Stratovarius: Show morno e de altos e baixos em São Paulo
Resenha - Stratovarius (Carioca Club, São Paulo, 12/02/2016)
Por Diego Camara
Postado em 20 de fevereiro de 2016
Foi em 2009 no finado Citibank Hall – não confundir com o Credicard/Citibank Hall atual – que o Stratovarius veio ao Brasil em sua primeira turnê após os fatídicos acontecimentos bizarros dos últimos cinco anos, com uma repaginada total da banda. Deste tempo já se passaram sete longos anos desta "nova" banda e quatro novos lançamentos sem a mente de Timo Tolkki no comando dos finlandeses. Mesmo assim, com um setlist cheio de clássicos – e praticamente chutando a nova fase da banda pra escanteio – o que vemos no Carioca Club foi certamente um show razoável, mas pouco inspirado, que não faz nem jus ao que foi apresentado em 2009 com grandes louvores.
Em primeiro lugar, devemos mostrar o ímpeto e a vontade da plateia, especialmente das linhas dianteiras, que mostraram enorme empolgação na entrada da banda, que foi 20h00 em ponto – como de praxe no Carioca Club. A banda abriu com "My Eternal Dream" do novo disco "Eternal", em uma apresentação sofrível. Faltava claramente potência no som, com o teclado e a bateria esbanjando volume, mas com pouquíssima voz e guitarras praticamente inaudíveis. A música, que não é das melhores, não foi o bastante para levantar o público da maneira que comumente vemos em shows do Power Metal.

As mesmas faltas ocorreram em "Eagleheart", que não pode me deixar mais decepcionado. Ali só havia o nome, o refrão cantado com vontade por Kotipelto e o público, mas não se viu sombras das guitarras que fizeram desta música uma das mais icônicas do Stratovarius. Quando as músicas parecem tão díspares no início do show, normalmente ocorre pelo desleixo da banda e da equipe de som, o que me pareceu claramente o caso, dado que em "Phoenix", o outro sucesso tocado em seguida, a música já se encontrava mais decente, melhor equalizada – os instrumentos estavam mais audíveis e as pancadas da bateria bem menores.

O novo disco no geral não gerou grande sucesso no show. Creio que a música que melhor levantou o público foi "Lost Without a Trace", que contem um belo solo de guitarra – um dos bons momentos de Kupiainen no show. "The Lost Saga" é uma música interminável e com pouquíssimas variações, e a maioria do público ficou em silêncio durante os quase 12 minutos que ela durou no palco. "Shine in the Dark" compôs o bis, mas passou quase desapercebida quando colocada exatamente entre dois dos maiores sucessos da banda.

Houve duas belíssimas surpresas no setlist: "SOS", uma das melhores músicas do "Destiny" e que há muito tempo não aparecia em setlists por aqui, e "Against the Wind", que nutriu o saudosismo dos fãs do antiguíssimo e pouco aproveitado "Fourth Dimension". Ambas foram extremamente bem recebidas pelos fãs e tocadas ao bom e velho estilo do Stratovarius, com bela orquestração de Johansson.

As melhores apresentações, também ao tom do grande estilo que fez o nome do Stratovarius, foram nas músicas "Paradise" e "Black Diamond". Ambas cheias do som da banda, das variações, da melodia do teclado e das pancadas frenéticas da bateria, fizeram jus ao Stratovarius da década de 90, puxadas mais uma vens por Jens Johansson, que não deixou a peteca cair quando foi chamado para a responsabilidade. O show foi fechado com "Unbreakable", que parece que esta ali apenas para que não digam que ignoraram totalmente os discos que foram lançados neste nova fase.

No bis, a banda não trouxe nada muito fora do esperado. Abriram com "Forever", tocada em seu estilo clássico, puxada pela ainda fascinante voz de Timo Kotipelto. Uma excelente apresentação. Esta foi seguida por dois sucessos excelentes, que mostraram que a banda ainda tem o que queimar: Kupiainen mostrou seu melhor em "Speed of Light", e a banda fez uma apresentação redondinha de "Hunting High and Low", que fechou muito bem um show que começou não lá estas coisas. O setlist supriu as necessidades e trouxe o que o público esperava, apesar que sem dúvidas todo mundo sentiu falta de uma ou outra música que acabou ficando de fora.

Apesar de tudo, é difícil dizer que não esta faltando algo no Stratovarius. Se a banda em 2009 parecia com grande ânimo e com vontade de superar os problemas do passado, e o fez de maneira genial, o Stratovarius de 2016 parece mais acanhado, mais burocrático, como se sentindo falta de algo. Talvez, após quatro lançamentos, seja a hora da banda repensar algumas coisas ou buscar novas forças, novo ânimo.

Stratovarius:
Timo Kotipelto – Vocal
Jens Johansson – Teclado
Lauri Porra – Baixo
Matias Kupiainen – Guitarra
Rolf Pilve – Bateria
Setlist:
1. My Eternal Dream
2. Eagleheart
3. Phoenix
4. Lost Without a Trace
5. SOS
6. Bass Solo
7. Paradise
8. Against the Wind
9. The Lost Saga
10. Keyboard Solo
11. Black Diamond
12. Unbreakable
Bis:
13. Forever
14. Speed of Light
15. Shine in the Dark
16. Hunting High and Low


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