sequência! Gasta mais da metade do que ganha com CDs, sendo, assim, chamado de "burro" por aqueles que acreditam que "é só baixar da Internet". Quer lhe dar um presente, fazê-lo feliz? Dê-lhe um CD! Comportar-se como criança diante de um CD novo e sentir o cheiro de encartes são marcas de sua paixão louca pela música!

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