Resenha - Sabbath Bloody Sabbath - Black Sabbath

WHIPLASH.NET - Rock e Heavy Metal!

Resenha - Sabbath Bloody Sabbath - Black Sabbath


  | Comentários:

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Imagem
1973. Ano de estafa total para os pais do heavy metal. Turnês gigantescas e intermináveis em seqüência estavam deixando Ozzy e Cia. ainda mais pirados do que o normal. Egos lá em cima, drogas à toda e o caldeirão mercadológico que cercavam a banda também não contribuíam para manter a mente sã dos prolíficos rapazes de Birmingham.

Pois para tudo há solução, e no caso, o jeito era botar as idéias no lugar e procurar um refúgio tranqüilo para as gravações. A malfadada experiência no castelo ao norte da Inglaterra escolhido para ser o tal refúgio (em que a fama mística voltava a se tornar real e assustar até os próprios integrantes) era o sinal de que a palavra “convencional” definitivamente não faz parte da história do Sabbath e aquelas duas semanas dentro do estúdio (um outro castelo mais “comportado”) entrariam para a história.

No entanto, mais uma vez fugindo do que era esperado, a sonoridade do álbum estava mudada. As guitarras se distanciando da afinação baixa, uso grandiloqüente de teclados, órgãos, cordas e violões, experimentalismo em evidência, melodia em alta - inclusive na voz de Ozzy – visual diferente, técnica e magia num casamento apuradíssimo. Era o sorumbático Sabbath se rendendo á progressividade tão em alta na época? Sim, surpreendentemente era. E o fizeram com extrema sapiência e propriedade, sem jamais sequer arranhar sua identidade própria.

Não à toa o álbum em questão é considerado por muitos o melhor e mais bem produzido da longa carreira do grupo. Curioso notar que o Black Sabbath é talvez a única banda em todos os tempos que tem 5 ou 6 álbuns que podem ser considerados “o melhor” e que há defensores ferrenhos para cada um deles. Sorte nossa que ganhamos obras e mais obras magníficas para saciar nossa sede de boa música pesada.

Ao mesmo tempo em que trazia inovações, “Sabbath Bloody Sabbath” – um nome perfeito, ressaltemos - evocava uma volta às raízes em se tratando de sua temática ocultista, mística e mágica, de arte gráfica (um trabalho primoroso de Drew Struzen) e musicalidade idem.

Por vezes “alegre” demais, outras, introspectivo. Ainda assim, vigoroso e eficaz. E é essa mistura de harmonias, sentimentos, climas, alma, progressividade, heavy metal, blues e genialidade que faz de “Sabbath Bloody Sabbath” algo especial. Seu tema título, clássico rapidamente imortalizado, demonstra essa variedade perfeitamente, indo da letargia onírica ao clímax em transe, complementado pelo peso característico, seu riff central alucinante e os berros paranóicos de Ozzy.

“A National Acrobat”, rítmica, empolgante, com todo o charme do blues e o peso do heavy metal fundidos, que se eleva nas vigorosas suítes instrumentais proporcionadas, dotadas de rara pegada e senso melódico e harmônico.

A linda e emotiva instrumental “Fluff”, carregada de tenros arpejos por parte de Tony Iommi consagra-se como uma das composições mais expressivas melódica e sentimentalmente que a banda já fez.

E ainda a deliciosamente bluesy “Sabbra Cadabra”, daquelas que quando você percebe, está dançando igual um louco pela sala, outro clássico que uma vez incorporado ao repertório ao vivo do grupo não saiu mais, fácil de entender pela sensação que causa na platéia, o típico heavy-rock que a banda faz tão bem, dessa vez incrementado pelos lapsos do progressivo.

A ousadia experimental – para se ter uma idéia foram usados percussão, piano, órgão, sintetizadores, mellotrons, flauta, gaita de foles, tímpano, espineta e diferentes tipos de baixo, violão e guitarra – é sentida durante todo o play, mas fica principalmente evidente na faixa “Who Are You?”, lacônica música cantada soturnamente por Ozzy e dona da letra mais “assombrosa” da bolacha.

Não podemos deixar de citar as contribuições de Rick Wakeman, tecladista do Yes, sob o pseudônimo de Spock Wall e que também deixaria sua marca no próximo LP, o “Sabotage”.

Ozzy Osbourne sabidamente não era um músico dos mais apegados á teoria e técnica, mas que intérprete fantástico, que frontman único, que entrega tudo de si á música alcançando resultados inimagináveis com isso, louco, insano, imprevisível e por último, dono de uma voz inimitável, enfim, o homem perfeito para ser "a" cara e "a" voz do heavy metal.

Não que eu não queira, ou que sejam de menor importância, mas não é preciso comentar “Killing Yourself To Live” e “Looking For Today”, dois cultos ao bom gosto, duas pérolas de refino metálico. Descrevê-las é tirar o impacto da descoberta, desnudar o prazer de encontrar algo novo, porque é isso que acontece a cada vez que se ouve “Sabbath Bloody Sabbath”, o típico álbum que a cada nova audição se gosta mais, acha-se coisas novas, detalhes, peculiaridades de uma grande banda. Por isso dê-se ao prazeroso trabalho de descobrir as canções por conta própria e senti-las com a individualidade que é necessária.

Por fim, "Spiral Architect" emociona com sua introdução dedilhada ao violão para depois explodir em técnica e virtuose sadia, se valendo de passagens eruditas, cordas e violinos, no melhor estilo progressivo-setentista, uma das melhores e mais trabalhadas composições do Black Sabbath.

Até os críticos gostaram, eles, metidos e acostumados a serem refinados, eles que sempre detestaram a banda, foram obrigados a se render e derramaram-se em elogios; também pudera, fica difícil achar o que criticar neste material. O álbum acabou sendo o mais vendido da banda desde Paranoid.

Não é um tratado sobre a complexidade, nem tem pretensão de ser, não tem ostentações megalomaníacas e não foi feito para disputar quem é mais rápido ou toca mais difícil, mas quem disse que não há magia e genialidade na pureza?

Simples quando preciso, belo, sutil e agressivo num mesmo espaço, empolga, toca, diverte, encanta. “Sabbath Bloody Sabbath” mostra os mestres se reinventado, produzindo mais uma obra atemporal e influente, fruto da criatividade, técnica e competência que talvez nem os próprios rapazes sabiam que tinham.

Está aí a graça da coisa, o segredo: eram tão espontâneos, sinceros e originais no que faziam, que nenhuma outra banda poderia imitar, de repercussão e importância incalculáveis á época, mas que o tempo se encarregou de imortalizar, criando uma infindável geração de admiradores.

“Sabbath Bloody Sabbath” – que nome fabuloso! Que discaço de heavy metal! Um marco para a banda, um marco para a boa música. Nossos extasiados sentidos agradecem.

Os Mestres:
Ozzy Osbourne (Vocais/Sintetizadores)
Tony Iommi (Guitarras/Violões/Sintetizadores/Piano/Espineta/Flauta/Órgão/Gaita de Foles)
Geezer Butler (Baixo/Sintetizadores/Mellotrons)
Bill Ward (Bateria/Percussão/Tímpano)

Criado em 1996, Whiplash.Net é o mais completo site sobre Rock e Heavy Metal em português. Em março de 2013 o site teve 1.258.407 visitantes, 2.988.224 visitas e 8.590.108 pageviews. Redatores, bandas e promotores podem colaborar pelo link ENVIAR MATERIAL no topo do site.

Outras resenhas de Sabbath Bloody Sabbath - Black Sabbath

Black Sabbath: Obrigatório, se você acredita em duendes!
Tradução - Sabbath Bloody Sabbath - Black Sabbath


  | Comentários:

Todas as matérias da seção Resenhas de CDs
Todas as matérias sobre "Black Sabbath"

Black Sabbath: "Adoraria tocar com eles", diz Vinny Appice
Black Sabbath: Ozzy achava que Iommi não sobreviveria
Black Sabbath: vídeo mostra banda recebendo Platina no Canadá
Dio: Tributo faz jus à sua importância para a música pesada
Black Sabbath: recebendo platinas por vendas de "13" e de DVD
Black Sabbath: Iommi fala sobre tocar com Bill Ward novamente
E Se...: Sua banda favorita mudasse de gênero musical?
Black Sabbath: Ozzy volta a comentar sobre o sucessor de "13"
Geezer Butler: detalhando a criação do single "God Is Dead?"
Black Sabbath: As 10 melhores músicas segundo o Loudwire
Dio: qual foi sua melhor banda? Os rockstars respondem
Phil Anselmo: comentando cover que o Pantera fez do Black Sabbath
Black Sabbath: Ozzy está animado por poder tocar em Londres
Geezer Butler: dificuldade de ser vegan em tour na América do Sul
Geezer Butler: religião, humildade e vegetarianismo

Os comentários são postados usando scripts do FACEBOOK e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Pense antes de escrever; os outros usuários e colaboradores merecem respeito;
Não seja agressivo, não provoque e não responda provocações com outras provocações;
Seja gentil ao apontar erros e seja útil usando o link de ENVIO DE CORREÇÕES;
Lembre-se de também elogiar quando encontrar bom conteúdo. :-)

Trolls, chatos de qualquer tipo e usuários que quebram estas regras podem ser banidos sem aviso. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

Mais matérias de Maurício Gomes Angelo no Whiplash.Net.

Link que não funciona para email (ignore)

QUEM SOMOS | ANUNCIAR | ENVIAR MATERIAL | FALE CONOSCO

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em março: 1.258.407 visitantes, 2.988.224 visitas, 8.590.108 pageviews.


Principal

Resenhas

Seções e Colunas

Temas

Bandas mais acessadas

NOME
1Iron Maiden
2Guns N' Roses
3Metallica
4Black Sabbath
5Megadeth
6Ozzy Osbourne
7Kiss
8Led Zeppelin
9Slayer
10AC/DC
11Angra
12Sepultura
13Dream Theater
14Judas Priest
15Van Halen

Lista completa de bandas e artistas mais acessados na história do site

Matérias mais lidas